Economia

Correios caminham para pior resultado da história

ResumoCorreios registraram prejuízo de R$ 5,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, com alta de 30,4% em relação ao mesmo período de 2024. O governo federal projeta o pior resultado da história da estatal para 2026, além de prever aporte de R$ 6 bilhões em 2027 para cobrir o déficit operacional.

Prejuízo dos Correios no 1º semestre soma R$ 5,5 bilhões, alta de 30,4% ante 2025. Governo prevê pior resultado da história em 2026 e aporte de R$ 6 bi em 2027.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 31 de agosto de 2026
Correios caminham para pior resultado da história

Os Correios caminham para encerrar o ano com o pior resultado de sua história, segundo o governo. No primeiro semestre, o prejuízo somou R$ 5,5 bilhões, alta de 30,4% na comparação com igual período de 2025. A proposta de lei orçamentária de 2027, enviada hoje ao Congresso, prevê aporte de R$ 6 bilhões para a estatal, sinal de que a crise está longe do fim.

A expectativa do governo é que a perda anual supere o recorde de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025. A estatal alega que voltará ao lucro em 2027. No segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,4 bilhões, 5,5% menor que o mesmo período de 2025, reflexo inicial do plano de reestruturação, com redução de despesas com pessoal e melhora do endividamento.

Analistas ponderam que o problema estrutural permanece. O especialista em finanças Daniel Pecanka de Andrade aponta margem bruta apertada: no semestre, R$ 274,5 milhões, sobre receita de R$ 7,9 bilhões, descontados os custos de entrega. "Apesar de o prejuízo ter caído no segundo trimestre, não dá para falar em avanço operacional", diz. O custo com pessoal recuou 4,2% no período, economia de R$ 233,7 milhões.

A estatal ganhou fôlego com empréstimo de R$ 12 bilhões em 2025, com garantia do Tesouro Nacional, mas negocia novo crédito de R$ 7 bilhões. O aporte de R$ 6 bilhões no orçamento de 2027 faz parte do acordo para a linha do ano passado, discutida com bancos em dezembro. Ministros das Comunicações, Gestão e Planejamento afirmaram que o objetivo é dar estabilidade à empresa.

Para o economista Fernando Soares, ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, o plano é insuficiente. Ele defende corte drástico de pessoal e transformar os Correios em estatal dependente. O presidente Lula afirmou que não pretende vender a companhia.

O balanço aponta queda de R$ 460,4 milhões nas receitas internacionais e aumento de despesas comerciais. O PDV desligou 6.545 empregados, e novo programa prevê fechamento de mil postos. A dívida foi alongada de 18 para 180 meses, com economia de R$ 322 milhões. A empresa reconhece: "O resultado acumulado do semestre permanece desafiador".

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