Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caem forte após dados abaixo das expectativas
As ações da Tenda (TEND3) e da Cury (CURY3) registraram forte queda nesta quarta-feira, após a divulgação de prévias operacionais abaixo do esperado pelo mercado. O movimento reflete a desaceleração no setor de construção civil de baixa renda e levanta dúvidas sobre a sustentabil
Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caem forte após dados abaixo das expectativas
As ações da Tenda (TEND3) e da Cury (CURY3) lideraram as perdas do setor de construção civil na B3 nesta quarta-feira, 11 de junho, após a divulgação de prévias operacionais do primeiro trimestre de 2026 que frustraram as projeções dos analistas. A Tenda recuou 8,2%, enquanto a Cury caiu 6,5%, refletindo a percepção de que o mercado de baixa renda enfrenta ventos contrários mais fortes do que o esperado. A pergunta que fica é: quem paga a conta dessa desaceleração?
Resposta direta: As ações da Tenda (TEND3) e da Cury (CURY3) caíram forte na B3 após as empresas divulgarem prévias operacionais com dados de vendas e lançamentos abaixo das expectativas do mercado. A Tenda reportou queda nos lançamentos, enquanto a Cury viu margens pressionadas. O movimento reflete a desaceleração do setor de baixa renda e a percepção de risco dos investidores.
O que as prévias operacionais de Tenda e Cury revelaram
Tenda (TEND3): queda nos lançamentos e vendas líquidas
A Tenda divulgou na terça-feira (10) sua prévia operacional do 1T26. Segundo o relatório, os lançamentos somaram R$ 420 milhões, queda de 12% ante o mesmo período de 2025, enquanto as vendas líquidas atingiram R$ 380 milhões, recuo de 9% na mesma base de comparação. A empresa atribuiu o resultado à "maior seletividade na aprovação de crédito" e ao "alongamento do ciclo de vendas" nos empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
O dado mais preocupante, no entanto, veio da margem bruta: caiu de 32% para 28,5%, pressionada pelo custo dos terrenos e pela inflação de materiais. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 4,8% nos 12 meses até maio de 2026, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o que comprimiu as margens de incorporadoras focadas em baixa renda.
Cury (CURY3): vendas abaixo do esperado e estoque elevado
A Cury, por sua vez, reportou vendas líquidas de R$ 510 milhões no 1T26, crescimento de 5% ante o 1T25, mas 8% abaixo da mediana das projeções de mercado compiladas pela Bloomberg. Os lançamentos somaram R$ 480 milhões, estáveis em relação ao ano anterior, mas o estoque de imóveis prontos subiu 15%, para R$ 320 milhões, sinal de que a velocidade de vendas perdeu ritmo.
A empresa destacou que o distrato líquido (desistências de compra) ficou em 2,3% das vendas contratadas, acima da média histórica de 1,8%. O movimento é atribuído à maior dificuldade de aprovação de financiamento pela Caixa Econômica Federal, que responde por cerca de 70% dos contratos do segmento.
Por que o mercado reagiu com tanta força?
O contexto macroeconômico aperta o crédito
A combinação de juros altos e inflação persistente tem reduzido o poder de compra das famílias de baixa renda, público-alvo de Tenda e Cury. A taxa Selic, mantida em 14,25% ao ano pelo Banco Central na reunião de maio de 2026, encarece o crédito imobiliário e alonga o prazo de aprovação dos financiamentos. Para um comprador do Minha Casa, Minha Vida, cada ponto percentual de alta nos juros representa um aumento de cerca de R$ 80 na prestação mensal de um imóvel de R$ 200 mil.
Além disso, o IPCA acumulado em 12 meses até maio ficou em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3,5%, o que pressiona os custos de construção e reduz a margem das incorporadoras.
O setor de baixa renda perde fôlego
Dados do Banco Central indicam que a concessão de crédito imobiliário para pessoas físicas somou R$ 12,8 bilhões em abril, queda de 6% ante março e de 3% ante abril de 2025. A desaceleração é mais acentuada no segmento de imóveis de até R$ 350 mil, que responde por 80% do mercado de Tenda e Cury.
O resultado é que as incorporadoras precisam competir por um número menor de compradores qualificados, o que pressiona preços e margens. A Tenda, por exemplo, reduziu o preço médio de seus imóveis em 4% no trimestre para estimular vendas, medida que comprime a rentabilidade.
O que esperar para as ações de Tenda e Cury?
Riscos de curto prazo
O mercado deve seguir cauteloso com o papel até que haja sinais concretos de melhora no fluxo de vendas. A temporada de balanços do 1T26, que começa em julho, será o próximo catalisador. Se os resultados confirmarem a tendência de margens apertadas e estoques elevados, novas revisões de preço-alvo podem ocorrer.
O BTG Pactual cortou o preço-alvo da Tenda de R$ 12 para R$ 10, mantendo recomendação neutra análise de ações TEND3. Já o Itaú BBA reduziu o target da Cury de R$ 18 para R$ 15, com recomendação de compra apenas para investidores de longo prazo.
Oportunidades para quem tem estômago
Para investidores com perfil de risco elevado, a queda pode representar uma oportunidade de entrada. A Tenda negocia a 5,2 vezes o lucro estimado para 2026, abaixo da média histórica de 8 vezes. A Cury está a 6,8 vezes, também descontada. Mas o valuation só se justifica se houver recuperação das margens e do volume de vendas, algo que depende de juros mais baixos e de política habitacional estável.
O governo federal anunciou em maio a ampliação do orçamento do Minha Casa, Minha Vida em R$ 2,5 bilhões para 2026, mas o impacto só deve aparecer no segundo semestre. Até lá, o cenário é de pressão.
Perguntas Frequentes
Por que Tenda e Cury caíram tanto hoje?
As ações caíram forte após a divulgação de prévias operacionais do 1T26 com vendas e lançamentos abaixo das expectativas do mercado, além de margens pressionadas e estoque elevado.
O que significa a queda nas prévias operacionais?
Prévias operacionais são relatórios mensais ou trimestrais que as empresas divulgam com dados de vendas, lançamentos e distratos. Quando vêm abaixo do esperado, indicam desaceleração nos negócios e geram desconfiança sobre os resultados futuros.
Qual o impacto da Selic alta no setor imobiliário?
A Selic em 14,25% ao ano encarece o crédito imobiliário, reduz o poder de compra das famílias e aumenta o custo dos financiamentos, o que desacelera as vendas de imóveis, especialmente no segmento de baixa renda.
Devo vender minhas ações de Tenda e Cury?
A decisão depende do seu perfil de investidor. Se você tem horizonte de curto prazo e aversão a risco, pode ser prudente reduzir a exposição. Para investidores de longo prazo, o valuation descontado pode ser uma oportunidade, mas com cautela.
Quais os riscos para quem comprar agora?
Os principais riscos são a continuidade da desaceleração das vendas, novas pressões sobre margens e a possibilidade de revisões para baixo nos lucros. O cenário macroeconômico de juros altos e inflação pressionada segue desfavorável.
Quando Tenda e Cury podem se recuperar?
A recuperação depende de uma combinação de fatores: queda da Selic, melhora na aprovação de crédito imobiliário e retomada do programa Minha Casa, Minha Vida. O mercado espera sinais mais claros a partir do segundo semestre de 2026.