Farm em liquidação: joia da Azzas pode sair com 40% de desconto
A Farm Rio, marca carioca do grupo Azzas 2154, está à venda. Avaliada em US$ 1 bilhão, pode sair por até 40% menos. Fundos estrangeiros analisam o ativo, enquanto Birman e Jatahy admitem desconto para destravar o negócio.
Se você acompanha o varejo de moda, sabe o tamanho do aperto quando uma marca grande entra em negociação. A Farm Rio, joia da Azzas 2154, está à venda, e o preço pode surpreender: avaliação inicial de US$ 1 bilhão, mas com desconto de até 40% para destravar a operação.
Fundos estrangeiros de private equity analisam o ativo desde junho, quando o Morgan Stanley foi contratado para conduzir o processo. A percepção entre quem acompanha é que uma proposta entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões pode levar a marca. Birman e Jatahy, que estão separando os negócios, já admitem o desconto.
A separação societária, anunciada na semana passada, tornou a venda o caminho natural. A Farm ficou fora da divisão dos principais ativos, e os dois empresários seguem como sócios enquanto o banco busca comprador. Mas não há propostas vinculantes na mesa.
Varejo no Brasil é complexo: exige capital, tem margens pressionadas e depende de ciclos de consumo, juros e câmbio. No caso da Farm, a expansão internacional é parte central da tese de crescimento, mas uma fatia relevante da receita ainda vem do mercado doméstico. Para um fundo, a conta precisa acomodar os dois riscos.
O mercado nunca chegou a consenso sobre o valor real da marca. O J.P. Morgan calculou entre US$ 815 milhões e US$ 1 bilhão; o Citi, cerca de US$ 685 milhões; a XP, de US$ 360 milhões a US$ 900 milhões. Em 2025, a Farm faturou cerca de R$ 3,4 bilhões, com R$ 1,3 bilhão vindo do exterior. A margem Ebitda estimada fica entre 15% e 20%.
A relação entre Birman e Jatahy também pesa na negociação. Na nova estrutura, a Arezzo&Co fica com 57,4% da marca, e a Soma, com 42,6%. Para compradores, isso aumenta o poder de barganha. Mas os sócios sinalizam que não há obrigação de vender: internamente, já admitem continuar juntos na Farm se a proposta não for adequada.
Criada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos, a Farm respondeu por cerca de 25% da receita bruta da Azzas em 2025. A internacionalização, iniciada em 2019 com loja em Nova York, hoje representa aproximadamente 40% do faturamento. No Brasil, são mais de cem lojas; no exterior, presença em Estados Unidos, França, Reino Unido, México e Emirados Árabes.
A Azzas 2154, em nota, nega a venda e diz que a avaliação é "um processo totalmente confidencial", repudiando especulações que possam interferir nas negociações como funciona a venda de uma marca de moda.