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Ibovespa encara CPI e IPCA com rali em curso; veja cenários

ResumoIbovespa enfrenta nesta sexta-feira o CPI americano e o IPCA brasileiro após fechar aos 188.268 pontos, com alta de 1,42%. Os dois indicadores influenciam diretamente as apostas do mercado para as decisões de juros do Federal Reserve e do Copom, definindo o rumo do índice na sessão.

Depois de subir 1,42% e fechar aos 188.268 pontos, o Ibovespa enfrenta nesta sexta-feira dois indicadores que mexem com juros no Brasil e nos EUA: o CPI americano e o IPCA. O mercado mede como cada número altera as apostas para Fed e Copom.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 11 de setembro de 2026
Ibovespa encara CPI e IPCA com rali em curso; veja cenários

Depois de fechar a quinta-feira (10) em alta de 1,42%, aos 188.268 pontos, o Ibovespa chega ao pregão desta sexta-feira (11) diante de dois indicadores capazes de mexer com as expectativas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Lá fora sai o CPI, índice de preços ao consumidor americano. Por aqui, o IPCA, inflação oficial do país. Os dois dados serão acompanhados de perto porque chegam poucos dias antes das reuniões do Federal Reserve e do Copom.

O ponto de partida é bastante diferente nos dois países. Nos Estados Unidos, o mercado atribui 73,1% de probabilidade a uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros em setembro, segundo o CME FedWatch. No Brasil, as Opções de Copom da B3 indicam 95% de chance de corte de 0,25 ponto percentual da Selic, hoje em 14% ao ano.

O que o CPI americano muda para quem investe

A expectativa é de que o CPI tenha avançado 0,4% em agosto e 3,4% em 12 meses. Para o núcleo, que exclui componentes mais voláteis, o consenso aponta alta de 0,2% no mês e 2,4% no ano. O indicador chega depois de outros números que já alimentam o debate sobre a política monetária americana. Na semana passada, o payroll mostrou criação de 162 mil empregos, muito acima do esperado. Nesta quinta-feira, o PPI avançou 0,4% em agosto, em linha com o consenso, e 5,4% em 12 meses.

Para Pablo Spyer, economista e sócio da XP, a atenção não deverá ficar restrita ao índice cheio. "A atenção recairá sobre o núcleo da inflação e a composição do índice", afirma. Segundo ele, uma surpresa para cima, especialmente com pressão em serviços, poderia elevar ainda mais a probabilidade de alta de juros na próxima reunião. Rafael Perretti, economista e analista da Clear Corretora, também vê o CPI como um dado capaz de confirmar ou alterar a atual precificação do mercado.

O efeito passa pelas expectativas de juros, pelos Treasuries e pelo dólar. Um CPI acima do esperado tende a aumentar as apostas de política monetária mais restritiva, o que pode elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e dar força ao dólar, reduzindo a atratividade relativa dos emergentes. O movimento contrário também é possível. Spyer ressalta que a leitura não deve terminar no número do CPI: "Para o Ibovespa, não basta só olhar para o CPI e ver se veio acima ou abaixo do consenso".

IPCA e o espaço para corte da Selic

No Brasil, a expectativa é de queda de 0,29% do IPCA em agosto e inflação acumulada de 4,27% em 12 meses. As Opções de Copom negociadas na B3 apontam cerca de 95% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic de 14% para 13,75% ao ano. No Boletim Focus divulgado nesta semana, a projeção para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,75%. Para referência, o IPCA variou 0,07% em julho de 2026, segundo o Banco Central, e 0,16% em junho.

A discussão pode ir além da decisão imediata. Spyer avalia que um IPCA abaixo das expectativas, principalmente com melhora nos núcleos e na inflação de serviços, pode reforçar a percepção de desinflação e ampliar o espaço esperado para cortes adiante. Uma leitura mais pressionada teria efeito contrário. Alexandre Wolwacz, o Stormer, trader e sócio-fundador da Liberta, também relaciona o IPCA ao espaço para redução da Selic. Alison Correia, trader e sócia da Dom Investimentos, considera pouco provável mudança relevante na decisão já esperada apenas com o dado desta sexta.

André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, vê a inflação como variável central para definir a velocidade de queda dos juros. Nesta semana, o Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras e apontou um ciclo mais profundo de cortes da Selic como um dos gatilhos. Perretti acrescenta que a trajetória dos juros brasileiros também depende dos EUA: "A curva de juros brasileira é impactada diretamente pela inflação e pela curva de juros norte-americana também".

A divulgação dos dois índices no mesmo dia pode produzir sinais opostos. Um CPI mais forte nos EUA e um IPCA mais fraco no Brasil pressionariam a curva americana ao mesmo tempo em que o dado doméstico reforçaria as expectativas de queda da Selic. No cenário inverso, um CPI benigno ajudaria o ambiente externo, enquanto um IPCA acima das projeções pressionaria os juros locais. Se os dois vierem comportados, as duas curvas recebem sinais favoráveis. Se ambos surpreenderem para cima, o mercado terá de lidar com pressões simultâneas.

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