Investimentos

Varejo 2T26: quem deve brilhar e decepcionar segundo bancos

ResumoA temporada de resultados do 2T26 no varejo apresenta expectativas mistas. Bancos como Safra, Itaú BBA e BTG Pactual indicam Smart Fit, RD Saúde e Panvel como destaques positivos. Natura e Grupo Mateus são apontados como potenciais decepções devido a pressões macroeconômicas e endividamento.

A temporada de resultados do 2T26 começa com expectativa de desempenhos mistos no varejo. Bancos como Safra, Itaú BBA e BTG Pactual apontam quem deve brilhar, Smart Fit, RD Saúde, Panvel, e quem pode decepcionar, como Natura e Grupo Mateus, em meio a pressões macro e endividament

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 20 de julho de 2026
Varejo 2T26: quem deve brilhar e decepcionar segundo bancos

Quem deve brilhar e decepcionar no varejo no 2T26? Veja apostas dos bancos

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) começa a ganhar tração e a expectativa é de que os números do setor varejista sejam marcados por desempenhos mistos entre os segmentos. De acordo com o Banco Safra, o ambiente macroeconômico mais desafiador, combinado ao elevado endividamento das famílias e à competição crescente no varejo, continua pressionando a demanda e aumentando a volatilidade operacional das companhias. Nesse cenário, empresas com maior capacidade de preservar margens e eficiência operacional tendem a se destacar, enquanto companhias mais expostas à desaceleração do consumo devem enfrentar pressão adicional sobre a rentabilidade.

Smart Fit deve ter resultados fortes com TotalPass

Na avaliação do Itaú BBA, a Smart Fit (SMFT3) deve apresentar resultados fortes e pode ter revisões para cima nas estimativas, com destaque para o TotalPass. O banco aponta que o serviço é beneficiado pela sazonalidade, com menos transferências para academias terceirizadas durante férias e Copa do Mundo, o que compensa a pressão nas academias próprias maduras no Brasil.

Farmácias: RD Saúde e Panvel com bom crescimento de receita

As redes de farmácias RD Saúde (RADL3) e Panvel (PNVL3) também devem ter bom crescimento de receita. Para Panvel, não se espera desaceleração no segundo trimestre contra o primeiro, já que a demanda por medicamentos GLP-1 continua forte. No caso de RD Saúde, a expectativa é de desaceleração mais leve que a do mercado e ganho de participação de mercado por mais um trimestre.

Grupo SBF deve ter melhor 2T em anos com Copa do Mundo

O Grupo SBF (SBFG3), dono das lojas Centauro e detentora dos direitos da Nike no Brasil por meio da subsidiária Fisia, deve ter seu melhor segundo trimestre em anos, ajudada pela Copa do Mundo e melhora de margem na Fisia.

Track & Field é destaque, mas atacado pressiona margens

Já o Banco Safra aponta a Track & Field (TFCO4) como um dos destaques do trimestre. A companhia deve continuar registrando crescimento sólido de vendas no segundo trimestre. Por outro lado, o Safra ressalta que o avanço mais acelerado do canal de atacado pode gerar uma leve pressão sobre as margens da empresa, uma vez que esse segmento possui rentabilidade estruturalmente inferior à do varejo próprio.

Alpargatas em recuperação gradual

O Safra também avalia que a Alpargatas (ALPA4) deve manter o processo gradual de recuperação operacional iniciado nos últimos trimestres. O banco projeta crescimento de 6% na receita, impulsionado pelo aumento do ticket médio no Brasil e pela melhora das operações internacionais. Além disso, os ganhos recentes de eficiência devem continuar favorecendo a rentabilidade.

Os riscos: Natura e Grupo Mateus com exposição ao Nordeste

Por outro lado, o Itaú BBA vê um cenário mais desafiador para Natura (NATU3) e Grupo Mateus (GMAT3), empresas com maior exposição ao Nordeste, região que vem apresentando desempenho inferior ao restante do país. Segundo o banco, o cenário reflete fatores como o possível aumento do comprometimento da renda das famílias com apostas e a redução dos estímulos fiscais após ajustes no Bolsa Família. No caso da Natura, a operação brasileira, principal geradora de valor da companhia, deve registrar queda de cerca de 14% na comparação anual, sem grande visibilidade de recuperação no curto prazo. Já o Grupo Mateus continua enfrentando um ambiente de consumo mais fraco e vendas em mesmas lojas (SSS) negativas em termos nominais, o que segue pressionando a rentabilidade. Ainda assim, o BBA destaca que melhorias operacionais devem começar a aparecer nos resultados do segundo trimestre.

Vivara e Azzas: pressões e dificuldades

Para a Vivara (VIVA3), o banco avalia que o crescimento da receita deve ser compensado pela pressão sobre a margem bruta e pelo aumento das despesas comerciais, mantendo o Ebitda praticamente estável na comparação anual. O desempenho também é impactado por uma base de comparação mais forte em 2025. Já a Azzas (AZZA3) deve reportar mais um trimestre pressionado por dificuldades em diferentes unidades de negócio, na avaliação do Banco Safra. Segundo o banco, a fraqueza das divisões de calçados, acessórios e vestuário feminino deve continuar afetando os resultados.

Varejo alimentar: BTG Pactual cauteloso com Assaí e Grupo Mateus

O BTG Pactual, por sua vez, reforçou sua visão cautelosa para empresas do varejo alimentar, como Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus, especialmente diante do espaço limitado para repassar preços sem pressionar ainda mais a demanda. "O setor não está em colapso, mas a qualidade do crescimento continua fraca: as unidades permanecem negativas e o volume físico está praticamente estável no acumulado do ano", comenta.

Vestuário: trimestre sólido, com C&A como destaque

Os analistas Rodrigo Gastim, Victor Rogatis e Vinicius Pretto, do Itaú BBA, avaliam que o setor de vestuário deve apresentar um segundo trimestre sólido, apesar da elevada base de comparação do mesmo período do ano passado. Segundo o banco, após um segundo trimestre bastante forte em 2025, o mercado esperava uma queda nas vendas em mesmas lojas (SSS) em 2026. No entanto, o cenário se mostrou mais favorável, e as empresas do segmento devem reportar crescimento positivo nas vendas, ainda que em ritmo ligeiramente menor que o observado no primeiro trimestre. Para os analistas, o desempenho continua sendo positivo em termos absolutos, embora as expectativas tenham se tornado mais elevadas após um mês de maio bastante forte. O entusiasmo do mercado, contudo, diminuiu depois de um junho mais fraco, o que reduz as chances de surpresas positivas relevantes nos resultados. Ainda assim, o BBA não vê sinais claros de revisões negativas para as estimativas do setor e mantém uma visão construtiva para as três principais empresas de vestuário acompanhadas pela instituição. Entre elas, a C&A (CEAB3) segue como a principal destaque, devido ao desconto relevante em relação às concorrentes Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3). Para o Safra, a Lojas Renner e a Riachuelo devem continuar apresentando crescimento resiliente das vendas, enquanto a C&A tende a enfrentar desempenho mais moderado. Segundo o Safra, a desaceleração da C&A está relacionada principalmente à normalização da categoria de beleza após mudanças recentes no portfólio.

Perguntas Frequentes

Quais bancos fizeram as apostas para o varejo no 2T26?

Os principais bancos que divulgaram análises foram Banco Safra, Itaú BBA e BTG Pactual, cada um com visões específicas para diferentes segmentos.

Qual empresa deve se destacar no 2T26 segundo os bancos?

Smart Fit, RD Saúde, Panvel, Grupo SBF e Track & Field são apontadas como destaques positivos, cada uma por motivos específicos como sazonalidade, demanda forte ou ganhos de eficiência.

Quais empresas podem decepcionar no 2T26?

Natura e Grupo Mateus são vistas com cautela pelo Itaú BBA, devido à exposição ao Nordeste e pressões macro. Vivara e Azzas também enfrentam desafios operacionais.

O setor de vestuário deve ter bons resultados no 2T26?

Sim, o Itaú BBA projeta um trimestre sólido para o setor, com crescimento positivo nas vendas, embora em ritmo menor que no 1T26. C&A é o destaque pelo desconto em relação a Renner e Riachuelo.

Como está a visão do BTG Pactual para o varejo alimentar?

O BTG Pactual mantém cautela para Assaí e Grupo Mateus, citando espaço limitado para repasse de preços e crescimento fraco, com unidades negativas e volume físico estável.

Leia também

Publicidade