Economia

Ajuste fiscal crível será fundamental, diz Fitch

ResumoA Fitch Ratings afirma que um ajuste fiscal crível será fundamental para o Brasil, cuja dívida pública atingiu 80% do PIB. A agência de classificação de risco alerta para cenários de alta na trajetória da dívida, condicionando a estabilidade econômica à implementação de medidas fiscais consistentes. A avaliação considera o impacto das políticas públicas na sustentabilidade das contas nacionais.

A Fitch Ratings alerta que o ajuste fiscal será fundamental para o Brasil, com dívida em 80% do PIB e risco de alta. Entenda os cenários.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 02 de setembro de 2026
Ajuste fiscal crível será fundamental, diz Fitch

A Fitch Ratings avalia que um ajuste fiscal crível será fundamental para o Brasil, especialmente após a eleição presidencial. A avaliação é de Shelly Shetty, responsável pelos ratings soberanos da América Latina e da Europa emergente na agência, que participou de evento em São Paulo na terça-feira (1).

Segundo Shetty, o Brasil continua sendo uma economia grande e diversificada, com balanço externo forte e Banco Central atuante, mas as fraquezas se concentram no setor público, no déficit e na dívida alta e crescente. A dívida pública está em 80% do PIB, a segunda maior entre países em desenvolvimento, bem acima da média de 32% do grupo.

A economista destaca que o país tem o maior déficit fiscal da América Latina, mas com composição diferente: aqui, o peso dos juros explica o rombo, enquanto em outros países o déficit vem do resultado primário. "O que temos visto no Brasil é arrecadar mais e gastar mais", afirma.

No cenário base da Fitch, a dívida deve continuar crescendo. Caso não haja ajuste fiscal, ela pode atingir 95% ou 100% do PIB nos próximos anos. Já com ajuste, superávits primários e redução dos custos de juros, a dívida se estabilizaria entre 85% e 90% do PIB, para depois cair. "Mas isso dependerá do cenário que encontrarmos após a eleição", diz Shetty.

A economista coloca em dúvida as projeções do Tesouro, que indicam superávit primário com cortes de despesas. "A questão então é quão visível e factível é esse caminho", afirma, citando a incerteza ampliada pelo ciclo eleitoral. Ela lembra que o limite de despesas do arcabouço fiscal não tem sido eficiente em conter os gastos, com exceções às regras que reduzem a visibilidade do orçamento.

Sobre a eleição, Shetty vê disputa acirrada e afirma que a Fitch analisará como o futuro presidente lidará com o ajuste fiscal, que facilitaria o trabalho do Banco Central. "Um ajuste fiscal crível será um ponto fundamental caso o presidente Lula seja reeleito", diz, lembrando que a questão será semelhante no caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

A economista cita o exemplo da Colômbia, onde os juros dos títulos de dez anos caíram após as eleições com a mudança de percepção do mercado sobre o ajuste fiscal. "Portanto, é possível haver um ciclo virtuoso se houver um ajuste fiscal crível e o mercado acreditar nesse ajuste", conclui.

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