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Fluxo estrangeiro na B3: julho tem saldo positivo de R$ 2,35 bi

ResumoA B3 registrou saldo positivo de R$ 2,351 bilhões no fluxo estrangeiro na primeira quinzena de julho. O movimento representa retomada da entrada de capital externo após saída recorde em junho. Analistas atribuem o fluxo a fatores técnicos e fundamentos como inflação em desaceleração e valuation atrativo das ações brasileiras.

Julho marca a retomada da entrada de capital externo na B3, com saldo positivo de R$ 2,351 bilhões na primeira quinzena. Analistas veem movimento técnico após saída recorde em junho, mas também citam fundamentos como inflação em desaceleração e valuation atrativo.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 27 de julho de 2026
Fluxo estrangeiro na B3: julho tem saldo positivo de R$ 2,35 bi

Se você acompanha o mercado financeiro, já sentiu o aperto dos últimos meses: o capital estrangeiro saiu da B3 em maio e junho, com retirada de R$ 7,785 bilhões só no último mês - a maior em quase um ano. Mas julho trouxe um alívio. Até a metade do mês, o saldo de entrada de recursos externos na Bolsa brasileira já era positivo em R$ 2,351 bilhões, segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado.

Por que o fluxo estrangeiro voltou para a B3?

O movimento tem um componente técnico claro. Após dois meses consecutivos de saída líquida, a entrada de julho é vista como um "respiro" natural. Mas não é só isso. A recente safra de indicadores econômicos reforça um desaquecimento da atividade, como os dados de emprego de maio e o IPCA de junho, que veio abaixo do esperado.

Valuation atrativo e inflação no radar

A Bolsa segue barata e "pouco carregada", define o estrategista de renda variável da Genial, Filipe Villegas. O IPCA de junho, divulgado no dia 10, mostrou desaceleração e gerou alívio inflacionário de curto prazo. Isso reacendeu apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na Selic no Copom de agosto, criando expectativas de um ambiente menos adverso para as empresas.

Naquele dia 10, a B3 registrou a maior entrada líquida desde o início do grande movimento de saída, em 15 de abril: R$ 1,521 bilhão. "Vimos algum sinal de melhora", afirma o estrategista de ações da XP Investimentos, Raphael Figueredo.

Cenário geopolítico e o papel do Brasil

Outro ponto que conta a favor é o conflito geopolítico. Apesar dos efeitos nocivos na economia real, o impasse beneficia países exportadores de petróleo, como o Brasil. "Eu diria que no relativo, somos vencedores", diz Figueredo. "Isso tem feito o Ibovespa se sustentar por volta de 175 mil, 178 mil pontos há alguns dias."

Fluxo externo como motor da B3 em 2026

O capital estrangeiro tem sido o principal motor para a valorização da Bolsa neste ano. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,314 bilhões, cifra que já superava todo o aporte de 2025. Até abril, a entrada chegou a quase R$ 70 bilhões. Depois, o fluxo minguou gradualmente, mas os últimos dados mostram retomada. O Ibovespa acumula ganho de 8% no ano.

Riscos e perspectivas dos analistas

A Genial mantém postura defensiva, com preferência por liquidez, moeda forte e pagadoras de dividendos. O retorno do excepcionalismo americano e um dólar forte estrutural são os principais riscos para ativos locais, pondera a casa. Se o Federal Reserve (Fed) adotar postura mais restritiva, o fluxo para emergentes pode ficar mais seletivo.

Já o Citi vê o Brasil como um "hedge de IA", já que as altas apostas em tecnologia demandam um seguro em ativos tangíveis, perfil da Bolsa local. O banco está "expectativa cautelosamente otimista" com o mercado de ações brasileiro no segundo semestre.

O Bank of America (BofA) aponta que os fundos de ações do Brasil tiveram entradas de US$ 100 milhões nos primeiros dias de julho, em comparação com uma média de saídas de R$ 600 milhões por semana no primeiro trimestre de 2026.

Perguntas Frequentes

O fluxo estrangeiro na B3 voltou a crescer em julho?

Sim. Na primeira quinzena de julho, o saldo de entrada de capital externo foi positivo em R$ 2,351 bilhões, após dois meses de saída líquida.

Por que o capital estrangeiro está voltando para o Brasil?

Analistas citam movimento técnico de recomposição, além de fundamentos como IPCA abaixo do esperado, valuation atrativo e cenário geopolítico favorável ao Brasil como exportador de petróleo.

Qual foi a maior entrada de fluxo estrangeiro em julho?

No dia 10 de julho, após a divulgação do IPCA, a B3 registrou entrada líquida de R$ 1,521 bilhão, a maior desde o início do movimento de saída em 15 de abril.

O que os bancos internacionais estão dizendo sobre a B3?

O Citi vê o Brasil como hedge de IA e está cautelosamente otimista. O BofA reporta entradas de US$ 100 milhões em fundos de ações do Brasil nos primeiros dias de julho.

Quais os riscos para o fluxo estrangeiro na B3?

Os principais riscos são o retorno do excepcionalismo americano, um dólar forte estrutural e uma postura mais restritiva do Fed, que pode tornar o fluxo para emergentes mais seletivo.

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