Coretava busca R$ 30 milhões em Série A com IA
A Coretava negocia com três fundos de venture capital uma Série A de até R$ 30 milhões, prevista para fechar até o fim do ano. A empresa aposta no TavyoOS, plataforma de IA para automatizar operações de receita.
A Coretava, startup de engenharia de receita fundada por Aws Alnabulsi, negocia com três fundos de venture capital uma rodada Série A de até R$ 30 milhões. A conclusão está prevista para o fim do ano. O capital vai financiar a próxima fase de crescimento da companhia e o desenvolvimento do TavyoOS, plataforma de inteligência artificial para automatizar operações de receita.
Alnabulsi nasceu na Palestina, passou por São Francisco, nos Estados Unidos, e Santiago, no Chile, antes de se estabelecer em São Paulo há dois anos com a Coretava. A empresa atua em um mercado que o fundador descreve como pouco penetrado no Brasil, com menos competição do que no Vale do Silício. É dessa leitura que nasce a aposta para a nova rodada.
O que a Série A financia e o que muda na tese do negócio
Na negociação, Alnabulsi está disposto a vender uma participação de até 15% na operação, que ele avalia entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões. O novo capital será usado principalmente para acelerar a tecnologia e a expansão da companhia, com planos para a América Latina e a América Norte.
A rodada também acompanha uma mudança na própria tese do negócio. "Há um ano, era só CRM. Hoje somos AI revenue operator", diz Alnabulsi. A aposta para sustentar essa transformação se chama TavyoOS, plataforma que identifica oportunidades de receita e executa ações de vendas, relacionamento e atendimento.
A companhia apresenta a tecnologia como um operador de Revenue AI. Em vez de apenas organizar informações sobre clientes ou indicar oportunidades para um vendedor, o sistema busca executar parte dessas tarefas de maneira autônoma. Na prática, o Tavyo identifica oportunidades que poderiam passar despercebidas e, a partir delas, pode executar campanhas e ações de relacionamento e atendimento sem depender de uma equipe técnica para colocar cada iniciativa de pé.
Trajetória de captação e base de clientes
A Coretava chega à Série A depois de captar cerca de US$ 4 milhões desde sua fundação, há sete anos. O primeiro investidor institucional foi o Ibtikar Fund, fundo de venture capital que busca teses de investidores palestinos, que aportou US$ 500 mil em 2018. Outros US$ 3,5 milhões foram levantados ao longo da trajetória da companhia com family offices, investidores-anjo e o próprio Banco da Palestina. Parte desses recursos foi destinada ao desenvolvimento da tecnologia que agora dá origem ao Tavyo.
A próxima rodada representa uma mudança de escala. O objetivo, segundo o fundador, é "liderar o mercado" em um momento no qual empresas estrangeiras do segmento começam a avançar no Brasil.
A tese da Coretava parte de um problema que Alnabulsi identifica na adoção de softwares comerciais pelas empresas. Comprar a ferramenta, segundo ele, não significa necessariamente conseguir extrair receita dela. "O service layer é a maior dor do mercado", afirma. É nessa camada que a companhia quer posicionar o Tavyo. Em vez de entregar somente a infraestrutura tecnológica e deixar a implementação e a operação para o cliente, a ideia é que a inteligência artificial também assuma parte do trabalho necessário para transformar dados e oportunidades em ações comerciais. O foco são, nas palavras do fundador, "empresas que querem crescer e que não têm camada de serviço".
Hoje, a empresa atende 55 clientes globalmente. Entre os nomes citados pela Coretava estão BRF, Carrefour e Odontoprev.