Economia

Resistência partidária deixa Flávio e Zema sem vice nas convenções

ResumoA aliança partidária nacional enfrenta resistência de PP, Republicanos e Podemos, deixando Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) sem vice definido a três dias do prazo final das convenções. A indefinição altera a estratégia das chapas, afetando o tempo de propaganda e o apelo ao eleitorado feminino. A falta de acordo compromete a composição formal das candidaturas.

A três dias do prazo final das convenções, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) ainda não definiram seus vices. A resistência de partidos como PP, Republicanos e Podemos em fechar alianças nacionais muda a estratégia das chapas e pode impactar o eleitorado feminino e o tempo

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 03 de agosto de 2026
Resistência partidária deixa Flávio e Zema sem vice nas convenções

Resistência dos partidos deixa Flávio e Zema sem vice na reta final das convenções

A três dias do fim do prazo para as convenções partidárias, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) seguem sem definir quem ocupará a vice em suas chapas, enquanto os demais candidatos já encerraram essa etapa da montagem eleitoral. As convenções precisam ser concluídas até 5 de agosto, e os registros das candidaturas deverão ser apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto. Depois disso, começa oficialmente a campanha nas ruas e na internet.

Por que a escolha do vice importa tanto?

Embora a escolha do vice costume receber menos atenção do que a cabeça de chapa, ela cumpre funções estratégicas. Além de ampliar o diálogo com segmentos específicos do eleitorado, uma composição pode fortalecer alianças partidárias, aumentar o tempo de propaganda eleitoral e ampliar a estrutura política da campanha nos estados. Ou seja, a definição do vice não é só um detalhe burocrático, é uma peça-chave na engrenagem da disputa.

O impasse de Flávio Bolsonaro: a busca por uma vice mulher

Entre os candidatos que ainda negociam a vice, Flávio Bolsonaro é quem busca uma composição mais ampla. A prioridade do PL passou a ser uma mulher, em uma tentativa de reduzir a desvantagem do candidato junto ao eleitorado feminino. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou que, em um eventual segundo turno, Lula registra 50% das intenções de voto entre as mulheres, contra 40% de Flávio.

A principal tentativa envolveu a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A ex-ministra da Agricultura aceitou o convite para integrar a chapa, mas a direção nacional do Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial, inviabilizando a composição.

Outros nomes continuam sendo discutidos nos bastidores, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, filiada ao Republicanos, e a deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP). As duas alternativas enfrentam um obstáculo semelhante: Republicanos e Podemos também caminham para uma posição de neutralidade na eleição nacional, preservando acordos firmados nos estados. Sem conseguir atrair uma legenda para a coligação, cresce dentro do PL a possibilidade de uma chapa formada apenas por integrantes do partido.

Zema e o Novo: negociações que não avançaram

O Novo vive situação semelhante. O partido buscou conversas com nomes de fora da legenda para ampliar seu alcance político, mas as negociações não avançaram. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa chegou a ser elogiado por Zema, mas nunca houve acordo. Também foi cogitada uma composição com o empresário Geraldo Rufino, ligado ao Podemos, que acabou optando por disputar uma vaga no Senado por São Paulo. Sem alternativas viáveis, dirigentes do Novo já trabalham com a possibilidade de lançar uma chapa "puro-sangue", repetindo a estratégia adotada por outras siglas menores.

Quem já fechou a chapa: Lula, Alckmin e a manutenção da parceria

Entre os candidatos que já encerraram as negociações, Lula foi o único que optou por repetir integralmente a chapa da eleição passada. O presidente terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice. A parceria, construída em 2022 para ampliar o diálogo com setores de centro e do empresariado, foi mantida após quase quatro anos de governo. Além da vice-presidência, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e participou das negociações conduzidas pelo governo brasileiro durante a crise comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Caiado e Kassab: uma alternativa à polarização

Ronaldo Caiado (PSD) também encerrou cedo a definição da chapa. O governador de Goiás escolheu o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como vice, em uma decisão que fortalece o envolvimento da legenda na campanha presidencial e reforça o discurso de uma alternativa à polarização entre PT e PL. A avaliação do partido é que a composição facilita a construção de palanques estaduais e pode atrair candidatos ao Congresso interessados em manter distância da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Renan Santos e a aposta antissistema

Renan Santos, do Missão, precisará encarar uma disputa sem alianças. O candidato terá como vice Aroldo Medina, militar da reserva que acumula passagens por diferentes partidos e disputas eleitorais no Rio Grande do Sul. A composição acompanha a estratégia da legenda de se apresentar como uma alternativa antissistema, sem coligações com outras siglas.

O que isso significa para o eleitor?

A indefinição na reta final pode impactar diretamente o eleitor. Sem uma vice mulher na chapa de Flávio Bolsonaro, por exemplo, a estratégia para reduzir a desvantagem feminina fica comprometida. Já a ausência de alianças no Novo pode limitar o tempo de propaganda e a estrutura de campanha, fatores que influenciam a visibilidade das propostas. Ou seja, a resistência dos partidos não é apenas um problema interno, ela molda a oferta de candidaturas que chega ao eleitorado em outubro.

Perguntas Frequentes

Quando terminam as convenções partidárias?

As convenções precisam ser concluídas até 5 de agosto, e os registros das candidaturas devem ser apresentados ao TSE até 15 de agosto.

Por que Flávio Bolsonaro quer uma vice mulher?

Para reduzir a desvantagem junto ao eleitorado feminino. Pesquisa Datafolha mostrou que Lula tem 50% das intenções de voto entre mulheres, contra 40% de Flávio.

Quem era o principal nome cotado para vice de Flávio?

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, que aceitou o convite, mas a direção nacional do Progressistas decidiu manter neutralidade.

O que é uma chapa "puro-sangue"?

É uma chapa formada apenas por integrantes do próprio partido, sem coligações com outras siglas. É a alternativa que PL e Novo consideram caso as negociações não avancem.

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