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"Pressão é privilégio": Lucas Braathen e sua identidade

Lucas Pinheiro Braathen, o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, compartilha sua jornada de autodescoberta e a importância da autenticidade na alta performance.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 27 de julho de 2026
"Pressão é privilégio": Lucas Braathen e sua identidade

"Pressão é privilégio": como Lucas Braathen transformou identidade em performance

Lucas Pinheiro Braathen, o primeiro medalhista brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, alcançada no slalom gigante, participou de um painel no 3º dia da Expert XP 2026. O atleta compartilhou como a descoberta de sua identidade foi uma jornada longa, influenciada por sua dupla nacionalidade como filho de um norueguês e uma brasileira.

Durante sua fala, Braathen refletiu sobre sua infância, marcada pela dificuldade de encontrar seu lugar entre duas culturas: "Eu sou uma pessoa que não estava muito confiante no início da minha vida. Eu vivia entre duas culturas e isso era muito difícil. Eu estava sempre mudando e nunca achei a minha casa. Até hoje, sinto que não tenho casa", afirmou.

Com o tempo, Lucas percebeu que o que parecia uma desvantagem era, na verdade, sua maior força. "Minha diferença é meu superpoder", destacou. Ele relembrou que, quando poucos acreditavam em seu sonho, seu pai foi a única pessoa que disse que ele poderia se tornar o melhor atleta do mundo em sua modalidade.

Essa conexão com sua intuição fez com que Lucas tomasse decisões alinhadas ao que considerava o melhor para si, ao invés de seguir tendências. Diferentemente do que muitos imaginam sobre atletas de elite, sua origem está mais próxima das artes, o que moldou sua visão sobre desempenho e expressão pessoal.

Para Braathen, o esporte sempre foi mais do que competição; é um espaço de expressão da individualidade: "Para virar o melhor do mundo você precisa de um propósito que vai além do troféu e da medalha. Se você consegue seguir o propósito todo o dia, você vai realizar a sua potência."

Ele acredita que a inspiração verdadeira vem da autenticidade, reforçando que ninguém pode inspirar os outros tentando ser alguém diferente. Nascido entre duas culturas, Lucas encontrou no Brasil a liberdade necessária para crescer e sonha em ser uma referência para novas gerações de atletas, assim como Ronaldinho Gaúcho foi para ele.

"Eu sou o único atleta no meu esporte vestindo as nossas cores, seja o Brasil ganhe ou perca, e essa é a lindeza e o privilégio da minha situação", diz. Após conquistar a medalha olímpica, Lucas frequentemente ouve a pergunta: "E agora?". Sua resposta é clara: a medalha representa apenas uma fase de sua carreira, parte de um sonho maior.

"Espero que essas conquistas abram portas, que isso possa se tornar uma fonte de inspiração pra nova geração que tudo realmente é possível", afirma. Para ele, suas conquistas são uma extensão de sua jornada, refletindo anos de trabalho e crescimento pessoal.

Ao discutir alta performance, Lucas enfatiza que o dia da competição é apenas uma extensão do trabalho diário. Ele acredita que, ao ver a performance como parte da jornada, a relação com a pressão muda. "A pressão é um privilégio. Se você consegue abraçar essa pressão como um privilégio, alcança energia de alta frequência", afirma.

Braathen também menciona que o trabalho de alto rendimento depende de uma estrutura sólida ao redor. Ele organizou sua equipe como uma empresa, onde cada integrante tem um papel essencial. Essa filosofia foi decisiva quando decidiu representar o Brasil, mesmo podendo competir pela Noruega.

"Eu sou o único atleta no meu esporte vestindo as cores brasileiras. Essa responsabilidade é um privilégio", conclui. Para Lucas, o sucesso é consequência de viver de acordo com quem realmente é, mantendo a conexão consigo mesmo e usando essa autenticidade para fazer a diferença.

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