Com fee fixo, "próximo passo é usar ETF para tudo"
Os ETFs estão em ascensão no Brasil, com a transição para o modelo de remuneração fee-based. Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil, aponta que o próximo passo é a utilização ampla de ETFs nos portfólios.
Com fee fixo, "próximo passo é usar ETF para tudo", diz CEO da BlackRock no Brasil
Os ETFs estão em franco crescimento no Brasil, mas ainda há espaço para expansão, especialmente com a transição estrutural da indústria para o modelo de remuneração baseado em taxa fixa, conhecido como fee-based. Bruno Barino, CEO da BlackRock no Brasil, observa que a próxima fase será integrar os fundos de índice em todos os portfólios.
"A transição para o fee-based no Brasil está sendo muito mais rápida do que muitos esperavam. O segundo passo será usar os ETFs como building blocks para tudo", afirmou Barino durante sua participação na Expert XP 2026, realizada em São Paulo no dia 24 de fevereiro.
No modelo fee-based, o assessor de investimentos busca maior eficiência de custos nos portfólios, e os ETFs se destacam devido às suas baixas taxas de administração e alta liquidez. Barino lembrou que nos Estados Unidos, mais de 70% dos planejadores de patrimônio utilizam carteiras modelo compostas por ETFs, o que permite que o alocador ganhe escala e concentre seu tempo na estruturação patrimonial e tributária de seus clientes, ao invés de se perder na seleção individual de ativos.
Fabiano Cintra, head de Seleção de Fundos na XP, também comentou sobre a evolução na formação de portfólios. Ele destacou que há uma movimentação estrutural que está mudando o modelo de alocação de um enfoque "produto a produto" para uma abordagem mais holística, separando o Beta (índices de mercado eficientes via ETFs) do Alfa (gestão ativa de valor). "É uma revolução irrefreável e é muito importante que a gente estejamos sintonizados em como o ETF tem se integrado no dia a dia da assessoria, dos investimentos, para que isso possa fazer parte também das nossas recomendações", disse Cintra.
Além disso, o presidente do Banco Central mencionou durante o evento que a economia brasileira e o mercado de trabalho continuam resilientes, embora as expectativas de inflação permaneçam como uma preocupação para o BC. Mônica Camino, Head de U.S. Offshore da Vanguard, trouxe à tona o histórico do mercado americano após a crise financeira de 2008. Ela ilustrou como a relação do investidor com os custos e o papel do assessor mudaram significativamente. "O papel do assessor começou a mudar de um vendedor/corretor de produtos para, de fato, um planejador financeiro, levando em consideração os objetivos e as necessidades do investidor final e como auxiliá-lo a atingir suas metas", explicou Camino.
Camino também destacou a atratividade dos ETFs irlandeses (UCITS) para os investidores latino-americanos, especialmente devido às classes de acumulação que reinvestem rendimentos com maior eficiência tributária, algo que não ocorre nos Estados Unidos por questões regulatórias.
Além das mudanças na distribuição, a consolidação da classe de ETFs no Brasil está sendo impulsionada pelo aumento da oferta, que se dá principalmente entre produtos de renda fixa. Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, afirmou que a gestora ampliou sua prateleira para mais de 22 fundos de índice. Ele ressaltou que mais de 60% da captação líquida da indústria de ETFs no Brasil no primeiro semestre veio da renda fixa, favorecida por eficiências fiscais operacionais em relação à compra direta de títulos públicos.
"Para que o ETF seja um produto de alocação e permita carteiras automatizadas, a grade de produtos precisa ser completa. O Brasil é um país onde a renda fixa tem um share muito relevante nos portfólios. Nosso trabalho é oferecer uma prateleira completa e, com a grade pronta, dar o segundo passo: criar carteiras modelo onde o cliente possa alocar em todas as classes de ativos", enfatizou Bousquet.
Apesar do recente crescimento, os ETFs ainda representam pouco mais de 1% do total da indústria de fundos no Brasil, enquanto nos Estados Unidos esse número chega a cerca de 30%. Para os especialistas, essa disparidade indica que o mercado brasileiro está apenas nos primeiros passos de um processo inevitável de convergência global. "Precisamos fazer a lição de casa, que passa por educação do cliente, capacitação do assessor, ampliação da grade de produtos e melhoria na experiência do usuário na plataforma", concluiu Bousquet.
Perguntas Frequentes
O que são ETFs?
Os ETFs, ou fundos de índice, são produtos de investimento que buscam replicar a performance de um índice de mercado, oferecendo diversificação e liquidez.
Por que o modelo fee-based é importante?
O modelo fee-based promove uma maior eficiência nos custos dos portfólios, permitindo que assessores se concentrem na estratégia de investimento, ao invés da seleção de ativos individuais.
Como os ETFs se comparam a fundos tradicionais?
Os ETFs geralmente têm taxas de administração mais baixas e oferecem maior liquidez em comparação aos fundos tradicionais, tornando-se uma opção atraente para investidores.
Qual é a perspectiva de crescimento dos ETFs no Brasil?
Embora os ETFs representem atualmente uma pequena fração da indústria de fundos no Brasil, especialistas acreditam que há um potencial significativo para crescimento nos próximos anos.