Economia

Nova tarifa dos EUA afetará até 18% das exportações do Brasil, diz ministro

ResumoA nova tarifa dos EUA, anunciada pelo governo americano, pode reduzir em até 18% as exportações do Brasil para o país norte-americano. A medida, que entra em vigor em julho, atinge setores como aço, alumínio e carne, conforme declarou o ministro da Economia. O governo brasileiro busca negociações para mitigar os impactos.

O ministro da Economia afirmou que a nova tarifa dos EUA pode reduzir em até 18% as exportações do Brasil para o país. A medida, que entra em vigor em julho, atinge principalmente aço, alumínio e carne. Entenda os impactos setoriais e as negociações em curso.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 16 de julho de 2026
Nova tarifa dos EUA afetará até 18% das exportações do Brasil, diz ministro

O governo brasileiro estima que a nova tarifa dos EUA, anunciada em junho de 2026, pode afetar até 18% das exportações nacionais para o mercado americano. O ministro da Economia, em pronunciamento oficial, afirmou que os setores de aço, alumínio, carne bovina e suco de laranja serão os mais atingidos, com perdas potenciais de US$ 12 bilhões ao ano. A medida, que entra em vigor em julho, impõe tarifas adicionais de 25% sobre produtos siderúrgicos e 10% sobre alimentos processados. A pergunta que fica é: quem paga a conta dessa nova rodada de protecionismo?

A nova tarifa dos EUA pode reduzir em até 18% as exportações do Brasil para o país, com impacto concentrado em aço, alumínio, carne bovina e suco de laranja. O governo brasileiro já iniciou negociações com a administração americana para buscar exceções setoriais. Segundo o Ministério da Economia, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 67 bilhões em 2025, o que coloca o país como o segundo maior fornecedor estrangeiro do mercado americano. A tarifa adicional de 25% sobre aço e alumínio, prevista para julho, atinge diretamente cerca de US$ 8 bilhões em vendas anuais desses setores. A carne bovina, por sua vez, enfrenta uma tarifa de 10% sobre um volume de US$ 2,5 bilhões.

Setores mais afetados pela nova tarifa dos EUA

Siderurgia e metalurgia

O aço e o alumínio lideram a lista de setores impactados. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Em 2025, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 5,2 bilhões, segundo o Instituto Aço Brasil. A tarifa de 25% pode reduzir esse volume em até 40%, com impacto direto em empregos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Carne bovina e processados

A carne bovina responde por US$ 2,5 bilhões das exportações brasileiras para os EUA. A tarifa de 10% sobre alimentos processados atinge cortes congelados e industrializados. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as vendas podem cair 15% no primeiro ano impactos da tarifa americana na carne. Pequenos frigoríficos do Centro-Oeste são os mais vulneráveis.

Suco de laranja e outros

O suco de laranja concentrado, principal produto da citricultura brasileira, enfrenta tarifa de 10% sobre US$ 1,8 bilhão em exportações. A medida atinge diretamente produtores de São Paulo e do Triângulo Mineiro. Segundo a CitrusBR, a participação brasileira no mercado americano de suco de laranja é de 75%, e a tarifa pode abrir espaço para concorrentes mexicanos.

O que o governo brasileiro está fazendo

O Ministério da Economia já acionou o mecanismo de consultas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e busca negociações bilaterais. O ministro afirmou que o Brasil pode recorrer a medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos de soja, milho e etanol. No entanto, a prioridade é obter exceções setoriais, especialmente para o aço, que já teve cotas negociadas em 2018. O Itamaraty também articula com o Congresso americano para sensibilizar parlamentares de estados que compram aço brasileiro.

Impacto na economia brasileira

O impacto total pode chegar a 0,3% do PIB brasileiro, segundo estimativas do Banco Central. Os setores mais expostos são aqueles com maior dependência do mercado americano. Para o aço, a perda de receita pode significar demissões em plantas de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. A carne bovina, por sua vez, já enfrenta custos logísticos elevados, e a tarifa adicional pode inviabilizar pequenos exportadores.

Estratégias de mitigação

Diversificação de mercados é a principal recomendação de especialistas. A China, que responde por 32% das exportações brasileiras de carne, pode absorver parte do volume excedente. Para o aço, o mercado interno e a América Latina são alternativas, mas com margens menores. O governo também estuda linhas de crédito do BNDES para setores afetados.

Perguntas Frequentes

Quando a nova tarifa dos EUA entra em vigor?

A tarifa adicional de 25% sobre aço e alumínio e de 10% sobre alimentos processados entra em vigor em julho de 2026, segundo o anúncio oficial.

Quais produtos brasileiros são mais afetados?

Aço, alumínio, carne bovina e suco de laranja são os principais, representando juntos US$ 12 bilhões em exportações anuais.

O Brasil pode retaliar?

Sim. O governo pode aplicar tarifas sobre produtos americanos como soja, milho e etanol, mas a prioridade é negociar exceções.

Como a tarifa afeta o emprego no Brasil?

Os setores de aço e carne empregam diretamente 500 mil trabalhadores. A estimativa é de que 30 mil empregos podem ser afetados no primeiro ano.

O que o consumidor brasileiro sentirá?

O impacto indireto pode vir na forma de aumento de preços de aço no mercado interno, já que parte da produção será redirecionada. Para a carne, a diversificação de mercados pode estabilizar preços.

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