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Ibovespa entre turnos: o que 5 ciclos eleitorais mostram

ResumoO Ibovespa registrou alta entre o primeiro e o segundo turno em quatro das últimas cinco eleições presidenciais brasileiras. O índice, porém, apresentou volatilidade relevante nesse intervalo, com quedas de até 4,4% e seis pregões de ganhos superiores a 3%, padrão que investidores monitoram para o pleito de 2026.

Ibovespa subiu entre o 1º e o 2º turno em quatro das últimas cinco eleições, mas o caminho teve pregões de queda de 4,4% e seis sessões acima de 3%. Entenda o que o histórico revela para 2026.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 16 de setembro de 2026
Ibovespa entre turnos: o que 5 ciclos eleitorais mostram

O Ibovespa fechou o intervalo entre o primeiro e o segundo turno em alta em quatro das últimas cinco eleições presidenciais. O saldo positivo, no entanto, diz pouco sobre o que aconteceu no meio do caminho. Estudo de André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, analisou os ciclos de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 e mostrou que o percurso entre as duas votações foi bem menos uniforme do que o resultado final sugere.

Em 2014, seis pregões registraram movimentos superiores a 3% em cerca de 14 dias úteis entre os turnos. Em 2022, mesmo com o índice encerrando o período no campo positivo, houve uma sessão isolada de queda de 4,4%. Os episódios mostram como o desempenho acumulado pode esconder quedas acentuadas, recuperações e mudanças rápidas de direção antes do resultado final.

O que o resultado entre turnos esconde

Para Moraes, olhar apenas para os pontos de partida e chegada reduz a leitura do período eleitoral. Uma valorização acumulada pode incluir movimentos intensos no meio do trajeto. O comportamento das sessões ajuda a dimensionar como o mercado absorveu as novas informações surgidas entre as duas votações.

Outro ponto do estudo é o papel das expectativas formadas antes da votação. Segundo o analista, o mercado começa a incorporar diferentes cenários eleitorais aos preços antes mesmo de os votos serem contabilizados. A reação depois das urnas não dependeria apenas do resultado, mas da diferença entre o que aconteceu e o cenário que os investidores já vinham precificando.

"O risco não é o resultado da eleição. O risco é a distância entre o resultado e o que já estava no preço", afirma Moraes.

Nessa leitura, a confirmação de um cenário amplamente esperado pode produzir reação diferente da observada quando o resultado surpreende. Parte da movimentação pode ocorrer antes da votação, à medida que pesquisas, declarações e propostas econômicas alteram expectativas e os preços incorporam essas mudanças. É nesse contexto que o chamado trade eleitoral volta a ganhar espaço em 2026.

Setores não andam juntos

Observar apenas o Ibovespa pode esconder outra característica destacada por Moraes: os segmentos da Bolsa não reagem da mesma forma ao cenário eleitoral.

"Em eleição, os setores não andam juntos", afirma o analista.

Estatais, bancos, elétricas, exportadoras e empresas voltadas ao consumo doméstico estão entre os grupos citados por Moraes como exemplos de segmentos que podem responder de forma distinta a um mesmo resultado. Empresas controladas pelo Estado podem reagir a expectativas sobre gestão e política de investimentos. Bancos e companhias de consumo tendem a ser sensíveis às perspectivas para juros e atividade econômica. Exportadoras também respondem ao câmbio e ao ambiente internacional.

Por isso, uma alta do Ibovespa não significa valorização generalizada das ações. Um pregão negativo para o índice pode esconder papéis ou setores andando na direção contrária. A dispersão entre os ativos acrescenta outra camada à leitura do período eleitoral: além da direção do índice, importa observar quais empresas e setores concentram os maiores movimentos.

O que acompanhar em 2026

Os ciclos anteriores deixam três pontos para acompanhar quando a eleição de 2026 entrar na fase decisiva. O primeiro é que o resultado acumulado do Ibovespa entre as votações pode esconder movimentos bem mais intensos ao longo das sessões. O segundo passa pelas expectativas: a reação dos ativos depende de quanto de determinado cenário já foi incorporado aos preços e de quanto uma nova informação obriga o mercado a rever posições. O terceiro é a dispersão entre setores, que respondem de maneiras distintas conforme sua exposição à política econômica, juros, câmbio, atividade doméstica ou decisões do governo.

O histórico ajuda menos a apontar uma direção predeterminada para a Bolsa e mais a mostrar quais movimentos merecem atenção entre uma votação e outra. Como ressalta o estudo, o desempenho passado não representa garantia de resultado futuro.

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