Economia

Boletim Focus: mercado prevê redução da inflação e do PIB de 2026

ResumoO Boletim Focus do Banco Central reduziu a projeção do IPCA para 2026 de 5,02% para 5,01%, enquanto o mercado ajustou a expectativa de crescimento do PIB para baixo. As estimativas para o dólar e a taxa Selic permaneceram inalteradas no período. A revisão reflete ajustes pontuais nas expectativas macroeconômicas dos analistas consultados.

O Boletim Focus do Banco Central rebaixou a projeção de inflação e do PIB para 2026, enquanto dólar e Selic seguem inalterados. IPCA caiu de 5,02% para 5,01%.

Wagner Sobral
Wagner Sobral Repórter de mercado financeiro · 31 de agosto de 2026
Boletim Focus: mercado prevê redução da inflação e do PIB de 2026

O mercado financeiro rebaixou a projeção de inflação e prevê menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, enquanto o câmbio do dólar e a taxa Selic permanecem inalterados nas previsões do ano. As informações constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central (BC), em Brasília.

Segundo o Focus desta semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação do país, caiu de 5,02%, na semana passada, para 5,01%, hoje. A projeção de inflação para 2027 mostra uma leve alta, de 4,25% para 4,28%, e estabilidade nos anos de 2028 e 2029, com estimativa de 3,80% e 3,50%, respectivamente. Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses é 4,44%, trazendo o indicador de volta para a meta do governo, conforme os dados oficiais de julho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As instituições ouvidas pelo Boletim Focus projetam queda para este ano do PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, de 1,95%, há uma semana, para 1,92%, atualmente. Para os três próximos anos, a expectativa do mercado não se alterou, com previsão de crescimento de 1,50% para 2027, 1,98% para 2028 e 2% para 2029.

A previsão do mercado financeiro para o câmbio brasileiro é que o dólar terminará o ano de 2026 cotado a R$ 5,20, repetindo a cotação divulgada há quatro semanas. De acordo com os analistas, o valor da moeda norte-americana terá alta para R$ 5,30 em 2027, valor mantido para o fim de 2028. Em 2029, o câmbio deve subir mais uma vez para R$ 5,36.

As instituições financeiras mantiveram a estimativa para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira em 13,75%. A Selic é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, em reuniões realizadas a cada 45 dias. O mercado acredita que, em 2027, a Selic terminará o ano em 12%; para 2028, o Focus mantém, há quatro semanas, a projeção em 10,5%; e para 2029, deve alcançar 10%. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano. A última reunião foi em 5 de agosto, quando o Copom ajustou a Selic em um ambiente de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas, o que exige prudência, conforme a última ata da reunião.

O comportamento do dólar frente ao real influencia diretamente o desempenho da economia brasileira. Com o câmbio desvalorizado, ou seja, alta da moeda estrangeira, bens importados ficam mais caros, o que pressiona a inflação para cima. No entanto, favorece as exportações porque deixa os produtos brasileiros mais em conta no exterior. Já o nível da Selic influencia o desempenho da economia: quando a taxa está em patamar elevado, pode deixar as operações de crédito com maior custo, o que pode desestimular o consumo interno. A taxa em níveis reduzidos é um incentivo para a obtenção de crédito e favorece o investimento, com atenção para não haver pressão inflacionária projeções econômicas 2027.

Leia também

Publicidade