Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da história
A ajuda internacional de países ricos caiu 23,1% em 2025, o maior corte já registrado. Entenda o impacto na África Subsaariana, na Ucrânia e o que esperar para 2026.
Ajuda internacional sofre corte de 23,1% em 2025, o maior da história
A ajuda internacional de países ricos para nações pobres sofreu corte de 23,1% na passagem de 2024 para 2025, a maior redução já registrada. O volume caiu para US$ 174,3 bilhões (quase R$ 900 bilhões), uma diminuição de US$ 52,4 bilhões em um ano, já descontando a inflação. Foi o segundo ano seguido de queda.
Os dados são do estudo Financiamento para o Desenvolvimento, do Brics Policy Center, ligado à PUC-Rio. Os pesquisadores usaram informações do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (CAD), da OCDE, o "clube dos países ricos". O Brasil não faz parte da instituição.
O que explica o corte recorde
Os cinco maiores doadores (França, Alemanha, Japão, Reino Unido e EUA) respondem por 95,7% da redução. Os EUA cortaram a ajuda em 56,9%, respondendo sozinhos por 75,1% da queda. Foi a primeira vez que todos os grandes doadores diminuíram as doações por dois anos seguidos: Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).
O corte americano coincide com o início do novo mandato de Donald Trump, que tem posição contra o multilateralismo. Outro fator é o direcionamento de recursos para segurança energética e defesa. Os gastos com defesa dos EUA subiram de US$ 822,8 bilhões para US$ 845,3 bilhões. Na UE, o salto foi de 11%, chegando a 381 bilhões de euros.
Quem mais sente o impacto
A África Subsaariana viu os recursos caírem 23%, para US$ 29,2 bilhões. Para 2026, a projeção é nova redução de 11,6%, com US$ 11,8 bilhões a menos. A região concentra 32 dos 49 países classificados pela ONU como Países Menos Desenvolvidos.
A Ucrânia, em guerra com a Rússia, segue como prioridade estratégica. Mesmo com corte de 91% da ajuda dos EUA, recebeu US$ 44,9 bilhões, o maior valor individual da história da AOD. O montante supera os US$ 28,1 bilhões destinados aos 44 países menos desenvolvidos.
O custo humano do corte
Segundo estimativas da Oxfam, os cortes em 2025 podem ter causado 695.238 mortes em excesso. Se a tendência continuar, podem chegar a 9.416.417 mortes até 2030. Na COP30, em Belém, falava-se em mobilizar US$ 1,3 trilhão para o clima, valor considerado "praticamente inalcançável".
O estudo sugere direcionar recursos aos países mais pobres, planejar saídas de financiamento de forma coordenada e tornar a ajuda mais eficaz.
Perguntas Frequentes
Qual foi o maior corte da história da ajuda internacional?
O corte de 23,1% em 2025 é o maior já registrado, com queda de US$ 52,4 bilhões em relação a 2024.
Quais países mais cortaram a ajuda?
Os EUA cortaram 56,9%, seguidos por Alemanha (-17,4%), França (-10,9%), Reino Unido (-10,8%) e Japão (-5,6%).
O que projeta para 2026?
Nova redução de 6,9%, o que levaria a ajuda ao mesmo nível de 2014, configurando o terceiro ano seguido de queda.