# Shein na Bolsa sem brilho expõe desgaste do fast-fashion

> A Shein estreou na Bolsa de Valores com queda de 10% nas ações, refletindo o desgaste do modelo fast-fashion. A desvalorização inicial expõe desafios trabalhistas, tarifários e de mudança de geração de consumidores. O desempenho fraco sinaliza menor apetite do mercado por varejistas de moda ultrarrápida, pressionadas por custos regulatórios e demanda por sustentabilidade.

*Global Forum · Investimentos · 02 de setembro de 2026 · Tânia Lustosa*

A Shein estreou na Bolsa com queda de 10% nas ações, sinalizando o desgaste do modelo fast-fashion. Entenda os desafios trabalhistas, tarifários e de geração que explicam o desempenho.

A Shein desembarcou na Bolsa nesta terça-feira com um desempenho que confirma o desgaste do modelo de negócios do fast-fashion. As ações chegaram a cair 10% na estreia antes de se recuperar parcialmente e encerrar próximas ao preço da oferta. Foi um início modesto para uma companhia que já valeu US$ 100 bilhões e hoje está avaliada em cerca de um quarto desse valor.

O que mudou desde o auge? Quando se apresentou ao mundo há alguns anos, a Shein vendeu a ideia de uma nova era da moda: rápida, baseada em tecnologia e sustentada por um sistema sob demanda capaz de criar 4.700 novos estilos por dia. Hoje, porém, esse modelo parece ultrapassado para os investidores.

Nas pequenas fábricas que formam a espinha dorsal das operações da Shein no polo industrial de Guangdong, no sudeste da China, não há robôs humanoides ou tecnologias de ponta. Há dezenas de trabalhadores com jornadas de 10 a 14 horas por dia, em um cenário que lembra a China de décadas atrás.

"Ela representa a velha tecnologia, em contraste com a nova", afirmou Nirgunan Tiruchelvam, da Aletheia Capital, consultoria focada na Ásia. "A Shein teria despertado muito mais interesse dos investidores em 2021. Mas o mercado seguiu em frente e perdeu o entusiasmo por grandes estreias de comércio eletrônico."

A abertura de capital aconteceu após uma onda de listagens de empresas chinesas ligadas à inteligência artificial em Hong Kong e Xangai, e anos depois de a Shein fracassar em Nova York e Londres, diante da oposição de autoridades e ativistas preocupados com as condições de trabalho em sua cadeia produtiva.

A queda na avaliação reflete dúvidas sobre a sustentabilidade do negócio e sobre a capacidade de crescer após Estados Unidos e Europa encerrarem benefícios tarifários sobre produtos de baixo valor, fator essencial para sustentar preços reduzidos. Weiheng Chen, sócio da Wilson Sonsini em Hong Kong, observou que investidores institucionais absorveram pouco mais de 20% da oferta antes da estreia, bem abaixo dos cerca de 50% normalmente vistos em listagens de sucesso.

"É uma empresa de moda que já não está tão na moda entre os investidores de hoje", afirmou Chen.

Um dos maiores desafios será reconquistar a Geração Z, que impulsionou o crescimento durante a pandemia. Michael Gunther, da Consumer Edge, afirmou que a Shein continua perdendo participação de mercado nos EUA, especialmente entre consumidores de 18 a 34 anos. Preocupações com sustentabilidade e até com a acessibilidade dos preços podem estar por trás da mudança.

Em maio de 2025, a companhia elevou preços nos Estados Unidos para compensar o aumento dos custos de importação. No Reino Unido, os ganhos desaceleraram. Na Europa, onde existe uma taxa de 3 euros para encomendas importadas, a empresa perde espaço, especialmente na França e na Espanha.

Fundada em 2012 por Sky Xu Yangtian, a Shein reduziu o ciclo de desenvolvimento da moda de meses para dias, usando algoritmos para identificar tendências e produzindo lotes iniciais de poucas centenas de peças. Em poucos anos, tornou-se a maior varejista de moda online do mundo.

Por trás do crescimento, porém, estão dezenas de milhares de trabalhadores sob ritmo intenso. Relatório da ONG China Labor Watch, compartilhado com o New York Times, aponta funcionários de fornecedores com mais de 20 dias consecutivos sem folga, pausas de 10 minutos e remuneração entre US$ 850 e US$ 1.130 por mês, apenas porque trabalham fins de semana. A Shein rejeitou as alegações e contestou os dados salariais.

Além das críticas trabalhistas, a empresa enfrenta acusações de copiar designs. Desde 2021, foi citada como ré em 58 processos nos EUA por supostas violações de propriedade intelectual. A companhia afirma que ser processada não comprova a validade das alegações.

Winston Ma, ex-diretor da China Investment Corp., comparou o caso ao da Zoom: "Era um conceito extremamente promissor durante a Covid. Mas agora foi ofuscado pela nova era da inteligência artificial." como o fast-fashion se adapta à nova economia

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/shein-chega-bolsa-sem-brilho-expoe-desgaste-modelo-negocios-fast-fashion/
