Flávio precisa impedir concorrência na direita, diz analista
Antes de enfrentar Lula, Flávio Bolsonaro precisa impedir concorrência na direita, diz analista. Mudança de estratégia busca proteger base bolsonarista.
Antes de enfrentar Lula, Flávio precisa impedir concorrência na direita, diz analista
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro mudou de rumo. Nos primeiros meses, ele tentou se diferenciar do pai, defendeu a vacina contra a Covid-19 e adotou tom moderado. Nas últimas semanas, porém, o discurso endureceu, com ataques ao sistema eleitoral e aproximação de Javier Milei. Para analistas, o movimento não é casual: antes de enfrentar Lula, Flávio precisa impedir concorrência na direita.
Segundo o cientista político Jorge Chaloub, da UFRJ, a guinada revela uma mudança de prioridades da campanha. "Inicialmente, o Flávio Bolsonaro parecia estar fazendo um movimento de ter a ideia de que o eleitor do Bolsonaro já seria dele e tentar conquistar o eleitor dos centros", afirmou durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (31).
Por que Flávio mudou o discurso?
Chaloub avalia que os desgastes recentes da candidatura levaram a campanha a abandonar, ao menos temporariamente, a estratégia de ampliar o eleitorado. "Depois das acusações, o Flávio Bolsonaro passou a fazer movimentos que são mais próximos do Jair. Questionar urnas, fazer discursos mais duros contra os adversários", disse.
Essa mudança ficou evidente na convenção do PL, que reuniu o presidente argentino Javier Milei e usou vídeos com inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o professor, toda a convenção foi um teste.
O objetivo agora é proteger a base
Na avaliação de Chaloub, o principal objetivo deixou de ser ampliar a candidatura e passou a ser proteger o espaço de Flávio dentro da direita. "Me parece que ele está mais preocupado em garantir a base dele. Ele está com medo de que algum desses candidatos cresça para cima da base bolsonarista", afirmou.
A preocupação envolve a própria sobrevivência da família Bolsonaro como principal liderança do campo conservador. "Existe uma preocupação muito evidente de garantir a liderança da família Bolsonaro no campo da direita. Por vezes, se prefere perder com alguém da família Bolsonaro do que eventualmente ganhar com alguém que retire esse protagonismo no futuro", avaliou.
Sinais de fragilidade na campanha
Para Chaloub, esse reposicionamento ajuda a explicar por que a campanha passou a assumir riscos que antes evitava. "O fato de alguém que pretende chegar à Presidência ainda estar testando estratégias na segunda metade de julho é um sinal de fragilidade da campanha", afirmou.
O diagnóstico é compartilhado por Paulo Gama, head de Análise Política da XP. Para ele, a aproximação com figuras como Milei e o retorno ao discurso bolsonarista tradicional fazem sentido dentro dessa lógica. "Talvez tenha sido essa a ideia de se voltar de novo ao eleitor das origens, das bases, para fixar um pouco a imagem e evitar o risco de que ele pudesse ser atacado ou ameaçado por alguma das outras candidaturas de oposição", disse.
Inversão da estratégia inicial
Segundo Gama, a mudança representa uma inversão da estratégia adotada no lançamento da candidatura. "O Flávio, para vencer a eleição, sempre precisou trazer o eleitor de centro, o eleitor que rejeitou o pai dele em 2022. Foi a questão da vacina, foi a busca por uma vice mulher, parecia ser essa a receita para buscar esse eleitor. Agora ele passou por episódios de desgaste e talvez tenha voltado ao eleitor das origens", afirmou.
Os analistas apontam que a estratégia também busca evitar que outros nomes da direita ocupem espaço durante a campanha. Ainda que Flávio permaneça como principal candidato do campo conservador, a preocupação deixou de ser apenas derrotar Lula e passou a incluir a preservação da liderança política do bolsonarismo.
"Ele está mais preocupado em garantir o que já tem antes de olhar para o eleitorado independente, que seria necessário para vencer uma eleição no segundo turno contra o Lula", concluiu Chaloub.
Contexto da campanha
O partido consultou diretórios estaduais e manteve posição de não apoiar candidatos ao Planalto. O PL receberá R$ 881,6 milhões do fundo público em 2026, mas o candidato aposta em doações de pessoas físicas para ampliar arrecadação.
Perguntas Frequentes
O que mudou na estratégia de Flávio Bolsonaro?
Flávio abandonou temporariamente o tom moderado e voltou a um discurso mais próximo do bolsonarismo tradicional, com ataques ao sistema eleitoral e aproximação de Javier Milei.
Por que Flávio precisa impedir concorrência na direita?
Segundo analistas, ele teme que outros candidatos da direita cresçam sobre a base bolsonarista e retirem o protagonismo da família Bolsonaro no campo conservador.
Quem são os analistas que comentam a mudança?
Jorge Chaloub, professor de Ciência Política da UFRJ, e Paulo Gama, head de Análise Política da XP, participaram do Mapa de Risco do InfoMoney.
O que é o Mapa de Risco?
É um programa de política do InfoMoney que vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e em tocadores de podcast.