Nepal acelera alerta de deslizamentos na fronteira com China
Uma semana após tragédia que matou mais de 1.100 pessoas, Nepal acelera reconstrução do sistema de alerta na fronteira com a China, com sensores sísmicos e comunicação via satélite em Timure.
Uma semana após uma das maiores tragédias naturais da história recente do Nepal, o governo local prepara a reconstrução e ampliação do sistema de alerta para deslizamentos e enchentes na fronteira com a China. O plano prevê a instalação de sensores sísmicos, câmeras de monitoramento e uma rede de comunicação via satélite em áreas montanhosas consideradas de alto risco, segundo a agência de notícias Reuters.
Os novos equipamentos serão instalados inicialmente em Timure, localidade do distrito de Rasuwa próxima à fronteira chinesa. A região foi uma das mais afetadas pela enxurrada de lama, água e rochas desencadeada pelo colapso de uma geleira no fim de agosto. Balanços oficiais apontam mais de 1.100 mortos em Nepal e China, com quase 4 mil desaparecidos.
O risco, avaliam autoridades nepalesas, permanece elevado mesmo após a redução da ameaça imediata dos lagos formados pelos escombros da geleira. Técnicos do governo acreditam que a alteração do terreno pode provocar novos deslizamentos nas próximas semanas, o que pressiona por monitoramento em tempo real.
Um dos pilares do projeto é a comunicação via satélite, capaz de manter postos de observação conectados mesmo com queda de telefonia e internet. Durante a enchente, estações perto da fronteira ficaram fora de operação, dificultando alertas para comunidades ao longo do rio.
A tragédia também deve ampliar a cooperação entre Nepal e China no compartilhamento de dados ambientais. Kathmandu já havia pedido informações sobre geleiras e níveis dos rios na região tibetana antes do desastre; agora, a troca deve ser intensificada para reduzir novas perdas em área vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas no Himalaia.