# Na QI Tech, IPO perde espaço; venda para bancos e recompra entram no radar

> A QI Tech, fintech brasileira de infraestrutura financeira, sinalizou ao mercado que o IPO não é mais prioridade. A empresa avalia alternativas como venda para bancos ou recompra de ações, refletindo o momento do setor.

*Global Forum · Investimentos · 17 de julho de 2026 · Tânia Lustosa*

A QI Tech, uma das principais fintechs de infraestrutura financeira do Brasil, sinalizou ao mercado que o IPO não é mais prioridade. A empresa avalia agora venda para bancos ou recompra de ações, em movimento que reflete o momento do setor.

A QI Tech, fintech brasileira de infraestrutura financeira, recuou do plano de abrir capital na bolsa. A empresa avalia agora venda para bancos ou recompra de ações, em movimento que reflete o momento do setor.

A QI Tech, que atua como plataforma de serviços financeiros para empresas, desistiu do IPO (Oferta Pública Inicial) e agora considera alternativas estratégicas. Entre elas, a venda para instituições financeiras de grande porte ou a recompra de ações por parte de acionistas atuais. O movimento ocorre em um cenário de juros altos e baixa liquidez no mercado de capitais, que desestimula novas ofertas públicas.

## O recuo do IPO

A decisão de abandonar o IPO não é isolada. Em 2025, o mercado brasileiro de aberturas de capital registrou o menor volume desde 2016, com apenas três operações no primeiro semestre, segundo dados da B3. O ambiente de juros elevados, com a Selic em 14,25% ao ano, reduz o apetite por risco e torna o custo de capital mais alto para empresas de crescimento.

A QI Tech, fundada em 2018, havia contratado bancos como coordenadores da oferta em 2024, mas o processo foi suspenso em meio à volatilidade do mercado. A empresa, que já levantou mais de R$ 1 bilhão em rodadas de investimento, com investidores como Goldman Sachs e SoftBank, viu o valuation cair em meio à correção do setor de fintechs.

## Venda para bancos: a alternativa mais viável

A venda para bancos é vista como a alternativa mais concreta no curto prazo. A QI Tech, que oferece soluções de crédito, pagamentos e banking as a service, atrai interesse de grandes instituições financeiras que buscam acelerar a digitalização.

Bancos como Itaú, Bradesco e Santander têm histórico de aquisições de fintechs para ganhar tecnologia e base de clientes. Em 2024, o Itaú adquiriu a fintech de crédito Neon, enquanto o Bradesco comprou a plataforma de pagamentos Digio. A QI Tech, com sua infraestrutura modular, seria um alvo estratégico para qualquer um deles.

A venda para um banco traria à QI Tech acesso a capital e base de clientes, mas também implicaria perda de autonomia. A empresa, que hoje opera de forma independente, passaria a ser controlada por uma instituição regulada pelo Banco Central, o que pode alterar sua estratégia de produto.

## Recompra de ações: a saída para acionistas

Outra alternativa em avaliação é a recompra de ações por parte de acionistas atuais. A QI Tech, que tem entre seus investidores fundos de venture capital e private equity, pode oferecer liquidez a esses acionistas por meio de uma operação de recompra.

Essa alternativa é menos comum no mercado brasileiro, mas tem sido adotada por fintechs que não conseguem realizar o IPO. Em 2024, a fintech de crédito Creditas realizou uma recompra de ações de funcionários e investidores, como forma de oferecer saída sem abrir capital.

A recompra, no entanto, depende de caixa disponível. A QI Tech, que é lucrativa desde 2023, segundo fontes do mercado, teria condições de realizar a operação, mas o valor envolvido pode ser elevado. O valuation da empresa, estimado em R$ 5 bilhões em 2024, pode ter caído para algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, de acordo com analistas.

## O impacto no mercado de fintechs

A decisão da QI Tech reflete um momento de ajuste no setor de fintechs brasileiro. Após anos de crescimento acelerado e valuations inflados, o mercado passou por uma correção em 2025. O número de fintechs ativas no Brasil caiu de 1.200 em 2023 para cerca de 1.050 em 2025, segundo a Associação Brasileira de Fintechs.

A desistência do IPO pela QI Tech também sinaliza que o mercado de capitais brasileiro ainda não está maduro para receber empresas de tecnologia com modelos de negócio complexos. A empresa, que opera como plataforma de infraestrutura, tem receita recorrente e margens elevadas, mas seu modelo é de difícil compreensão para investidores de varejo.

## O que esperar da QI Tech

A QI Tech deve anunciar sua decisão nos próximos meses. A empresa contratou o banco BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar as alternativas. A expectativa é que a venda para um banco seja a opção mais provável, mas a recompra de ações não está descartada.

Para o mercado, a decisão da QI Tech é um indicador do momento do setor. Se a empresa optar pela venda, pode abrir caminho para outras fintechs seguirem o mesmo caminho. Se optar pela recompra, pode sinalizar que o IPO ainda é uma alternativa no longo prazo.

## Perguntas Frequentes

### Por que a QI Tech desistiu do IPO?

A QI Tech desistiu do IPO devido ao cenário de juros altos e baixa liquidez no mercado de capitais, que desestimula novas ofertas públicas.

### Quais são as alternativas da QI Tech?

A empresa avalia venda para bancos ou recompra de ações por parte de acionistas atuais.

### Quem são os investidores da QI Tech?

A QI Tech tem entre seus investidores o Goldman Sachs e o SoftBank, além de fundos de venture capital.

### Qual o valuation da QI Tech?

O valuation da QI Tech era estimado em R$ 5 bilhões em 2024, mas pode ter caído para algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

### O que a decisão da QI Tech significa para o mercado de fintechs?

A decisão reflete um momento de ajuste no setor, com correção de valuations e redução no número de fintechs ativas.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/qi-tech-ipo-perde-espaco-venda-bancos-recompra-entram-radar/
