Tarlula? Voto cruzado de Tarcísio e Lula cresce em SP
Pesquisa Quaest aponta crescimento do voto cruzado em São Paulo: 11% dos lulistas escolhem Tarcísio para governador. Fenômeno desafia campanhas e explica vantagem do atual governador.
A polarização presidencial não se repete automaticamente na disputa pelo governo de São Paulo. Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25) mostra que parte dos eleitores de Lula considera votar em Tarcísio de Freitas para o Palácio dos Bandeirantes. O fenômeno, apelidado de Tarlula, ajuda a explicar a vantagem do atual governador na corrida estadual.
Segundo o levantamento contratado pela TV Globo, Tarcísio lidera com 40%, contra 27% de Fernando Haddad. Na disputa presidencial, Lula aparece com 29% entre os paulistas, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, que tem 30%. A diferença sugere que parte da força de Tarcísio vem de eleitores que não acompanham o candidato apoiado pelo governador na disputa pelo Planalto.
Os números da Quaest detalham esse voto cruzado. Entre os eleitores classificados como lulistas, 11% escolhem Tarcísio. O governador também registra 11% entre os que se identificam com a esquerda, mas não com o lulismo. O caminho inverso é menor: Haddad tem 2% entre bolsonaristas e 4% na direita não bolsonarista. Entre os independentes, grupo decisivo na eleição paulista, Tarcísio aparece com 27%, contra 24% de Haddad.
A possibilidade de atravessar campos políticos diminui na disputa presidencial. Lula concentra 90% das intenções entre lulistas e 78% na esquerda. Flávio tem 80% entre bolsonaristas e 59% na direita não bolsonarista. Lula também leva vantagem entre os independentes: 20% a 10%.
O quadro cria desafios distintos para as campanhas. Flávio precisa transformar a força eleitoral de Tarcísio em votos para sua candidatura. Haddad precisa convencer os lulistas que hoje preferem o atual governador. O fenômeno não é novo: na Quaest anterior, de 29 de julho, Tarcísio já tinha 12% entre lulistas e 7% na esquerda não lulista. A pouco mais de um mês da eleição, o voto cruzado permanece presente.