Economia

Lula promete investir em defesa e proteger terras raras de China e EUA

ResumoLula, presidente do Brasil, prometeu em convenção do PT investir em defesa nacional e proteger as reservas de terras raras de interesses da China e dos Estados Unidos. Lula também criticou emendas parlamentares e anunciou confronto com o Legislativo. A medida visa soberania sobre minerais estratégicos, essenciais para tecnologia e indústria militar brasileira.

Em convenção do PT, Lula prometeu investir em defesa e proteger terras raras de China e EUA. O presidente também criticou emendas parlamentares e prometeu 'briga' com o Legislativo. Entenda o que isso significa para o Brasil.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 02 de agosto de 2026
Lula promete investir em defesa e proteger terras raras de China e EUA

Lula promete investir em defesa e proteger terras raras de China e EUA em convenção do PT

O PT aprovou oficialmente a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 2. Em discurso na convenção, Lula repetiu o discurso de defesa da soberania e disse que não vai deixar nem a China nem os Estados Unidos interferirem em temas como a exploração de terras raras. "Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz", disse, acrescentando: "Essas terras raras, nem chinês, nem americano, nem francês, vão meter o dedo nas nossas terras raras", afirmou.

O presidente prometeu mais investimentos na área da Defesa, destacando o tamanho das fronteiras e das riquezas naturais brasileiras. "Eu quero estar preparado para ninguém invadir esse País para levar esse presidente, como eles invadiram (a Venezuela). Eu quero estar preparado para a paz, não para a guerra. Eu quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta com a gente", discursou.

O que a promessa de investimento em defesa significa para o Brasil

A promessa de mais investimentos em Defesa tem impacto direto na soberania nacional. Com fronteiras extensas e riquezas naturais estratégicas, o Brasil busca se posicionar para evitar interferências externas. Para o cidadão comum, isso pode significar mais segurança e proteção dos recursos do país, mas também levanta questões sobre prioridades orçamentárias.

Lula promete 'briga' com parlamentares por emendas

Lula também prometeu "brigar" com os parlamentares por causa de emendas parlamentares. O petista criticou uma "inversão" no Orçamento, em que deputados podem indicar bilhões enquanto o Poder Executivo tem que fazer cortes milionários em programas de saúde e educação. Ele prometeu até mesmo vetar uma indicação de emendas do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

"A minha quarta Presidência é pra mudar muita coisa nesse País. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem hoje o Poder Legislativo", discursou a apoiadores reunidos na Zona Norte de São Paulo.

"Eu sou triste com a política de hoje. Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Está levando os partidos à promiscuidade", afirmou. "Tem partido que recebe R$ 1 bilhão, sem prestar contas ao povo brasileiro. Muitas vezes no Poder Executivo temos que cortar R$ 10 milhões de uma escola, de um programa de saúde".

Críticas à perda de poder do Executivo

Lula criticou o que vê como uma perda de poder do Executivo. "Eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. Vai perdendo o direito de criar agência, de indicar ministro da Suprema Corte... Ou seja, daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República? Nenhum!", afirmou.

Apesar de prometer "briga" e "ousadia" nessas duas questões, no restante do discurso Lula prometeu diálogo e união. Ele destacou sua longa trajetória política, afirmando estar jogando a "sétima Copa" do Mundo e querendo ser "tetra". "Preparar a campanha é que nem preparar a Seleção. Tem que ser melhor que o Ancelotti. Nós temos time, nós temos futebol, temos o que entregar, temos argumento", brincou.

Aliados e a defesa da democracia

Ao longo da fala, Lula citou muitos aliados históricos, como Eduardo Campos, Miguel Arraes, Antônio Cândido, Henfil, Betinho e Paulo Freire. O petista buscou posicionar seu partido como representante da democracia.

"A essência do PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade. A esquerda não conversava", afirmou. "Quando eu criei o Foro de S. Paulo em 1990, eu achei que a gente podia educar a esquerda da América Latina. Para tentar dizer para toda a esquerda que a melhor via não era da luta armada, era da organização do povo, da eleição direta. E assim ganhamos vários países da América Latina, pela democracia, sem matar e sem morrer ninguém".

Janja, Haddad e Alckmin no palanque

Lula chegou acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, vestida com uma camiseta estampada com uma imagem do presidente criança. Eles estavam também com o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), do candidato à vice-Presidência Geraldo Alckmin (PSB) e das esposas dos dois, Ana Estela Haddad e Lu Alckmin.

Antes de começar o discurso, Lula criticou a decisão do partido de não colocar mulheres para discursar ao vivo, além do presidente, apenas Haddad, Alckmin e Edinho Silva falaram no palco. Ele então passou a palavra para Janja, que falou que são as mulheres que vão eleger Lula.

A primeira-dama afirmou que Lula "é o único líder que tem a coragem de sentar numa mesa do G7" e falar sobre o combate à violência contra as mulheres. Janja disse dividir com Lula a missão de transformar o Brasil em um País inclusivo. "Por mais que eu quisesse, meu amor, pegar na sua mão e sair por aí pelo mundo, a minha missão se transformou na sua missão", ela disse, antes de dar um beijo no marido.

Esse foi um tema retomado por Lula em seu discurso: "O cara tem que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Eu quero criar uma sociedade de respeito, de compartilhamento, em que as pessoas vivam em harmonia. A luta contra a violência contra as mulheres, não é só das mulheres, é de nós homens, que somos os violentos, que achamos que somos os donos delas".

Haddad e Alckmin: defesa da soberania e da democracia

Seguindo a linha de campanha proposta pelo partido, Haddad descreveu Lula como um líder experiente e seguro, preparado para defender com "altivez" a soberania do Brasil. Ele disse que o País precisa de um líder que não abaixa a cabeça, nem coloca "o boné de presidente de nenhum outro país". "O mundo está muito turbulento. O mar está revolto. Em um momento como esse, você precisa de um marujo confiável, experiente", afirmou.

O ex-ministro da Fazenda citou a "trajetória épica" de Lula, reforçando que ele é uma figura estável e confiável. Haddad disse que o presidente "saiu das entranhas desse País, de Garanhuns" e "nunca traiu os seus princípios de vida, nunca traiu o Brasil". O candidato ao governo ainda destacou a aliança entre Lula e Alckmin, falando que os dois "salvaram a democracia" brasileira.

No seu discurso, Alckmin também falou de democracia. Ele disse que a eleição de 2022 foi fundamental para evitar um golpe de Estado e fez indiretas ao adversário Flávio Bolsonaro, que divulgou afirmações falsas sobre o processo eleitoral.

"Imagine se eles tivessem ganhado as eleições; quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente. A descrença nas urnas é cheiro de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino nem de americano", afirmou, em referência a aliados de Flávio, os presidentes Javier Milei e Donald Trump.

O discurso de Alckmin também buscou contrastar os feitos do governo Lula com os da gestão de Bolsonaro. Ele listou avanços na Reforma Tributária, na indústria e no meio ambiente.

União da esquerda e próximo passo da campanha

Outras figuras que subiram ao palanque foram os dirigentes partidários das legendas em coligação com o PT: PSOL, Rede, PV, PCdoB, PSB e PDT. O presidente do PT, Edinho Silva, discursou dizendo que as eleições brasileiras vão influenciar o futuro da América Latina e da democracia mundial, pedindo união do campo político da esquerda. "O Brasil pode derrotar o fascismo e mostrar que o mundo também pode", afirmou.

Ele também convidou a militância para um grande evento previsto para acontecer na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, daqui a duas semanas. A expectativa é que esse seja o grande marco inicial da campanha.

Lula chegou ao palco ao som do jingle "Tapete Vermelho". A música, de inspiração gospel, diz que o mundo estendeu um "tapete vermelho para o filho do Nordeste". O vídeo que acompanha a canção explora imagens de Lula com líderes mundiais e inclui até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem a gestão petista tem tido embates.

Perguntas Frequentes

Por que Lula quer proteger as terras raras de China e EUA?

Lula afirmou que não vai permitir que China, EUA ou França interfiram na exploração das terras raras brasileiras, defendendo a soberania nacional sobre esses recursos estratégicos.

O que Lula prometeu para a área de Defesa?

O presidente prometeu mais investimentos na área de Defesa, citando o tamanho das fronteiras e das riquezas naturais do Brasil, para garantir que ninguém invada o país.

Qual é a crítica de Lula às emendas parlamentares?

Lula criticou a "inversão" no Orçamento, onde deputados podem indicar bilhões enquanto o Executivo precisa cortar milhões em saúde e educação, e prometeu "brigar" com o Legislativo sobre o tema.

Quem discursou na convenção do PT?

Além de Lula, discursaram Janja da Silva, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Edinho Silva e dirigentes de partidos coligados como PSOL, Rede, PV, PCdoB, PSB e PDT.

Qual é o próximo passo da campanha de Lula?

O presidente do PT, Edinho Silva, convidou a militância para um grande evento na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, previsto para daqui a duas semanas, que deve ser o marco inicial da campanha.

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