Moraes diz que Mendonça queria direcionar investigações a Alcolumbre
Em despacho desta quinta-feira, Moraes afirma que Mendonça tentou direcionar investigações para atingir Alcolumbre, com viés político, segundo relatório da PF.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em despacho nesta quinta-feira que a Polícia Federal (PF) identificou o direcionamento de investigações por André Mendonça contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Na decisão, Moraes aponta que ele próprio foi alvo do mesmo expediente.
Segundo o relatório de inteligência da PF citado por Moraes, Mendonça teria direcionado a investigação contra Alcolumbre com "viés político". O documento avalia que Alcolumbre constituía "provável alvo estratégico", destacando sua força política e o favoritismo para se manter na presidência do Senado na próxima legislatura.
No despacho, Moraes afirma que o colega do STF pode ter cometido os crimes de improbidade administrativa e abuso de autoridade por tentar incriminar autoridades. A decisão também menciona que Mendonça teria defendido, em reunião presencial, a separação das investigações entre ACM Neto e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, apesar da conexão aparente entre as condutas.
A PF escreveu que "registre-se a assimetria de tratamento: a separação é sugerida onde a unidade identifica conexão, ao passo que, no episódio de julho de 2026, a contrariedade do relator recaiu sobre desmembramento pela unidade justamente onde a conexão inexistia". A citação a Rueda ocorreu porque, ainda segundo a PF, Mendonça via nele "rota de acesso a Alcolumbre", com quem teria desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal.
O presidente do Senado também voltou a criticar as pressões da oposição para abrir impeachment contra Moraes. Em outra frente, afirmou a Paulo Paim que a Casa votará proposta depois do pleito, texto aprovado pela CCJ nesta semana.