Financas Pessoais

Vendas imobiliárias em SP superam lançamentos; Cury e Cyrela em alta

Julho registrou um cenário positivo para o mercado imobiliário de São Paulo, com as vendas de imóveis residenciais superando a oferta em praticamente todas as faixas de renda. O Goldman Sachs destacou o desempenho favorável para Cury e Cyrela, reforçando sua preferência por essas

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 17 de setembro de 2026
Vendas imobiliárias em SP superam lançamentos; Cury e Cyrela em alta

O mercado imobiliário paulistano apresentou sinais positivos em julho, com as vendas de imóveis residenciais superando os lançamentos em diversas faixas de renda. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o Goldman Sachs destacou o cenário favorável para Cury (CURY3) e Cyrela (CYRE3), duas de suas principais recomendações para o setor. Segundo o banco, as vendas superaram a oferta em quase todos os segmentos de preço, com exceção da faixa intermediária entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão.

O maior avanço ocorreu nos imóveis enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida, especialmente aqueles com preços inferiores a R$ 240 mil, onde a relação entre vendas e lançamentos melhorou significativamente na comparação trimestral. Analistas do Goldman Sachs, Jorel Guilloty e Igor Machado, afirmaram que o resultado é favorável para a Cury, pela forte exposição ao segmento de baixa renda, e para a Cyrela, por sua estratégia de atuação nas faixas populares e de alto padrão.

Os números compilados pelo Goldman Sachs indicam que, em julho, as vendas de imóveis na cidade de São Paulo atingiram 10.301 unidades, um aumento de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, os lançamentos cresceram 46%, totalizando 8.354 unidades. Isso elevou a relação de vendas sobre oferta para 10,3%, superando os 9,2% de fevereiro e os 8,8% de um ano antes. O desempenho na faixa de até R$ 275 mil foi de 64% de crescimento anual, e na categoria entre R$ 275 mil e R$ 400 mil, a expansão atingiu 102%. Houve melhora também nos segmentos de maior renda, com as categorias entre R$ 1 milhão e R$ 2,25 milhões e acima de R$ 5 milhões apresentando avanço da absorção em relação aos lançamentos.

Em agosto, as ações das incorporadoras brasileiras tiveram um desempenho positivo. A cobertura do Goldman Sachs avançou, em média, 9,7% no mês, enquanto o Ibovespa variou negativamente 0,3%. Entre as empresas com recomendação de compra, Cyrela (CYRE3) subiu 14%, seguida por Tenda (TEND3) com 11% e Cury (CURY3) com 10%. A Direcional (DIRR3) foi a única exceção, com queda de 2%. MRV (MRVE3), com recomendação neutra, ganhou 16%, e EZTEC (EZTC3), com recomendação de venda, avançou 8%.

O Goldman Sachs mantém uma visão positiva para diversas construtoras. No segmento de baixa renda, as recomendações são Cury (CURY3), com preço-alvo de R$ 43, Direcional (DIRR3), com preço-alvo de R$ 20, e Tenda (TEND3), com preço-alvo de R$ 37. Para média e alta renda, a preferência é Cyrela (CYRE3), com preço-alvo de R$ 31. O banco destaca que os múltiplos de valuation permanecem abaixo das médias históricas para boa parte da cobertura, especialmente em empresas como Cyrela, Direcional e Tenda. A trajetória dos juros continua sendo um fator relevante para o setor, com as ações das incorporadoras sensíveis aos movimentos dos rendimentos dos títulos públicos de dez anos no Brasil. Uma continuidade na queda da Selic tende a beneficiar companhias mais expostas à demanda doméstica e ao financiamento imobiliário.

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