Economia

Zuckerberg e Gêngis Khan: o que Jared Diamond diz

ResumoJared Diamond, autor de Armas, Germes e Aço, compara Mark Zuckerberg a Gêngis Khan em novo livro. A tese central atribui o sucesso de ambos a condições históricas favoráveis: Zuckerberg beneficiou-se da expansão da internet, enquanto Gêngis Khan aproveitou mudanças climáticas que fortaleceram as estepes mongóis. Diamond argumenta que o contexto tecnológico ou ambiental, não apenas o gênio individual, determinou a ascensão dessas figuras.

Jared Diamond, autor de Armas, Germes e Aço, compara Mark Zuckerberg a Gêngis Khan: ambos estavam no lugar certo, na hora certa, quando condições tecnológicas ou climáticas favoreceram sua ascensão. Entenda a tese do novo livro.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 02 de setembro de 2026
Zuckerberg e Gêngis Khan: o que Jared Diamond diz

Jared Diamond, autor do best-seller Armas, Germes e Aço, compara Mark Zuckerberg a Gêngis Khan: ambos estavam no lugar certo, na hora certa, quando condições externas favoreceram sua ascensão. A análise está no novo livro do autor, Profits, Prophets, Coaches, and Kings, que chega às livrarias dos EUA neste mês.

Segundo Diamond, o sucesso de muitos líderes dependeu de circunstâncias favoráveis. Ele cita Gêngis Khan, cujo império se beneficiou de um período excepcionalmente úmido nas estepes da Mongólia, que favoreceu a criação de cavalos e rebanhos. "Se Gêngis Khan tivesse nascido 20 anos depois e 300 quilômetros dali, talvez ninguém soubesse quem ele foi", afirmou. No caso de Zuckerberg, Diamond vê paralelo: o fundador do Facebook estava no lugar certo quando as condições tecnológicas tornaram as redes sociais viáveis em larga escala.

A tese central do livro é uma questão que acompanha Diamond desde a infância: líderes individuais realmente mudam o curso da história ou são apenas reféns de forças maiores, como sugeria Tolstói? Para responder, o autor rejeita os dois extremos: a "teoria do grande homem", de Thomas Carlyle, e a visão de Tolstói em Guerra e Paz.

Diamond usa "experimentos naturais", método inspirado na epidemiologia. Seu exemplo favorito é o do médico John Snow, que em 1854 removeu a alavanca de uma bomba de água em Londres, demonstrando que a cólera era transmitida pela água contaminada. No livro, ele compara empresas, governos e equipes esportivas antes e depois de mudanças de liderança.

A conclusão é intermediária: líderes importam, mas apenas sob certas condições. Segundo seus estudos, entre 6% e 29% da variação nos lucros de uma empresa pode ser atribuída ao CEO. O setor e as características da companhia costumam ser tão ou mais importantes. Em tecnologia, perfumes, cinema e restaurantes, a influência do líder é maior; em energia, siderurgia e ferrovias, menor.

Na política, Diamond analisou 22 grandes líderes do século XX e perguntou quantos deixaram o poder voluntariamente. Apenas dois: Lee Kuan Yew, de Singapura, e Nelson Mandela. "Quando você se torna um grande líder político e conclui que pode fazer a diferença, dificilmente muda de ideia", afirmou.

Aos 88 anos, Diamond segue viajando para a Nova Guiné, onde faz trabalho de campo desde 1964. "Quero escrever tudo isso antes que esse conhecimento morra comigo", disse. livros de história recomendados

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