IA no RH poupa 5,4 horas por semana, mas decisões pedem humano
Pesquisa da LG lugar de gente com a FIA Business School aponta que 94% dos profissionais de RH já usam IA, com economia média de 5,4 horas semanais. Decisões sobre pessoas, porém, seguem sob revisão humana.
A inteligência artificial já roda no cotidiano dos departamentos de Recursos Humanos no Brasil, mas fica restrita à parte operacional. Uma pesquisa da consultoria LG lugar de gente em parceria com a FIA Business School, feita em agosto durante o CONARH 2026, mostra que 94% dos profissionais do setor afirmam usar a tecnologia, sobretudo em triagem de currículos, atendimento a funcionários e produção de conteúdo.
A economia média estimada é de 5,4 horas por semana em atividades burocráticas, o equivalente a 12% da jornada semanal. Com agentes capazes de executar processos mais complexos, o tempo liberado poderia chegar a 8,4 horas, ou 31% da jornada.
O levantamento ouviu 1.130 profissionais de 26 estados e mais de 40 segmentos. Do total, 45% trabalham em companhias com mais de 1.000 funcionários e 33% ocupam posições de gestão ou diretoria.
Onde a IA já entrou e onde ainda não
A seleção é a área em que a tecnologia avançou mais rápido: 39% dos entrevistados já usam IA na triagem e no apoio ao recrutamento. Outros 38% empregam chatbots ou agentes no atendimento interno, e 31% recorrem à tecnologia para produzir textos e apresentações.
O cenário muda quando a máquina precisa ir além da organização de informações. Apenas 21% usam IA como suporte à tomada de decisão e 20% para análises preditivas de turnover, clima ou engajamento.
"A utilização cresceu muito, mas é para aquelas atividades que são muitas vezes mais simples, de apoio", afirma Maria Paula Oliveira, diretora de Gente, Jurídico e Compliance da LG lugar de gente. Segundo ela, quando se observa a execução de processos completos, de ponta a ponta, a adoção cai significativamente.
O limite entre organizar dados e decidir sobre pessoas
No recrutamento, sistemas cruzam requisitos da vaga com informações de candidatos, fazem o primeiro contato, organizam entrevistas e consolidam dados. Para Heliana Silva, country manager da SGF Global no Brasil, o ganho está em escala e velocidade.
"A principal contribuição da IA é trazer mais agilidade e escala para o processo", diz. Com isso, o recrutador recebe informações mais estruturadas e concentra a jornada na análise e na decisão.
Maria Paula descreve o mesmo movimento em avaliações de desempenho e planos de desenvolvimento. "Eu gero os dados com a IA, eu analiso, eu gero insights, mas, com base nesses dados, o humano vai lá e toma as decisões", afirma.
Riscos apontados pela OIT e o que diz a LGPD
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou, em estudo publicado em 2025, que sistemas de IA na gestão de pessoas podem operar com objetivos mal definidos, bases enviesadas ou incompletas e programação pouco transparente, reproduzindo desigualdades e criando riscos jurídicos e éticos. Em análise de maio deste ano, a OIT destacou o risco de transformar características humanas complexas em indicadores mensuráveis, gerando falsa sensação de objetividade.
No Brasil, a LGPD prevê o direito de solicitar revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais quando afetam os interesses do titular, inclusive as que definem perfil profissional.
"Uma pessoa pode ter todas as competências técnicas necessárias para uma vaga e, ainda assim, não ser a melhor escolha para determinada empresa ou equipe", afirma Heliana. "Existe uma diferença entre identificar uma informação e compreender o que ela significa naquele contexto", completa.
Para Maria Paula, a automação da burocracia abre espaço para o RH ganhar participação nas decisões estratégicas, dedicando mais tempo a liderança, cultura e retenção. como montar orçamento familiar com salário apertado