Aluguel desacelera: 9,16% supera o dobro da inflação
Os novos aluguéis residenciais perderam velocidade em agosto, mas ainda avançam mais que o dobro da inflação em 12 meses. O crédito imobiliário caro ajuda a explicar por que a desaceleração não vira alívio para o inquilino.
O preço dos novos aluguéis residenciais perdeu velocidade em agosto, mas segue subindo bem acima da inflação. Os valores avançaram 0,55% no mês, abaixo dos 0,70% de julho, enquanto o IPCA registrou deflação de 0,32% no período. No acumulado de 12 meses, a locação avançou 9,16%, ante inflação de 4,22%. Os dados são do Índice FipeZAP de Locação Residencial, levantado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX a partir de anúncios em 36 cidades.
Desacelerar, aqui, significa subir mais devagar, não cair. De janeiro a agosto, os aluguéis acumulam alta de 6,56%, mais que o dobro do IPCA de 3,11% no mesmo intervalo. O IGP-M, referência tradicional em contratos imobiliários, acumulou apenas 2,16%. Vale lembrar que o indicador acompanha os preços anunciados para novos contratos, não os reajustes dos acordos já em vigor. Funciona como termômetro imediato da relação entre oferta e procura por moradia.
Por que o aluguel não acompanha a inflação
A economista do Grupo OLX, Mariangela Silva, aponta um componente que explica a pressão mesmo com a inflação em queda: o custo do crédito imobiliário. "Os juros elevados e o crédito imobiliário mais restritivo pode postergar a decisão de compra de parte das famílias e manter essa demanda no mercado de locação", afirma.
Na prática, famílias que migrariam do aluguel para a casa própria ficam mais tempo disputando os imóveis disponíveis. Enquanto o IPCA acompanha uma cesta ampla de produtos, o preço da locação responde à oferta e demanda locais. "Apesar da desaceleração observada na variação mensal, os dados ainda mostram um mercado de locação residencial ainda aquecido", diz Mariangela.
Onde a alta se concentra
Em agosto, 27 das 36 cidades monitoradas registraram aumento. Entre as 22 capitais, 16 ficaram no campo positivo. Vitória liderou a alta mensal, com 4,01%, seguida por Campo Grande (3,85%) e Natal (2,82%). Na outra ponta, Aracaju recuou 2,20%, Belém caiu 0,80% e Brasília, 0,79%.
O mapa muda conforme a janela de análise. No acumulado de 2026, Campo Grande lidera entre as capitais, com 16,25%, seguida por Natal (13,84%), Aracaju (13,57%) e Fortaleza (12,32%). Em 12 meses, Aracaju assume a ponta, com 21,61%, seguida por Fortaleza (16,81%) e Natal (16,60%). Todas as 22 capitais pesquisadas registram alta nesse intervalo.
Por dormitórios, os imóveis de dois quartos tiveram a maior valorização em 12 meses, de 10,25%, acima da média do índice. Os de três quartos avançaram 9,65%, os de um quarto, 8,50%, e os de quatro ou mais, 6,42%.
O preço médio dos anúncios chegou a R$ 54,47 por metro quadrado em agosto. São Paulo lidera entre as capitais, com R$ 65,36, seguida de perto por Recife (R$ 64,19) e Belém (R$ 62,15). Entre todas as 36 cidades, o maior valor está em Barueri, na Grande São Paulo, a R$ 71,92 por metro quadrado. Na ponta inferior aparecem Pelotas (R$ 20,73), São José do Rio Preto (R$ 29,50) e Teresina (R$ 32,51).
Para quem vive do aluguel, o rental yield médio ficou em 6,14% ao ano em agosto, maior nos imóveis de um dormitório (6,77%) e menor nos de quatro ou mais quartos (4,85%). A série histórica mostra perda de força: a alta de 9,16% em 12 meses está abaixo dos 9,44% de 2025 e distante dos 16,16% de 2023 e 13,50% de 2024. como calcular o reajuste do seu contrato de aluguel