Petróleo tem queda com Arábia Saudita restaurando oleoduto
Petróleo opera em baixa com a Arábia Saudita restabelecendo parte do oleoduto Leste-Oeste, fechado após ataques com drones. Brent cai a US$ 103 e WTI fica abaixo de US$ 101, mas riscos no Oriente Médio seguem no radar.
O preço do petróleo segue em baixa com sinais de que as interrupções de fornecimento no Oriente Médio devem diminuir. A Arábia Saudita busca restabelecer cerca de metade da capacidade do seu principal oleoduto leste-oeste em poucos dias, depois de fechá-lo na semana passada por ataques com drones. O Brent era negociado perto de US$ 103 o barril, após queda de 2,7% na quarta-feira, enquanto o WTI ficava abaixo de US$ 101.
O oleoduto Leste-Oeste transporta petróleo através da Arábia Saudita até a costa do Mar Vermelho e virou alternativa importante para cargas que passam pelo Estreito de Ormuz, disputado por Washington e Teerã. Em paralelo, o reino vendeu mais petróleo para refinarias asiáticas, que farão a coleta em locais próximos a Ormuz.
O movimento desta quinta reflete também realização de lucros após duas semanas de ganhos. Às 7h05 (horário de Brasília), o Brent para entrega em novembro caía 2,5%, a US$ 103,14 o barril, e o WTI para outubro recuava 2%, a US$ 100,42.
O que isso muda no caixa da PME
Para quem administra frota, distribuidora ou indústria que consome diesel, a queda do barril não chega na mesma velocidade ao preço do litro. O repasse depende de câmbio, frete e estoque já contratado. Quem comprou volume travado antes da alta sente o custo médio subir por semanas mesmo com o barril recuando.
O diesel nos EUA atingiu recorde histórico, segundo a fonte, após Moscou proibir a maior parte das exportações do combustível para priorizar o abastecimento interno, com autoridades avaliando estender a restrição até outubro. É o tipo de sinal que pressiona custo logístico no Brasil via importação.
Ainda assim, os riscos permanecem. A guerra entre EUA e Irã reduz o fluxo de petróleo do Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia se arrasta. Operadores monitoram a intensificação dos ataques de militantes houthis contra instalações petrolíferas e de transporte marítimo sauditas, que avançam em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Mar Vermelho.
As estimativas sobre o volume que passa por Ormuz variam. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à Fox Business que 18 milhões de barris de petróleo bruto e derivados passaram pelo Estreito em um único dia no início desta semana, com média de 11 milhões de barris por dia nos últimos sete dias. A Clarksons Research estimou cerca de 8 milhões de barris diários.
"A reabertura parcial do oleoduto Leste-Oeste e o fluxo de petróleo saudita pelo Estreito de Ormuz por meio de transferências de navio para navio são fatores negativos para o petróleo bruto no curto prazo, mas o mercado tem pouca margem para relaxar enquanto o conflito com os Houthis continuar", disse Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da Global Risk Management em Copenhague.
No cenário político, o presidente Donald Trump deve se reunir com líderes do Golfo Pérsico na próxima terça-feira, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, para discutir os próximos passos do conflito, informou o Axios citando fontes com conhecimento do plano. Trump disse em evento de campanha na Carolina do Norte que a guerra terminará "muito em breve".
O Congresso americano aprovou em definitivo um projeto que concede a Trump novos poderes para impor tarifas a países que compram produtos petrolíferos russos, incluindo potencialmente China e Índia. A legislação segue para sanção presidencial. Kiev tem atacado refinarias russas com drones há meses.