Economia

Divórcio do Azzas 2154: Birman e Jatahy separam marcas

ResumoAzzas 2154 encerrou a sociedade entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy após mais de um ano de disputa. A companhia será dividida em três operações, com a Farm Rio constituindo sociedade própria. A ação da Azzas 2154 saltou 13,8% nesta quarta-feira, refletindo a reação do mercado ao acordo de separação.

Após mais de um ano de disputa, Alexandre Birman e Roberto Jatahy selam o divórcio do Azzas 2154. A companhia será dividida em três operações, com Farm Rio em sociedade própria. Ação saltou 13,8% nesta quarta.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 02 de setembro de 2026
Divórcio do Azzas 2154: Birman e Jatahy separam marcas

Após mais de um ano de disputa no alto comando, foi selado o divórcio do Azzas 2154. Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo, e a companhia será dividida em três operações, como adiantou O GLOBO. As ações do grupo tiveram a negociação suspensa na manhã desta quarta-feira por entrarem em leilão, prática comum do mercado em anúncios relevantes. Depois, saltaram 13,8%, a R$ 17,15. No ano, porém, a queda acumulada é de 32,45%. A companhia vale R$ 3,54 bilhões na Bolsa, menos de um terço do que valia quando a fusão foi selada, em agosto de 2024, quando foi avaliada em R$ 10 bilhões.

Na divisão, Birman leva Arezzo&Co, Carol Bassi, o ZZMall e a Hering, que originalmente integrava o portfólio do Soma. Jatahy fica com o vestuário feminino e masculino premium, incluindo a Reserva, que era da Arezzo. No entanto, Jatahy abrirá mão da Farm Rio, o mais forte motor de vendas e resultado do grupo, que será colocada em uma sociedade específica na qual as duas empresas terão participação. A Arezzo&Co vai deter 57,4% desse novo negócio, enquanto o Soma terá 42,6%. A separação da Farm Rio teria sido pedida diretamente por seus fundadores, Katia e Marcello Bastos, de acordo com uma pessoa a par das negociações.

A operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da B3, além do Conselho de Administração e dos acionistas. A perspectiva é que a conclusão ocorra no primeiro trimestre de 2027. Até lá, a operação da Azzas segue regularmente. A redivisão será feita em duas etapas: primeiro, a separação das marcas entre Arezzo&Co e Soma; depois, uma troca de ações entre os acionistas dessas empresas. Quando concluído, o Soma terá 25,95% das ações com Jatahy e sócios e 6,18% com o bloco da família Birman. Na Arezzo&Co, a família fundadora terá 32,13%, com desembarque de Jatahy. Os 67,87% restantes de cada empresa ficarão com os demais sócios e investidores.

O acordo põe fim às controvérsias legais entre Birman e Jatahy, que se comprometeram a extinguir o procedimento arbitral e a medida cautelar em curso. A gota d'água veio em abril, quando Ruy Kameyama, CEO de Moda e Lifestyle, pediu para deixar o cargo. Ele funcionava como mediador entre os dois. Após a saída, Jatahy foi à Justiça contra Birman. "Após um período de diferentes visões sobre a estrutura societária, a governança e os caminhos estratégicos da Companhia, os acionistas de referência chegaram a uma solução que preserva o valor construído", diz a companhia em comunicado. As rusgas no comando derrubaram as ações da empresa, e as discussões chegaram à arbitragem.

Na prática, a promessa de um casamento farto em ganhos com sinergia não se cumpriu. A principal explicação, avaliaram fontes próximas ao grupo, reside em diferenças irreconciliáveis entre Birman e Jatahy. A fusão foi anunciada em fevereiro de 2024, criando uma gigante com 34 marcas. Agora, a estratégia é dar autonomia decisória a cada conjunto de negócios, para acelerar crescimento operacional, de resultados e geração de caixa. entenda a fusão que criou o Azzas 2154 o que muda para o investidor com a reestruturação

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