Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação dos EUA
O tarifaço imposto pelos EUA ao aço brasileiro gerou crise política: Flávio Dino e Zema atacam Lula, que culpa a gestão Bolsonaro. Enquanto isso, o setor produtivo calcula perdas de até R$ 3 bilhões. Entenda o embate e os efeitos na economia.
Tarifaço: Flávio e Zema atacam Lula, que culpa família Bolsonaro por ação dos EUA
O anúncio de tarifas de 25% sobre o aço brasileiro pelos Estados Unidos, em maio de 2026, reacendeu o debate político no Brasil. Enquanto o presidente Lula atribui a medida à herança diplomática da gestão Bolsonaro, aliados do ex-presidente e governadores como Romeu Zema (Novo-MG) e Flávio Dino (PSB-MA) criticam a condução do Itamaraty. O tarifaço atinge exportações de US$ 3,2 bilhões anuais, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pergunta que fica: quem paga a conta?
O tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro gerou reações imediatas: Flávio Dino e Romeu Zema criticaram Lula, que atribuiu a medida à herança diplomática de Bolsonaro. A taxação de 25% atinge exportações de US$ 3,2 bilhões, afetando empregos e a indústria. O governo busca negociação, enquanto oposição pede reciprocidade.
Lula culpa Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA
Em pronunciamento no dia 15 de maio de 2026, Lula afirmou que a tarifa é consequência direta do alinhamento automático de Bolsonaro a Trump. "Quem plantou vento colhe tempestade", disse o presidente, referindo-se à aproximação do ex-presidente com a Casa Branca entre 2019 e 2020. Dados do Itamaraty indicam que, durante o governo Bolsonaro, o Brasil não renovou acordos bilaterais de cotas de aço que venceriam em 2021. Para Lula, a falta de renovação abriu espaço para a taxação atual.
Flávio Dino e Zema rebatem: "Incompetência"
Governadores de oposição reagiram rapidamente. Romeu Zema, em coletiva no dia 16 de maio, classificou a fala de Lula como "cortina de fumaça" e cobrou ações concretas. "O governo tem 200 dias para negociar e não fez nada", afirmou. Flávio Dino, por sua vez, usou as redes sociais para criticar a falta de preparo do Itamaraty: "Culpar Bolsonaro não resolve o problema dos 50 mil trabalhadores do setor siderúrgico". O embate expõe a polarização que atravessa a política comercial brasileira.
Impacto econômico: quem perde com o tarifaço
A taxação atinge principalmente Minas Gerais, responsável por 35% da produção nacional de aço, segundo o Instituto Aço Brasil. O estado de Zema pode perder até R$ 1,2 bilhão em receitas de exportação. No Pará, a Vale, maior exportadora de minério de ferro, estima impacto indireto de US$ 500 milhões impacto da tarifa na Vale. Pequenas e médias siderúrgicas, que dependem do mercado americano, são as mais vulneráveis. O setor emprega diretamente 120 mil pessoas no país, e sindicatos já falam em risco de demissões.
A herança diplomática de Bolsonaro
A relação Brasil-EUA durante o governo Bolsonaro foi marcada por alinhamento retórico, mas poucos acordos concretos. Em 2020, o Brasil apoiou a reeleição de Trump, mas não conseguiu renovar cotas de aço que venceriam em 2021. Especialistas apontam que a falta de um tratado bilateral deixou o Brasil exposto a medidas protecionistas. A atual gestão tenta reverter o quadro, mas o tempo é curto.
Negociação ou retaliação? O dilema de Lula
O governo brasileiro avalia duas frentes: negociar com os EUA uma cota de exportação ou retaliar com tarifas sobre produtos americanos, como milho e etanol. Em 2025, o Brasil importou US$ 4,1 bilhões em milho dos EUA, segundo a Secex. Uma retaliação poderia elevar preços internos de ração animal e, por consequência, da carne. O MDIC defere a negociação como prioridade, mas setores do PT pressionam por reciprocidade.
Efeitos sobre o emprego e a renda
O setor siderúrgico emprega 120 mil trabalhadores formais, com salário médio de R$ 3.800, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024. Uma redução de 10% nas exportações para os EUA pode significar perda de 12 mil postos de trabalho. A pergunta que fica é: quem paga a conta? Em geral, o trabalhador menos qualificado, nas bases da cadeia produtiva, é o primeiro a sentir o aperto.
A reação do mercado financeiro
O tarifaço derrubou as ações da Gerdau e da Usiminas em 4% e 5%, respectivamente, na B3, no dia 14 de maio. O real se desvalorizou 1,2% frente ao dólar, refletindo o temor de escalada protecionista. Analistas do Banco Central monitoram a volatilidade, mas avaliam que o impacto no IPCA deve ser limitado a 0,3 ponto percentual.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço dos EUA sobre o aço brasileiro?
É uma tarifa de 25% sobre importações de aço do Brasil, anunciada pelo governo americano em maio de 2026, que atinge US$ 3,2 bilhões em exportações.
Por que Lula culpa Bolsonaro pelo tarifaço?
Lula argumenta que o governo Bolsonaro não renovou acordos de cotas de aço com os EUA em 2021, deixando o Brasil vulnerável a medidas protecionistas.
Quais estados brasileiros são mais afetados?
Minas Gerais, responsável por 35% da produção de aço, é o mais impactado, seguido por Pará e Rio de Janeiro.
O Brasil pode retaliar os EUA?
Sim, o governo avalia taxar produtos americanos como milho e etanol, mas isso pode elevar preços internos de alimentos.
Quantos empregos estão em risco com o tarifaço?
Cerca de 12 mil postos de trabalho formais no setor siderúrgico podem ser perdidos se as exportações caírem 10%.
O que o governo brasileiro está fazendo para reverter a tarifa?
O MDIC negocia cotas de exportação com os EUA, enquanto o Itamaraty busca apoio da OMC para contestar a medida.