Poliomielite: novo esquema vacinal contra a doença tem 5 doses
A partir de 3 de agosto, o Ministério da Saúde inclui uma segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos. O esquema vacinal passa a ter cinco doses, todas com a vacina inativada (VIP). Entenda o calendário e a importância da imunização.
Se você tem filho pequeno ou está acompanhando o calendário de vacinação, já deve ter ouvido falar: o esquema vacinal contra a poliomielite mudou. Quem está organizando as cadernetas sabe que cada dose conta, e a novidade pode gerar dúvidas. Vamos direto ao ponto.
A partir de 3 de agosto, o Ministério da Saúde passa a oferecer uma segunda dose de reforço da vacina contra a poliomielite para crianças de 4 anos. Com isso, o esquema vacinal contra a doença passa a contar com cinco doses, todas realizadas com a vacina inativada contra a poliomielite (VIP), disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Como fica o novo calendário vacinal?
O esquema vacinal para crianças menores de 5 anos prevê três doses da VIP, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade. Depois, vêm dois reforços: o primeiro aos 15 meses e o segundo aos 4 anos. Ou seja, são cinco doses ao todo.
Crianças com o esquema vacinal incompleto também devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Nesses casos, os profissionais avaliarão a caderneta de vacinação e orientarão sobre as doses pendentes. A imunização pode ser realizada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Por que incluir mais uma dose?
Segundo a pasta, a inclusão do novo reforço busca ampliar a proteção das crianças e ajudar a manter o Brasil livre da circulação do poliovírus. O País não registra casos da doença desde 1989 e, desde 1994, é certificado como área livre da circulação do vírus, ao lado dos demais países das Américas.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, explica que a nova dose funciona como um reforço da memória imunológica. "Os anticorpos vão reduzindo com o tempo. A dose de reforço desperta essa memória imune e eleva os níveis de anticorpos. Quanto maior essa quantidade, maior tende a ser a duração da proteção."
A vacina inativada (VIP) substituiu a gotinha
Desde novembro de 2024, o calendário nacional utiliza exclusivamente a vacina inativada contra a poliomielite (VIP), aplicada por injeção. A antiga vacina oral, conhecida como "gotinha", foi substituída após novas evidências científicas que embasaram a mudança no esquema vacinal.
De acordo com Flávia, a vacina oral continha um vírus vivo atenuado, ou seja, enfraquecido. Embora fosse segura e utilizada por muitos anos, ela apresentava um risco extremamente raro de sofrer mutações e voltar a causar a doença. A VIP, por sua vez, utiliza vírus inativado e, por isso, não tem capacidade de causar a doença nem de sofrer mutações que a tornem infectante.
A importância da vacinação coletiva
Embora a poliomielite tenha sido eliminada no Brasil há quase quatro décadas, o vírus ainda circula em algumas partes do mundo. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países onde a doença permanece endêmica.
"Enquanto tivermos vírus circulantes, manter níveis altos de anticorpos é fundamental. Dessa forma, a população fica protegida", explica Flávia.
A especialista ressalta que a vacinação também tem um papel coletivo. "É uma questão de proteção pessoal e de proteção coletiva. Mantendo altas coberturas vacinais, impedimos que, caso um vírus chegue de outros países, ele consiga se disseminar no Brasil."
Perguntas Frequentes
A partir de quando o novo reforço estará disponível?
A partir de 3 de agosto, o Ministério da Saúde oferece a segunda dose de reforço para crianças de 4 anos nas Unidades Básicas de Saúde.
Quantas doses a criança precisa tomar?
O esquema vacinal completo contra a poliomielite passa a ter cinco doses: três doses (aos 2, 4 e 6 meses) e dois reforços (aos 15 meses e aos 4 anos).
O que fazer se meu filho está com o esquema atrasado?
Procure uma UBS. Os profissionais avaliarão a caderneta de vacinação e orientarão sobre as doses pendentes. A imunização pode ser feita até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
A vacina da gotinha ainda é usada?
Não. Desde novembro de 2024, o calendário nacional utiliza exclusivamente a vacina inativada (VIP), aplicada por injeção. A vacina oral foi substituída por questões de segurança.
Por que a vacina inativada é mais segura?
A VIP usa vírus inativado, sem capacidade de causar a doença ou sofrer mutações. Já a vacina oral, embora segura, apresentava um risco extremamente raro de o vírus atenuado sofrer mutações e voltar a causar a doença.