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Conselhos: só 39% têm maioria independente

ResumoUm estudo da XP analisou 141 companhias e revelou que apenas 39% possuem conselho de administração com maioria de membros independentes. Em 44% das empresas analisadas, todos os conselheiros foram indicados pelo acionista controlador, o que evidencia concentração de poder e fragilidade na governança corporativa brasileira.

Estudo da XP analisou 141 companhias e mostrou que só 39% têm conselho com maioria de membros independentes. Em 44% das empresas, todos os conselheiros foram indicados pelo acionista controlador.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 10 de setembro de 2026
Conselhos: só 39% têm maioria independente

Um levantamento da XP com 141 companhias mostra que apenas 39% têm conselho de administração com maioria de membros independentes. O estudo foi elaborado a partir dos Formulários de Referência publicados na CVM até 25 de agosto de 2026 e cobre empresas de 17 setores.

Apenas 39% das empresas analisadas têm conselho com maioria independente. Em 72% delas, ao menos metade dos assentos é ocupada por conselheiros eleitos pelo acionista controlador. Em 44% da amostra, todos os membros foram indicados pelo controlador.

Na média, 48% dos assentos são ocupados por independentes, percentual ligeiramente abaixo da referência de 50% citada pela XP com base nas recomendações da OCDE. A faixa entre 20% e 29% de independência é a mais frequente, presente em 31 companhias.

O dado que mais chama atenção é outro: 52% dos próprios conselheiros classificados como independentes foram eleitos pelo acionista controlador. A XP afirma que isso não retira, por si só, a condição de independência, mas pode afetar a percepção sobre os colegiados e merece ser considerada na avaliação de sua composição.

A distribuição varia entre setores. Entre os oito bancos analisados, os independentes representam cerca de 40% dos conselhos, e 92% dos assentos foram ocupados por membros eleitos pelo controlador. Em Petróleo, Gás e Petroquímicos, a independência média chega a 63%. No varejo, fica em aproximadamente 48%, e em Transportes, cerca de 43%.

A XP aponta a independência como a principal área de possível evolução entre as dimensões de governança avaliadas. O relatório ressalta que a análise também deve considerar se os membros independentes têm experiência, influência e autonomia para exercer a supervisão. Para o dono de empresa que acompanha o tema, o recado é prático: contar cadeiras não basta, importa saber quem elege e como o conselheiro vota.

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