Tia Sônia quer conquistar o Tio Sam: planos de expansão
Nascida no interior da Bahia há 30 anos, a granola Tia Sônia se tornou a mais vendida do Nordeste e a número dois do Brasil. Agora, a empresa exporta o primeiro lote para os Estados Unidos e prepara nova fábrica em Vitória da Conquista.
A granola Tia Sônia, fundada há 30 anos no interior da Bahia, deu seu primeiro passo no mercado americano. A empresa exportou um pequeno lote para os Estados Unidos neste ano, segundo Marcos Fenício, CEO e fundador da Tia Sônia Alimentos, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, apresentado por Mariana Amaro. O movimento é discreto: a operação americana ainda engatinha pelas prateleiras das lojas de produtos brasileiros, o que Fenício chama de "mercado da saudade".
A Tia Sônia é a granola mais vendida da Região Nordeste e a número dois do Brasil. A empresa produz cerca de 300 toneladas por mês e opera com 80 produtos, entre 17 tipos de granola, linha de mercearia sob a marca Minha Tia e a linha de suplementos Ultra B, com proteínas, whey e creatina. Para 2026, Fenício espera faturar R$ 125 milhões, crescimento de 15% sobre o ano anterior.
A expansão para São Paulo, iniciada oficialmente no ano passado, ganhou endereço fixo na Rua Monte Aprazível, 309, Vila Nova Conceição, a oito minutos a pé do Parque Ibirapuera. O imóvel de dois andares reúne escritório, área de palestras, espaço para eventos e uma loja na entrada. "A casa fala sobre a Tia Sônia, fala sobre minha mãe, meu pai, nossa história, a Bahia", diz Fenício. O espaço é cedido gratuitamente para grupos e eventos externos.
A operação paulistana foi além da casa-conceito: a empresa montou equipe comercial própria, depósito local e entrega em 24 horas. Também usa carrinhos para abastecer mercearias de bairro. "São Paulo hoje é 30% do negócio, e a gente não vendia aqui", afirma o fundador. Antes da estrutura local, 60% do e-commerce já vinha da cidade.
A opção por distribuição própria veio da margem apertada: distribuidores pediam 30% de desconto, inviável para a empresa. Hoje, a Tia Sônia atende de 25 mil a 30 mil pontos de venda no Nordeste e em Minas Gerais. A capilaridade virou ativo: a empresa adquiriu participação em duas marcas pequenas, a BigCroc, de banana chips, e a Sinta+, de pipoca gourmet, e passou a distribuí-las. Em oito meses, uma delas cresceu 300%, segundo Fenício.
O próximo passo é uma nova fábrica em Vitória da Conquista, na Bahia, com oito mil metros quadrados e capacidade cinco vezes maior que a atual. O governo estadual cedeu um terreno de 16 mil metros, e a empresa busca financiamento para iniciar as obras em 2027. Sobre a ambição internacional, Fenício é direto: "A ambição é ser a primeira granola nacional. Mas, se aparecer alguém que fale 'eu tenho um mercado lá fora', pode ser".