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Taxas do Tesouro recuam forte após corte da Selic; veja números

ResumoTaxas do Tesouro Direto recuaram forte após o corte da Selic para 13,75% e a alta de juros nos EUA. O Prefixado 2037 perdeu 11 pontos-base, enquanto o IPCA+ 2032 liderou a queda entre os títulos de inflação.

No dia seguinte ao corte da Selic para 13,75% e à alta de juros nos EUA, as taxas do Tesouro Direto recuaram forte. O Prefixado 2037 perdeu 11 pontos-base, e o IPCA+ 2032 liderou a queda entre os títulos de inflação.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 17 de setembro de 2026
Taxas do Tesouro recuam forte após corte da Selic; veja números

As taxas do Tesouro Direto recuaram com força nesta quinta-feira (17), no dia seguinte à decisão dupla de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, quinto corte consecutivo e decisão unânime que já era esperada pelo mercado.

No Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, a taxa caiu de 14,30% no fechamento de quarta-feira para 14,19% na manhã seguinte, recuo de 11 pontos-base. O Prefixado 2032 foi de 14,24% para 14,15%, e o Prefixado 2029 saiu de 13,89% para 13,81%.

Entre os títulos de inflação, o IPCA+ 2032 teve a maior queda, de 7,68% para 7,61%. O IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 cederam 5 pontos-base cada, para 7,19% e 7,18%, e o IPCA+ 2040 recuou de 7,31% para 7,26%.

O que explica o movimento

O corte da Selic puxa para baixo as taxas negociadas no Tesouro Direto, sobretudo nos vencimentos mais longos. Mesmo assim, o Copom manteve a preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, e o balanço de riscos seguiu com assimetria para cima.

Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, avalia que a continuidade da desaceleração da atividade e uma inflação mais favorável ainda permitem um corte na próxima reunião, embora ela ocorra logo após o segundo turno eleitoral, o que aumenta a incerteza.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, interpreta que a mensagem mais provável é que o ciclo de cortes chegou ao fim, ou está muito perto disso, citando a projeção de inflação do BC, o cenário externo e o cenário eleitoral. Trevisan pondera que a Selic segue alta e recomenda cautela na renda fixa, com prazos curtos e disciplina no crédito privado, além de manter parcela do patrimônio fora do país.

Um levantamento da Ghia MFO mostra ganho maior em queda de juros do que perda em alta em ano de eleição, e diz que a janela ainda está aberta, desde que os prazos não sejam longos demais.

O contraponto externo

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde julho de 2023. O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a estabilidade de preços é a base do crescimento econômico e que a decisão representa "um passo importante" nessa direção, beneficiando especialmente os americanos "menos favorecidos", já que a inflação mais baixa preserva o poder de compra dos salários.

Apesar da alta, os rendimentos dos Treasuries recuaram logo depois do anúncio, em ajuste de preços que já refletiam a decisão na véspera da reunião. Agentes avaliam que a postura firme de Warsh no combate à inflação tranquilizou os investidores quanto ao compromisso do banco central com a convergência ao redor da meta de longo prazo.

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