# XP projeta Selic mais baixa e eleva recomendação para títulos prefixados

> A XP Investimentos elevou a recomendação para títulos prefixados nas carteiras de setembro, projetando Selic mais baixa no horizonte. A corretora reduziu a exposição a crédito privado pós-fixado e encurtou o prazo médio dos papéis de quatro para três anos. A alocação por perfil de investidor foi ajustada para capturar a queda esperada da taxa básica.

*Global Forum · Investimentos · 03 de setembro de 2026 · Helena Drumond*

A XP elevou a exposição a títulos prefixados nas carteiras recomendadas para setembro, reduzindo crédito privado pós-fixado. O prazo médio caiu de quatro para três anos. Entenda o movimento e as alocações por perfil.

A XP elevou a exposição a títulos prefixados nas carteiras recomendadas para setembro e reduziu a alocação em crédito privado pós-fixado. O movimento é descrito pela casa como um ajuste marginal dentro da renda fixa doméstica, que segue como principal posição dos portfólios. O prazo médio recomendado para os prefixados caiu de quatro para três anos.

A mudança reflete a avaliação de que a desaceleração gradual da economia e a perspectiva de mais cortes de juros tornam a relação entre risco e retorno dos prefixados mais atrativa. Ao mesmo tempo, a corretora passa a ser mais criteriosa na escolha de papéis de crédito. Na carteira conservadora, os prefixados respondem por 6% do total; na moderada, por 11%; e na sofisticada, por 9,5%. Os pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%, dos quais 20 pontos percentuais correspondem à reserva mínima em caixa. Nos perfis moderado e sofisticado, a classe responde por 34,5% e 14%, respectivamente.

A XP sustenta que a atividade econômica mais fraca e os índices de inflação recentes podem abrir espaço para uma redução da Selic maior do que o mercado já embute nos preços. Nesse cenário, a queda das taxas futuras tende a favorecer a classe: quem compra hoje pode revender o papel no secundário com prêmio extra. "Não estamos aumentando a exposição porque deixamos de reconhecer os riscos inflacionários, fiscais e eleitorais, mas porque entendemos que o prêmio presente na curva curta oferece uma relação mais favorável entre risco e retorno", reforça o time de alocação da casa, chefiado pelo CIO Artur Wichmann, em relatório.

A cautela recai sobre os vencimentos mais distantes, mais sensíveis a mudanças na percepção de risco. A proximidade das eleições e a baixa visibilidade sobre as contas públicas justificam, segundo a casa, a preferência por papéis com prazos mais curtos, que capturam mais diretamente o efeito da política monetária. Nos papéis atrelados ao IPCA, a XP manteve posição abaixo do neutro no curto prazo, decisão atribuída à maior probabilidade de inflação mais comportada com atividade em desaceleração. A alocação vai de 12,5% na conservadora a 27,5% na sofisticada, com prazo médio próximo de seis anos.

No crédito privado, a XP adota maior seletividade, diante do aumento no número de recuperações judiciais, piora nas avaliações de risco das empresas e condições de financiamento mais restritivas. Ainda assim, a corretora afasta a leitura de problema generalizado: os balanços não indicam estresse no sistema nem deterioração ampla da liquidez. A ressalva é sobre remuneração: os prêmios oferecidos hoje podem não compensar adequadamente os riscos.

Na renda variável doméstica, a XP segue com posição abaixo da referência de longo prazo, com 5% na moderada e 15% na sofisticada; a conservadora não tem exposição, por incertezas fiscais e eleitorais. A casa reconhece o suporte dos termos de troca favoráveis, impulsionados pela alta das commodities, e avaliações atrativas em vários segmentos da bolsa. As carteiras preveem retorno de IPCA mais 6% no conservador, IPCA mais 7% no moderado e IPCA mais 8% no sofisticado, com metas de oscilação de 1,25%, 4% e 8%. A corretora recomenda ainda que ao menos 15% do patrimônio esteja em uma carteira global em dólar.

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