Financas Pessoais

Lula chega mais forte ao 2º semestre, mas interrogações persistem

Lula apresenta um cenário favorável para as eleições de 2026, com aumento nas chances de reeleição, mas desafios como a abstenção ainda pairam sobre a disputa. Análises recentes indicam uma mudança de cenário, mas a mobilização do eleitor será crucial.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 27 de julho de 2026
Lula chega mais forte ao 2º semestre, mas interrogações persistem

Lula chega mais forte ao 2º semestre, mas disputa tem interrogação, dizem analistas

Lula apresenta um cenário mais favorável para a disputa presidencial de 2026, com análises indicando um aumento nas suas chances de reeleição. Contudo, a mobilização dos eleitores e a abstenção permanecem como questões cruciais.

A avaliação é de especialistas que participaram do evento Expert XP, onde Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, afirmou que "dos quatro modelos que ajudam a explicar a eleição, três hoje são favoráveis ao Lula." Essa mudança no cenário eleitoral foi destacada por Nunes em conjunto com Antonio Lavareda, presidente do Ipespe, e Cila Schulman, CEO do Ideia Big Data.

Aumento nas Chances de Reeleição

De acordo com Felipe Nunes, indicadores que costumam prever resultados eleitorais passaram a favorecer o presidente desde maio. A probabilidade de reeleição de Lula subiu de cerca de 38% para quase 60%, impulsionada pela melhora na aprovação do governo federal. Essa mudança é atribuída a programas como o Desenrola, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais e a discussão sobre o fim da escala 6×1.

"O Desenrola foi muito importante (...), sobretudo para mudar um pouco essa perspectiva nos eleitores independentes", disse Nunes. Ele destacou que os eleitores independentes, que são considerados decisivos, estão migrando para Lula nas pesquisas recentes, embora temas como segurança pública e violência ainda favoreçam a oposição.

O Desafio da Abstenção

A análise de Nunes também ressaltou que o crescimento da abstenção se tornou um dos principais fatores para entender o resultado das eleições brasileiras. "O eleitor que é mais provável de votar no Lula é o eleitor que tende também a se abster", afirmou. O cientista político observou que o eleitorado chega à disputa presidencial com um sentimento de desânimo e desengajamento, após sucessivas alternâncias de poder sem melhorias significativas na vida cotidiana.

Propostas relacionadas ao endividamento das famílias e à redução da jornada de trabalho têm criado uma expectativa de esperança entre parte do eleitorado. "O Desenrola e a expectativa de trabalhar menos (...) eram uma certa esperança de um novo momento."

Cila Schulman corroborou a análise de Nunes, mencionando que a abstenção continua a ser um desafio para o presidente. Ela lembrou que esse fator foi determinante para impedir uma vitória de Lula no primeiro turno em 2022.

Cenário Eleitoral

Outro ponto levantado por Schulman foi a possibilidade de que a eleição seja decidida já no primeiro turno, um cenário que, segundo ela, ainda é pouco considerado pelo mercado financeiro. A CEO do Ideia argumentou que Lula chega à disputa sem concorrentes relevantes no campo da esquerda, diferentemente de eleições anteriores, quando dividiu votos com nomes como Ciro Gomes e Simone Tebet.

Além disso, Schulman destacou que parte dos eleitores que abandonaram Flávio Bolsonaro migraram para a indecisão, o que pode reduzir a dispersão de votos no primeiro turno. Contudo, ela ponderou que o presidente ainda enfrenta uma considerável resistência. "Tem mais brasileiros que não querem que o presidente Lula seja eleito nesse momento do que querem", afirmou.

Disputa Além da Presidência

Antonio Lavareda também compartilhou suas impressões sobre a eleição de 2026, considerando que a disputa vai além da sucessão presidencial. Para ele, o pleito poderá determinar se a direita voltará a ser conduzida por partidos tradicionais ou se permanecerá sob a liderança do bolsonarismo. "A principal questão dessa eleição (...) é que se abre nela a oportunidade de a direita brasileira (...) retomar as rédeas do seu destino político, que foram tomadas pelo bolsonarismo em 2018", disse.

Lavareda destacou que pela primeira vez existe uma estratégia organizada envolvendo lideranças de diferentes partidos de centro-direita, mas ressaltou que o sucesso dessa estratégia dependerá da campanha oficial. "Isso vai acontecer ou não, não sabemos. Mas, pela primeira vez, há uma estratégia organizada."

Ele acredita que os primeiros sinais sobre qual caminho a direita seguirá deverão surgir apenas após o início da propaganda eleitoral, quando será possível medir se aparecerá uma alternativa competitiva ao bolsonarismo ou se o campo conservador permanecerá concentrado em torno de Flávio Bolsonaro.

A análise dos especialistas destaca que, apesar do fortalecimento do presidente Lula em seu caminho para a reeleição, os desafios, especialmente a abstenção e a resistência de parte do eleitorado, ainda são questões críticas a serem enfrentadas na corrida eleitoral de 2026.

Leia também

Publicidade