Economia

Varejo enfrenta tri difícil, mas C&A se destaca, diz Morgan Stanley

ResumoC&A registrou crescimento de 4,1% em vendas comparáveis no segundo trimestre de 2026, destacando-se no varejo latino-americano, conforme análise do Morgan Stanley. O período foi desafiador para o setor, com Magazine Luiza enfrentando queda de 12% no GMV online. A performance positiva da C&A contrasta com a dificuldade geral do mercado.

O segundo trimestre de 2026 foi desafiador para o varejo latino-americano, segundo o Morgan Stanley. Enquanto a C&A cresceu 4,1% em vendas comparáveis, o Magazine Luiza viu o GMV online cair 12%.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 31 de agosto de 2026
Varejo enfrenta tri difícil, mas C&A se destaca, diz Morgan Stanley

O segundo trimestre de 2026 foi marcado por um ambiente desafiador para as empresas de varejo e comércio eletrônico da América Latina, segundo relatório do Morgan Stanley. A combinação de consumo mais fraco, juros elevados e pressão sobre margens levou diversas companhias a revisar para baixo suas projeções para o restante do ano, enquanto apenas alguns nomes mantiveram ritmo consistente de crescimento.

No Brasil, o Mercado Livre ampliou sua liderança, mas os concorrentes locais enfrentaram dificuldades. O Magazine Luiza registrou queda de 12% no GMV online em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a Casas Bahia desacelerou seu crescimento para 6%, ante 14% no primeiro trimestre. O banco ressaltou que o ambiente competitivo permanece racional no comércio eletrônico brasileiro, mesmo com a forte expansão da Shopee: tanto Mercado Livre quanto a plataforma controlada pela Sea Limited seguem ganhando participação, enquanto operadores menores perdem espaço.

No varejo físico, a Copa do Mundo Feminina teve impacto relevante sobre o fluxo de consumidores. Lojas Renner e C&A registraram crescimento positivo de vendas em mesmas lojas, mas relataram redução no tráfego em shopping centers durante o torneio. A C&A chamou atenção ao apresentar crescimento de 4,1% nas vendas comparáveis de vestuário em um trimestre considerado particularmente difícil. O Morgan Stanley afirmou que a companhia continua sendo sua principal recomendação de sobrepeso no varejo brasileiro, com ações negociando a múltiplos bastante descontados em relação ao potencial de geração de lucros.

Por outro lado, o Magazine Luiza foi um dos poucos beneficiados pela demanda por eletrônicos e bens duráveis: as vendas comparáveis nas lojas físicas cresceram 10%, acelerando ante os 6% do primeiro trimestre. No segmento de supermercados e atacarejo, a visão foi mais cautelosa. O Assaí mostrou alguma melhora operacional, mas ainda enfrenta consumo pressionado. No México, a Tiendas 3B ampliou fortemente seu crescimento enquanto a Walmex perdeu ritmo.

O início do terceiro trimestre trouxe sinais mistos. Dados de aplicativos indicam que o Mercado Livre continua atraindo usuários em ritmo acelerado, enquanto executivos brasileiros afirmam que o fluxo em lojas voltou à normalidade após a Copa. Ainda assim, a cautela dos consumidores permanece elevada. Outro tema que concentra atenção é a recuperação judicial da Casas Bahia: o Morgan Stanley avalia que o fechamento de aproximadamente 30% das lojas poderá redistribuir vendas para concorrentes como Mercado Livre e Magazine Luiza. Diante disso, o banco mantém preferência por empresas com crescimento estrutural, destacando Mercado Livre na América Latina e a C&A entre os favoritos no varejo brasileiro.

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