WEG recebe dupla elevação para compra com nova fase de crescimento; ações saltam
Com resultados positivos do 2T26, JPMorgan e Bradesco BBI elevaram a recomendação da WEG para compra, citando nova fase de aceleração de crescimento, capacidade de transformadores e valuation atrativo. As ações WEGE3 subiram 3,89%, a R$ 47,78.
WEG recebe dupla elevação para compra com nova fase de crescimento; ações saltam
Com os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) positivos para a fabricante de motores elétricos WEG (WEGE3), analistas de mercado revisaram suas projeções e passaram a ser mais otimistas com a ação. Os ativos WEGE3 são destaque de alta na sessão desta segunda-feira (27), com os papéis subindo 3,89%, a R$ 47,78.
Tanto o JPMorgan quanto o Bradesco BBI elevaram suas recomendações para a companhia, citando uma combinação de crescimento mais forte à frente, valuation mais atrativo e oportunidades estruturais ligadas à eletrificação, infraestrutura de transmissão e armazenamento de energia.
Bradesco BBI eleva recomendação para compra com preço-alvo de R$ 60
O movimento mais recente veio do Bradesco BBI, que elevou a recomendação para outperform (equivalente à compra), ante neutra, e aumentou o preço-alvo para R$ 60, contra R$ 48 anteriormente, enxergando potencial de valorização de cerca de 30%. Para os analistas Daniel Federle, Camila Koga e Pedro Martins, a empresa está entrando em uma nova fase de aceleração de crescimento após anos de investimentos em expansão de capacidade.
JPMorgan também promove ação para overweight com alvo de R$ 56
Na sexta-feira da semana passada, o JPMorgan também promoveu a ação para overweight (exposição acima da média do mercado), equivalente à compra, definindo preço-alvo de R$ 56 para dezembro de 2027, o que representa potencial de alta de aproximadamente 22%.
Segundo o BBI, a principal mudança na tese é que a WEG está deixando para trás um período de crescimento mais moderado. O banco projeta que o crescimento da receita, em bases neutras de câmbio, acelere para 11% no quarto trimestre de 2026, alcance 17% em 2027 e permaneça em 16% em 2028. O avanço será sustentado principalmente pela entrada em operação das expansões de capacidade de transformadores e por novos negócios que começam a ganhar relevância.
O JPMorgan também destaca a retomada do crescimento como um dos pilares da recomendação. A instituição projeta expansão de receita de cerca de 16% em 2027, após um primeiro semestre de 2026 mais fraco, avaliando que a empresa voltará a apresentar um ritmo de crescimento compatível com seu histórico.
Capacidade de transformadores impulsiona a tese
Um dos principais gatilhos apontados pelo Bradesco BBI é a expansão da capacidade produtiva de transformadores. O banco estima que a WEG dobrará sua capacidade nesse segmento até 2027 em comparação com 2023. Parte relevante dessa expansão começou a entrar em operação neste ano, especialmente com as unidades de Betim (MG) e Gravataí (RS).
Segundo os analistas, essas novas instalações podem adicionar cerca de R$ 450 milhões em receita por trimestre quando estiverem plenamente utilizadas, contribuindo para um crescimento de 23% da receita doméstica do segmento de geração, transmissão e distribuição de energia (GTD) até o fim de 2027.
O BBI calcula que a expansão de capacidade poderá gerar aproximadamente R$ 7,5 bilhões em receita anual incremental, tornando-se o principal vetor de crescimento da companhia nos próximos anos.
Eletrificação e armazenamento de energia como vetores de crescimento
Outro tema destacado pelos dois bancos é o potencial ligado à eletrificação e ao armazenamento de energia. O Bradesco BBI vê a WEG como uma das principais beneficiárias do primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), previsto para dezembro. A instituição estima que a companhia possa capturar cerca de R$ 2 bilhões em receitas apenas com essa primeira rodada de projetos.
Além disso, o banco aponta que o avanço dos data centers, a modernização das redes elétricas e os investimentos globais em geração renovável criam um cenário favorável para diversas linhas de produtos da companhia.
O JPMorgan compartilha visão semelhante e cita transformadores, sistemas BESS e motores síncronos entre as principais frentes de crescimento estrutural da empresa, beneficiadas pela tendência global de eletrificação.
Valuation atrativo: prêmio diminuiu nos últimos meses
Embora a WEG historicamente negocie com prêmio em relação aos concorrentes globais, os dois bancos argumentam que essa diferença diminuiu nos últimos meses. O Bradesco BBI destaca que a ação negocia a cerca de 27 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, nível ligeiramente abaixo tanto da média histórica quanto dos pares internacionais. Na avaliação do banco, a volta do crescimento para patamares de dois dígitos pode levar o mercado a atribuir novamente um prêmio ao papel.
Já o JPMorgan calcula que a companhia negocia a 17,1 vezes EV/Ebitda projetado para 2027, com desconto em relação a empresas globais de crescimento semelhante e também abaixo de sua própria média histórica. O banco ressalta que o prêmio da WEG frente aos concorrentes caiu para algo entre 4% e 10%, distante dos 60% a 70% observados historicamente.
WEG como ação defensiva para as eleições de 2026
Além dos fundamentos operacionais, o JPMorgan vê a WEG como uma das ações mais defensivas da bolsa brasileira para atravessar o período de maior volatilidade associado às eleições de 2026. A justificativa está na forte diversificação geográfica da companhia. Cerca de 60% das receitas vêm dos mercados internacionais, o que reduz a dependência do ambiente doméstico e torna o papel uma alternativa para investidores que buscam proteção em um cenário de incerteza política e juros elevados por mais tempo.
Riscos: tarifas dos EUA no radar
Apesar da visão positiva, tanto JPMorgan quanto Bradesco BBI destacam que as tarifas impostas pelos Estados Unidos permanecem como um fator de atenção para margens no curto prazo. Ainda assim, as duas casas avaliam que ganhos de escala, reajustes de preços e maior utilização das novas fábricas devem compensar boa parte dessas pressões ao longo de 2027.
Perguntas Frequentes
Quanto subiu a ação da WEG após a dupla elevação?
Os papéis WEGE3 subiram 3,89% na sessão desta segunda-feira (27), cotados a R$ 47,78.
Qual o preço-alvo do Bradesco BBI para a WEG?
O Bradesco BBI elevou o preço-alvo para R$ 60, ante R$ 48, com potencial de valorização de cerca de 30%.
Qual o preço-alvo do JPMorgan para a WEG?
O JPMorgan definiu preço-alvo de R$ 56 para dezembro de 2027, com potencial de alta de aproximadamente 22%.
Por que os bancos estão otimistas com a WEG?
Os bancos citam nova fase de aceleração de crescimento, expansão da capacidade de transformadores, oportunidades em eletrificação e armazenamento de energia, além de valuation mais atrativo.
Qual o principal gatilho para o crescimento da WEG?
A expansão da capacidade produtiva de transformadores, que pode gerar aproximadamente R$ 7,5 bilhões em receita anual incremental, segundo o Bradesco BBI.
Como investir em ações da WEG O que é valuation e como analisar