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Usiminas entrega 2T em linha, mas ação cai forte com sinais negativos

ResumoUsiminas (USIM5) registrou resultado do 2T26 em linha com as expectativas do mercado. A ação da siderúrgica recuou 3,61% na quinta-feira (30) após analistas do Bradesco BBI, Itaú BBA e JPMorgan expressarem cautela sobre as perspectivas futuras da companhia.

A Usiminas (USIM5) divulgou resultado em linha com o esperado no 2T26, mas a ação caiu 3,61% nesta quinta-feira (30) após analistas do Bradesco BBI, Itaú BBA e JPMorgan adotarem cautela com o futuro da companhia.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 30 de julho de 2026
Usiminas entrega 2T em linha, mas ação cai forte com sinais negativos

A Usiminas (USIM5) divulgou resultado considerado em linha com as expectativas do mercado no segundo trimestre de 2026. Mas a mensagem predominante entre analistas após o balanço foi de cautela para os próximos meses. Com isso, às 10h25 (horário de Brasília) desta quinta-feira (30), os papéis caíam 3,61%, cotados a R$ 8,02.

A Usiminas entrega 2T em linha, mas ação cai forte com sinais negativos para frente. O lucro operacional reportado alcançou R$ 761 milhões, incluindo aproximadamente R$ 70 milhões em ganhos não recorrentes na divisão de siderurgia, relacionados ao recebimento de uma ação judicial e à venda de um ativo não operacional.

O que pesou no balanço da Usiminas no 2T26

Embora a companhia tenha mostrado melhora operacional na siderurgia, os sinais de pressão sobre custos, enfraquecimento do mercado de aços planos e perspectivas mais fracas para a mineração levaram casas como Bradesco BBI, Itaú BBA e JPMorgan a adotar uma leitura conservadora para o restante do ano.

Pressão de custos e guidance fraco preocupam

O ponto que mais preocupa os analistas está no guidance para o terceiro trimestre. A administração indicou que espera resultados "estáveis" na siderurgia, desconsiderando os efeitos não recorrentes registrados entre abril e junho. Na prática, isso significa que o aumento esperado dos volumes domésticos e dos preços para clientes industriais deverá ser totalmente compensado pelo avanço dos custos de matérias-primas.

Para o Bradesco BBI, essa sinalização sugere que o segundo trimestre pode ter sido o ponto mais forte do ano para a companhia. A casa avalia que os riscos para o terceiro trimestre são assimétricos para baixo, diante do enfraquecimento observado no mercado de aços planos e da inevitável incorporação dos custos mais altos de carvão metalúrgico e placas ao longo dos próximos meses.

Siderurgia: o lado positivo que não compensa

O principal destaque positivo veio da operação de aço. O Ebitda recorrente da divisão atingiu R$ 618 milhões, avanço de cerca de 13% na comparação trimestral, impulsionado pelos reajustes de preços e por um mix de vendas mais favorável, com maior participação dos produtos voltados ao setor automotivo.

A companhia continuou priorizando produtos de maior valor agregado. As vendas para montadoras passaram a representar 37,7% das entregas domésticas, acima do trimestre anterior. Esse movimento ajudou a elevar a receita por tonelada em cerca de 5% na comparação sequencial, compensando a queda de volumes. Os embarques totais de aço recuaram 2% frente ao primeiro trimestre, para 989 mil toneladas, refletindo o enfraquecimento das exportações.

Por outro lado, a pressão de custos segue crescendo. O custo dos produtos vendidos por tonelada avançou 2% segundo o Bradesco BBI e cerca de 8% na visão do Itaú BBA e do JPMorgan, refletindo o impacto mais forte dos preços de carvão, coque e placas de aço, além de maiores despesas de manutenção.

Mineração: queda de 36% no Ebitda e sinais de piora

A divisão de mineração também trouxe sinais menos animadores. O Ebitda da MUSA somou R$ 71 milhões, queda de 36% em relação ao primeiro trimestre. Apesar de os volumes vendidos terem superado as expectativas e de a produção ter se recuperado após as fortes chuvas observadas em Minas Gerais no início do ano, a queda dos preços realizados do minério de ferro e os custos logísticos mais elevados pressionaram os resultados.

Segundo o Bradesco BBI, parte da surpresa positiva frente às estimativas veio de um processo de redução de estoques no trimestre, que elevou os volumes de venda acima do esperado. No entanto, esse efeito não deve se repetir adiante. Para o terceiro trimestre, a própria companhia prevê piora da rentabilidade da mineração, citando menores volumes comercializados e o peso crescente dos fretes marítimos.

O JPMorgan destacou que a rota marítima C3, uma das principais referências do mercado, passou a representar cerca de 33% do preço global do minério de ferro, aproximadamente 10 pontos percentuais acima da média histórica recente, elevando a pressão sobre as margens do negócio mineral.

Caixa forte, mas investimentos em queda

Em termos financeiros, um dos aspectos positivos do trimestre foi a continuidade da forte posição de caixa da companhia. A Usiminas encerrou junho com caixa líquido de R$ 499 milhões, acima dos R$ 391 milhões registrados três meses antes. Além disso, o fluxo de caixa livre recorrente foi considerado um destaque positivo pelo Bradesco BBI.

Outro anúncio relevante foi a redução da projeção de investimentos para 2026. A empresa cortou o guidance de capex para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, ante previsão anterior entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão. A medida foi interpretada como um sinal de maior disciplina financeira em um momento de perspectivas menos favoráveis para o setor.

O que esperar da ação USIM5 no 2º semestre

No balanço final, apesar de os números terem vindo alinhados às expectativas, os analistas enxergam uma deterioração gradual dos fundamentos para o restante do ano. O Itaú BBA classificou o resultado do trimestre como neutro, mas considerou negativa a perspectiva para o terceiro trimestre. Já o Bradesco BBI avalia que o consenso ainda está excessivamente otimista para os próximos resultados e vê risco de revisões para baixo nas estimativas de Ebitda da companhia.

Para o BBI, a combinação de demanda mais fraca por aço plano, custos mais elevados e piora esperada na mineração reduz a visibilidade para uma continuidade da recuperação observada ao longo dos últimos trimestres. Por isso, a casa mantém recomendação neutra para a ação e entende que o impulso de resultados da Usiminas tende a perder força no segundo semestre de 2026.

Perguntas Frequentes

Por que a ação da Usiminas caiu após o balanço do 2T26?

A ação caiu 3,61% porque, apesar do resultado em linha com expectativas, analistas do Bradesco BBI, Itaú BBA e JPMorgan veem pressão de custos, enfraquecimento do mercado de aços planos e perspectivas fracas para a mineração.

Qual foi o lucro operacional da Usiminas no 2T26?

O lucro operacional reportado foi de R$ 761 milhões, incluindo aproximadamente R$ 70 milhões em ganhos não recorrentes na divisão de siderurgia.

O guidance da Usiminas para o 3T26 é otimista?

A administração indicou resultados "estáveis" na siderurgia, mas analistas veem riscos assimétricos para baixo, com custos mais altos compensando ganhos de volume e preço.

Como está a posição de caixa da Usiminas?

A Usiminas encerrou junho com caixa líquido de R$ 499 milhões, acima dos R$ 391 milhões do trimestre anterior.

A Usiminas reduziu os investimentos para 2026?

Sim, a empresa cortou o guidance de capex para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, ante previsão anterior entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão.

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