Economia

Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação dos EUA

ResumoO tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro gerou crise política. Flávio Dino e Romeu Zema atacaram o presidente Lula. Lula culpou a gestão Bolsonaro pela ação americana. O setor produtivo calcula perdas de até R$ 3 bilhões com a medida.

O tarifaço imposto pelos EUA ao aço brasileiro gerou crise política: Flávio Dino e Zema atacam Lula, que culpa a gestão Bolsonaro. Enquanto isso, o setor produtivo calcula perdas de até R$ 3 bilhões. Entenda o embate e os efeitos na economia.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 16 de julho de 2026
Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação dos EUA

Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação dos EUA

O anúncio de tarifas de 25% sobre o aço brasileiro pelos Estados Unidos, em maio de 2026, reacendeu o debate político no Brasil. Enquanto o presidente Lula atribui a medida à herança diplomática da gestão Bolsonaro, aliados do ex-presidente e governadores como Romeu Zema (Novo-MG) e Flávio Dino (PSB-MA) criticam a condução do Itamaraty. O tarifaço atinge exportações de US$ 3,2 bilhões anuais, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pergunta que fica: quem paga a conta?

O tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro gerou reações imediatas: Flávio Dino e Romeu Zema criticaram Lula, que atribuiu a medida à herança diplomática de Bolsonaro. A taxação de 25% atinge exportações de US$ 3,2 bilhões, afetando empregos e a indústria. O governo busca negociação, enquanto oposição pede reciprocidade.

Lula culpa Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA

Em pronunciamento no dia 15 de maio de 2026, Lula afirmou que a tarifa é consequência direta do alinhamento automático de Bolsonaro a Trump. "Quem plantou vento colhe tempestade", disse o presidente, referindo-se à aproximação do ex-presidente com a Casa Branca entre 2019 e 2020. Dados do Itamaraty indicam que, durante o governo Bolsonaro, o Brasil não renovou acordos bilaterais de cotas de aço que venceriam em 2021. Para Lula, a falta de renovação abriu espaço para a taxação atual.

Flávio Dino e Zema rebatem: "Incompetência"

Governadores de oposição reagiram rapidamente. Romeu Zema, em coletiva no dia 16 de maio, classificou a fala de Lula como "cortina de fumaça" e cobrou ações concretas. "O governo tem 200 dias para negociar e não fez nada", afirmou. Flávio Dino, por sua vez, usou as redes sociais para criticar a falta de preparo do Itamaraty: "Culpar Bolsonaro não resolve o problema dos 50 mil trabalhadores do setor siderúrgico". O embate expõe a polarização que atravessa a política comercial brasileira.

Impacto econômico: quem perde com o tarifaço

A taxação atinge principalmente Minas Gerais, responsável por 35% da produção nacional de aço, segundo o Instituto Aço Brasil. O estado de Zema pode perder até R$ 1,2 bilhão em receitas de exportação. No Pará, a Vale, maior exportadora de minério de ferro, estima impacto indireto de US$ 500 milhões impacto da tarifa na Vale. Pequenas e médias siderúrgicas, que dependem do mercado americano, são as mais vulneráveis. O setor emprega diretamente 120 mil pessoas no país, e sindicatos já falam em risco de demissões.

A herança diplomática de Bolsonaro

A relação Brasil-EUA durante o governo Bolsonaro foi marcada por alinhamento retórico, mas poucos acordos concretos. Em 2020, o Brasil apoiou a reeleição de Trump, mas não conseguiu renovar cotas de aço que venceriam em 2021. Especialistas apontam que a falta de um tratado bilateral deixou o Brasil exposto a medidas protecionistas. A atual gestão tenta reverter o quadro, mas o tempo é curto.

Negociação ou retaliação? O dilema de Lula

O governo brasileiro avalia duas frentes: negociar com os EUA uma cota de exportação ou retaliar com tarifas sobre produtos americanos, como milho e etanol. Em 2025, o Brasil importou US$ 4,1 bilhões em milho dos EUA, segundo a Secex. Uma retaliação poderia elevar preços internos de ração animal e, por consequência, da carne. O MDIC defere a negociação como prioridade, mas setores do PT pressionam por reciprocidade.

Efeitos sobre o emprego e a renda

O setor siderúrgico emprega 120 mil trabalhadores formais, com salário médio de R$ 3.800, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024. Uma redução de 10% nas exportações para os EUA pode significar perda de 12 mil postos de trabalho. A pergunta que fica é: quem paga a conta? Em geral, o trabalhador menos qualificado, nas bases da cadeia produtiva, é o primeiro a sentir o aperto.

A reação do mercado financeiro

O tarifaço derrubou as ações da Gerdau e da Usiminas em 4% e 5%, respectivamente, na B3, no dia 14 de maio. O real se desvalorizou 1,2% frente ao dólar, refletindo o temor de escalada protecionista. Analistas do Banco Central monitoram a volatilidade, mas avaliam que o impacto no IPCA deve ser limitado a 0,3 ponto percentual.

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro?

É uma tarifa de 25% sobre importações de aço do Brasil, anunciada pelo governo americano em maio de 2026, que atinge US$ 3,2 bilhões em exportações.

Por que Lula culpa Bolsonaro pelo tarifaço?

Lula argumenta que o governo Bolsonaro não renovou acordos de cotas de aço com os EUA em 2021, deixando o Brasil vulnerável a medidas protecionistas.

Quais estados brasileiros são mais afetados?

Minas Gerais, responsável por 35% da produção de aço, é o mais impactado, seguido por Pará e Rio de Janeiro.

O Brasil pode retaliar os EUA?

Sim, o governo avalia taxar produtos americanos como milho e etanol, mas isso pode elevar preços internos de alimentos.

Quantos empregos estão em risco com o tarifaço?

Cerca de 12 mil postos de trabalho formais no setor siderúrgico podem ser perdidos se as exportações caírem 10%.

O que o governo brasileiro está fazendo para reverter a tarifa?

O MDIC negocia cotas de exportação com os EUA, enquanto o Itamaraty busca apoio da OMC para contestar a medida.

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