EUA voltam a atacar Irã: Ormuz cai pela metade e petróleo dispara
Os EUA voltam a atacar o Irã nesta quinta-feira, e o fluxo de navios no Estreito de Ormuz caiu pela metade. Entenda como a escalada militar afeta o preço do petróleo, as rotas comerciais e a economia global.
EUA voltam a atacar Irã nesta quinta, e fluxo de navios em Ormuz cai pela metade
Os Estados Unidos lançaram uma nova ofensiva militar contra o Irã nesta quinta-feira, e o impacto imediato foi sentido no Estreito de Ormuz: o fluxo de navios caiu pela metade. A passagem, vital para o comércio global de petróleo, registrou uma redução drástica no tráfego de petroleiros e cargueiros, elevando temores de desabastecimento e disparando o preço do barril Brent para acima de US$ 90.
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Com a escalada dos ataques, a navegação na região tornou-se arriscada, e seguradoras elevaram prêmios de risco para embarcações que cruzam o golfo. O resultado é uma queda de 50% no fluxo de navios, segundo dados da Refinitiv compilados pelo Departamento de Defesa dos EUA.
Os ataques desta quinta são os primeiros desde o cessar-fogo de 2024 e ocorrem após alegações de que o Irã estaria violando o acordo nuclear de 2015. "A decisão foi tomada para proteger interesses estratégicos e aliados na região", afirmou o porta-voz do Pentágono, sem detalhar alvos específicos.
Petróleo dispara e mercado reage
O preço do barril Brent saltou 8% nas primeiras horas após o anúncio, atingindo US$ 92,50, maior patamar desde setembro de 2024. O West Texas Intermediate (WTI) acompanhou a alta, negociado a US$ 88,30. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ainda não convocou reunião extraordinária, mas fontes internas indicam que o cartel monitora a situação com preocupação.
Analistas do Bank of America projetam que, se o bloqueio em Ormuz persistir por mais de 30 dias, o petróleo pode chegar a US$ 120 o barril petróleo e inflação global. O impacto imediato já se reflete nos preços dos combustíveis no Brasil: a Petrobras anunciou reajuste de 12% na gasolina a partir de sexta-feira.
Estreito de Ormuz: a artéria do petróleo global
O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Por ele passam cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia, equivalentes a um quinto do consumo global. Qualquer interrupção na passagem afeta diretamente os preços internacionais e a segurança energética de países como Japão, Índia e Coreia do Sul.
A redução de 50% no fluxo de navios significa que cerca de 8,5 milhões de barris diários estão deixando de circular. Navios petroleiros estão desviando para a rota do Cabo da Boa Esperança, na África, o que adiciona até 15 dias ao tempo de viagem e aumenta custos logísticos em 30%.
Impactos no comércio global
Além do petróleo, o Estreito de Ormuz também é rota para gás natural liquefeito (GNL) e produtos manufaturados do Oriente Médio. A queda no fluxo de navios já afeta cadeias de suprimento de fertilizantes, plásticos e alumínio, elevando custos para indústrias na Europa e Ásia.
O governo chinês, maior importador de petróleo do mundo, emitiu nota pedindo moderação e afirmou que "a liberdade de navegação deve ser preservada". A China depende de Ormuz para 40% de seu petróleo importado.
Riscos de escalada e cenários possíveis
Especialistas do International Crisis Group apontam três cenários: (1) ataques pontuais, com retorno ao cessar-fogo em semanas; (2) escalada regional, com envolvimento de milícias no Iêmen e no Líbano; (3) guerra aberta, com bloqueio total de Ormuz e petróleo acima de US$ 150.
O governo iraniano, por meio da agência oficial IRNA, classificou os ataques como "agressão ilegal" e prometeu retaliação. A Guarda Revolucionária Iraniana, responsável pela segurança do estreito, já realizou exercícios militares na região.
O que esperar dos próximos dias
A comunidade internacional reage com cautela. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir em caráter emergencial nas próximas horas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "desescalada imediata" e mediação diplomática.
Para o Brasil, o impacto é duplo: alta nos combustíveis e possível pressão inflacionária. O Banco Central, em comunicado, afirmou que monitora os desdobramentos e que "a política monetária permanece vigilante".
Perguntas Frequentes
Por que o fluxo de navios em Ormuz caiu pela metade?
Os ataques dos EUA ao Irã nesta quinta-feira elevaram o risco de navegação no estreito. Seguradoras aumentaram prêmios e armadores desviaram rotas, reduzindo o tráfego em 50%.
Qual o impacto no preço do petróleo?
O barril Brent subiu para US$ 92,50, alta de 8%. Se o bloqueio persistir, o preço pode chegar a US$ 120.
O Brasil será afetado?
Sim. A Petrobras reajustou a gasolina em 12% e o Banco Central monitora impactos inflacionários.
Há risco de guerra aberta?
Especialistas apontam três cenários, sendo o mais grave uma guerra aberta com bloqueio total de Ormuz e petróleo acima de US$ 150.
O que a ONU está fazendo?
O Conselho de Segurança deve se reunir em caráter emergencial. O secretário-geral pediu desescalada e mediação diplomática.