Financas Pessoais

Trump diz que não fará acordo nuclear sem sauditas nos Acordos de Abraão

O presidente Donald Trump declarou que não firmará um acordo nuclear com a Arábia Saudita sem que o país aceite normalizar relações com Israel, nos termos dos Acordos de Abraão. Essa condição levanta questões importantes para o futuro das negociações.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 27 de julho de 2026
Trump diz que não fará acordo nuclear sem sauditas nos Acordos de Abraão

Trump diz que não fará acordo nuclear sem que sauditas adiram aos Acordos de Abraão

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que não avançará em um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita, a menos que os sauditas concordem em normalizar suas relações com Israel no âmbito dos Acordos de Abraão. Essa condição, segundo Trump, é essencial para prosseguir com as negociações.

No último dia 27 de setembro, o Departamento de Energia dos EUA anunciou que o secretário de Energia, Chris Wright, e seu homólogo saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um acordo para o desenvolvimento dos primeiros reatores nucleares comerciais na Arábia Saudita. O acordo será enviado ao Congresso para análise, o que pode ter impactos significativos nas relações entre os dois países.

Ao ser questionado sobre as estratégias americanas para o conflito, Trump destacou que os Estados Unidos podem continuar a abordagem atual, acelerar as negociações ou optar por um novo rumo. Essa flexibilidade nas opções pode refletir a complexidade da situação no Oriente Médio.

Trump também anunciou que o governo iniciará "imediatamente" uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O objetivo é apurar o que ele classificou como prática de "roubar" empresas americanas e prejudicar os contribuintes dos EUA, o que pode ter repercussões econômicas e comerciais.

Desde seu primeiro mandato, Trump vem trabalhando em um acordo nuclear com a Arábia Saudita. O ex-presidente Joe Biden também pressionou por um acordo semelhante, buscando vinculá-lo aos Acordos de Abraão, que visam normalizar as relações entre a Arábia Saudita e Israel.

No entanto, a Arábia Saudita não assinou os Acordos de Abraão. O país deseja um caminho irreversível para a criação de um Estado palestino antes de reconhecer Israel, o que complica as negociações e a possibilidade de um acordo nuclear.

Na quinta-feira, Trump adicionou publicamente a condição de adesão ao acordo, afirmando em uma postagem nas redes sociais que a Arábia Saudita precisaria se juntar aos Acordos de Abraão. Essa declaração foi uma reiteração de sua posição, que ele enfatizou novamente nesta sexta-feira no Salão Oval. "Para fazer isso, eles precisam ser membros dos Acordos de Abraão", disse Trump aos repórteres, deixando claro que essa ligação é uma prioridade para sua administração.

Ele também mencionou que não discutiu os acordos com Wright antes que o membro do Gabinete assinasse o documento, mas enfatizou que essa condição sempre foi conhecida por todas as partes envolvidas: "Mas isso sempre ficou claro, e Chris sabia, e a Arábia Saudita sabia", afirmou Trump.

O presidente expressou confiança de que, eventualmente, todos os envolvidos chegarão a um acordo. "Em algum momento, eles vão aderir... e vão desenvolver seu programa nuclear civil, para reiterar, nuclear civil", disse Trump, mostrando otimismo em relação ao futuro das negociações.

Um acordo entre os EUA e a Arábia Saudita é visto como benéfico não apenas para as relações bilaterais, mas também para empresas como a Westinghouse, que é de propriedade conjunta das canadenses Cameco e Brookfield Asset Management. A participação da Westinghouse no desenvolvimento de reatores nucleares pode ter implicações para o setor energético, especialmente em um país como a Arábia Saudita, rico em petróleo e com necessidade crescente de diversificação energética.

Com as tensões no Oriente Médio e as complexas dinâmicas políticas, as declarações de Trump podem impactar a percepção pública e as expectativas em relação a um acordo nuclear. As condições impostas pelo presidente tornam as negociações mais desafiadoras, mas também refletem uma estratégia a longo prazo que visa não apenas a segurança nuclear, mas também a normalização das relações entre países na região.

Dessa forma, o futuro das relações entre os EUA e a Arábia Saudita, assim como a possibilidade de um acordo nuclear, permanece incerto, dependendo da adesão saudita aos Acordos de Abraão e das reações dos outros países envolvidos. É um cenário que requer atenção cuidadosa, tanto do governo americano quanto dos cidadãos, que podem ser impactados por essas decisões na esfera internacional.

Leia também

Publicidade