Reforma Tributária: fim da guerra fiscal muda mapa empresarial
A Reforma Tributária pode alterar o mapa empresarial brasileiro. Com incentivos de ICMS em queda, 57% das empresas beneficiárias consideram rever localização ou supply chain, aponta Deloitte.
A Reforma Tributária vai além da substituição de tributos e pode redesenhar o mapa empresarial brasileiro. Durante décadas, benefícios de ICMS guiaram decisões sobre onde instalar fábricas e centros de distribuição. Com a redução dos incentivos na transição para o IBS, parte dessa lógica perde força, e uma localização escolhida por vantagem tributária terá de ser reavaliada por fatores como distância do mercado consumidor, custo de transporte, fornecedores e infraestrutura logística.
Nesse contexto, ganha relevância o dado da pesquisa Tax do Amanhã, apresentada pela Deloitte nesta terça-feira (01): 57% das empresas beneficiárias de incentivos consideram rever localização ou supply chain. Uma reforma desse porte pode, portanto, mudar rotas de caminhões, estoques e decisões de investimento.
Outro componente com efeito forte no fluxo financeiro é o split payment. Nesse modelo, a instituição financeira separa, no momento do pagamento, a parcela do tributo e a direciona ao Fisco; o fornecedor recebe só o valor líquido. Hoje, em certos casos, o fornecedor recebe o valor integral e recolhe o tributo depois. Com o split, parte do dinheiro deixa de transitar pelo caixa da companhia, mas o comprador ganha segurança sobre recolhimento e créditos. A implantação será gradual, como ressaltaram os representantes da Deloitte.
A mudança atinge várias áreas: tesouraria revê fluxo de caixa, tecnologia integra pagamentos e documentos fiscais, compras avalia regularidade tributária dos fornecedores, vendas entende a nova dinâmica de recebimento. A pesquisa mostra ainda que 89% das empresas já estudaram os efeitos da reforma. O desafio, agora, é estar operacionalmente pronto até 2027.
Conhecer a legislação não basta: uma empresa pode errar o preço, não ter sistema para emitir documentos, ter créditos sem caixa para usá-los ou manter fornecedores que perderam competitividade. A principal mudança, segundo Luiz Rezende, sócio líder de Consultoria Tributária da Deloitte, é que decisões antes separadas por área agora precisam ser conjuntas. "A agenda tributária tornou-se um vetor de transformação das empresas, exigindo não apenas compliance, mas capacidade de reconfigurar estruturas para operar no novo ambiente."