Embaixadas dos EUA alertam após ameaça de Trump ao Irã
Embaixadas dos EUA em todo o Oriente Médio pediram que americanos redobrassem a cautela depois que o presidente Donald Trump disse estar considerando novos ataques militares contra o Irã. O alerta inclui possíveis cancelamentos de voos e fechamento de espaço aéreo.
Embaixadas dos EUA emitem alerta após Trump ameaçar novos ataques ao Irã
As embaixadas dos EUA em todo o Oriente Médio pediram que americanos redobrassem a cautela depois que o presidente Donald Trump disse estar considerando novos ataques militares contra o Irã. O alerta veio enquanto o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, disse no sábado que a continuidade do bloqueio naval dos EUA e qualquer escalada não apenas restringiriam ainda mais a navegação pelo Estreito de Ormuz, mas também levariam ao fechamento de outros pontos estratégicos de estrangulamento.
As embaixadas dos EUA em todo o Oriente Médio alertaram no sábado que os americanos devem se preparar para cancelamentos de voos, fechamentos periódicos de espaço aéreo e outras interrupções de viagem, enquanto as tensões permanecem elevadas.
O que motivou o alerta das embaixadas?
Os comentários de Zolghadr ocorreram após uma reportagem do Wall Street Journal na sexta-feira, citando autoridades americanas não identificadas, de que Trump teria ordenado que os militares executassem um novo ataque contra o Irã já neste fim de semana para forçar Teerã a se render.
"Vamos atingi-los com muita força", disse o presidente durante uma reunião de gabinete. "E em algum momento eles vão dizer que não aguentam mais."
Segundo o jornal, os novos ataques podem começar já neste final de semana. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, não abordou diretamente as reportagens sobre um ataque iminente, mas disse em comunicado que "o Irã continuará pagando até que se sente à mesa sob os termos que o presidente Trump considerar significativos".
Como começou o conflito entre EUA e Irã?
O conflito intermitente entre EUA e Irã, que repetidamente interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota crucial para exportações de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes, começou em 28 de fevereiro. Uma trégua breve ruiu no mês passado, e os dois lados pausaram as trocas de ataques no fim da semana passada na tentativa de dar uma chance à diplomacia.
Essa trégua terminou na terça-feira à noite, quando Teerã realizou o que Trump descreveu como um ataque surpresa, disparando vários mísseis balísticos contra uma base militar dos EUA na Jordânia. A mais recente escalada provocou fortes oscilações nos preços de energia, com o petróleo Brent fechando a semana acima de US$ 90 por barril, ante menos de US$ 72 no início do mês passado.
O que os houthis têm a ver com isso?
Os houthis, apoiados pelo Irã, já haviam aberto uma nova frente na guerra na semana passada, alvejando dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho com mísseis e drones. O grupo atua no Iêmen e tem sido um dos principais agentes de desestabilização na região.
Como a guerra afeta a navegação e os preços?
Os efeitos da guerra se espalharam muito além do Golfo, elevando a inflação em todo o mundo e ameaçando envolver ainda mais o Oriente Médio. Durante a madrugada, uma embarcação de GNL foi atingida no Estreito de Ormuz, na costa de Omã, enquanto um petroleiro próximo relatou um quase acidente, segundo as Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, que afirmaram não ter havido impacto ambiental registrado.
O petróleo Brent fechou a semana acima de US$ 90 por barril, ante menos de US$ 72 no início do mês passado, refletindo o temor do mercado com a interrupção do fluxo na região.
Quais países estão envolvidos na escalada?
Arábia Saudita e Iraque também se envolveram mais profundamente na guerra, com Riad se juntando aos EUA nesta semana em ataques contra milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, em resposta a ataques a instalações petrolíferas sauditas. O Egito foi arrastado para o conflito nesta semana, quando dois navios transportando GNL foram atingidos por drones no porto de Damieta. O Kuwait continua sendo alvo, informando no sábado que sua defesa aérea detectou e destruiu drones iranianos.
O que pode acontecer a seguir?
A CBS informou separadamente que os EUA consideram atacar a infraestrutura energética, incluindo refinarias de petróleo e usinas elétricas, o que marcaria uma grande escalada na campanha militar. O bombardeio deliberado de alvos civis pode ser considerado crime de guerra, segundo grupos de defesa de direitos humanos.
Trump tem ameaçado com frequência uma escalada drástica da guerra, apenas para mudar de posição logo em seguida. Ao mesmo tempo, o conflito tem esgotado as munições dos EUA, especialmente os interceptores de defesa aérea cruciais para impedir ataques a bases. Estimativa é que a guerra contra o Irã consumiu 65% do estoque dos Patriot, restando menos de 1.000 interceptadores.
Com o controle do Congresso em jogo nas eleições de meio de mandato em novembro, pesquisas mostram que a maioria dos eleitores desaprova a condução da guerra e da economia por Trump.
Perguntas Frequentes
Os voos serão cancelados no Oriente Médio?
As embaixadas dos EUA alertaram que os americanos devem se preparar para cancelamentos de voos, fechamentos periódicos de espaço aéreo e outras interrupções de viagem, enquanto as tensões permanecem elevadas.
O que é o Estreito de Ormuz?
É uma rota crucial para exportações de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e fertilizantes, e tem sido repetidamente interrompida pelo conflito entre EUA e Irã.
Quem é Mohammad Bagher Zolghadr?
É o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que alertou sobre o fechamento de pontos estratégicos de estrangulamento caso haja escalada.
O que a Casa Branca disse sobre os novos ataques?
A secretária de imprensa Karoline Leavitt disse que "o Irã continuará pagando até que se sente à mesa sob os termos que o presidente Trump considerar significativos".