Dólar sobe a R$ 5,19 após tom mais duro do Fed
O dólar comercial fechou a R$ 5,196 (0,62%) nesta sexta, após o presidente do Fed, Kevin Warsh, sinalizar juros altos. Ibovespa subiu 0,30%, mas Wall Street caiu. Veja o que muda para o consumidor.
O dólar comercial fechou a R$ 5,196 nesta sexta-feira (28), com alta de 0,62%, após o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, adotar tom mais duro sobre a inflação nos Estados Unidos. A moeda chegou a cair para R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. No fim do pregão, desacelerou e encerrou a semana vendida a R$ 5,196. No acumulado da semana, o dólar subiu 1,06%; no ano, ainda cai 5,34%.
A reação veio após Warsh afirmar, em seu primeiro discurso no simpósio de Jackson Hole, que o Fed ainda terá trabalho a fazer caso não haja confiança de que a inflação subjacente (que exclui alimentos, energia e hipotecas) esteja retornando de forma clara e rápida à meta de 2%. A sinalização elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, com o título de dois anos subindo para 4,35%, e fortaleceu as apostas de alta de juros em setembro. O índice DXY, que mede o dólar ante seis moedas fortes, subia 0,57%, aos 99,668 pontos.
Para o consumidor brasileiro, o impacto é duplo. De um lado, o dólar mais caro pressiona preços de importados e pode encarecer viagens e compras internacionais. De outro, a diferença entre os juros dos dois países influencia o fluxo de recursos: a Selic está em 14% ao ano, enquanto a taxa básica dos EUA está entre 3,50% e 3,75%. No Brasil, os dados do Caged, que mostrou criação de 58.568 vagas formais em julho, abaixo da estimativa das instituições financeiras, reforçaram a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentaram as apostas de corte da Selic em setembro, para 13,75%.
O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos, após superar os 176 mil pontos no início da sessão. Foi a oitava alta consecutiva, com valorização de 2,71% na semana, mas queda de 1,31% em agosto. O fluxo estrangeiro segue negativo no mês, em R$ 18,7 bilhões, apesar de entrada líquida de R$ 1,3 bilhão nos quatro pregões anteriores. Em Nova York, as bolsas caíram: Dow Jones recuou 0,02%, S&P 500 caiu 0,25% e Nasdaq teve queda de 0,52%, pressionados pela perspectiva de política monetária mais restritiva.
A pergunta que fica é quem paga a conta. O trabalhador que vê o custo de vida subir com o câmbio e a inflação, e o investidor que acompanha a volatilidade, sentem os efeitos na ponta. A expectativa de corte da Selic, se confirmada, pode aliviar o crédito, mas a decisão do Fed em setembro seguirá ditando o ritmo do câmbio e dos mercados.