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Rali da Bolsa reduz shorts; veja onde ainda resistem

ResumoO Ibovespa acumula alta de 11,3% desde agosto, levando investidores a reduzirem posições vendidas (shorts) no mercado acionário brasileiro. O short interest mediano caiu para 6,5%, indicando menor aposta contra ações. Ainda persistem concentrações de shorts em papéis específicos, como os de varejo e construção civil, que seguem sob pressão de juros altos e desaceleração econômica.

Com a alta de 11,3% do Ibovespa desde agosto, investidores reduziram apostas na queda das ações. Short interest mediano caiu a 6,5%. Veja onde os shorts ainda resistem.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 09 de setembro de 2026
Rali da Bolsa reduz shorts; veja onde ainda resistem

Se você acompanha a Bolsa de perto, sabe o que um rali de 11,3% em duas semanas significa para quem apostava na queda. O Ibovespa fechou em 185.147,15 pontos em 4 de setembro, ante 166.336 na abertura de 19 de agosto, e isso mudou o jogo dos chamados shorts, as posições vendidas. Segundo o relatório XP Short Scout, divulgado nesta quarta-feira (9), o short interest mediano entre os papéis do índice caiu 0,7 ponto percentual, para 6,5%, enquanto o valor das posições vendidas em aberto recuou 10,5%, para R$ 121 bilhões. Os dados vão até o fechamento de 4 de setembro.

O movimento não foi uniforme. Entre os destaques da XP, Caixa Seguridade (CXSE3), MRV (MRVE3), Magazine Luiza (MGLU3), Hapvida (HAPV3) e Minerva (BEEF3) tiveram algumas das maiores quedas do short interest em relação ao free float nas últimas duas semanas. Em valor financeiro, os recuos relevantes apareceram em Eneva (ENEV3), Eucatex (EUCA4), Usiminas (USIM3), Caixa Seguridade e Trisul (TRIS3). A leitura converge com o Bank of America, que na terça-feira (8) elevou a recomendação para ações brasileiras citando melhora de fluxos e redução das posições vendidas.

Ainda assim, há resistência. Casas Bahia (BHIA3) lidera o ranking da XP, com 30% do free float em posições vendidas, seguida por Minerva, SLC Agrícola, Boa Safra e 3tentos. Os dez papéis do ranking têm short interest de 19,5% ou mais. Em BEEF3, o short interest recuou 5,6 pontos percentuais em 14 dias, mas permaneceu em 24,1%, o segundo maior do levantamento. A taxa de aluguel de BHIA3 está em 54,7%, atrás apenas da Natura (NATU3), com 64,6%. Pela metodologia da XP, short interest acima de 10% é considerado elevado.

Alguns papéis seguiram na direção contrária. A Ser Educacional (SEER3) viu o short interest subir 11,9 pontos percentuais, para 15,5%, enquanto a Motiva (MOTV3) avançou 6,7 p.p., para 11,1%. Em SEER3, o estoque financeiro das posições aumentou 348,6% em 14 dias, para R$ 96,95 milhões. Na Motiva, o valor chegou a R$ 1,75 bilhão, após alta de 174,1%, com taxa de aluguel em 8,1% e days to cover em 9,8 dias.

Um short é uma aposta na queda de uma ação, mas um nível elevado do indicador, isoladamente, não determina o comportamento futuro do papel. Quando uma ação com grande concentração de posições vendidas passa a subir, investidores podem recomprar os papéis para encerrar operações. Se as recompras forem concentradas, pode ocorrer um short squeeze, movimento de alta intensificado pela recompra dos vendidos. Para quem está de olho no curto prazo, os nomes com short ainda alto merecem atenção: a pressão compradora pode vir de onde menos se espera.

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