# Plano de IPO da Amil mira R$ 40 bilhões após 'não' a Advent e Bain

> Amil recusou a proposta de controle da Advent e Bain, que avaliava a operadora em cerca de R$ 17 bilhões. A empresa mantém o plano de IPO com oferta estimada em R$ 40 bilhões, condicionada à recuperação operacional e a uma nova janela de mercado.

*Global Forum · Investimentos · 11 de setembro de 2026 · Wagner Sobral*

Amil recusou proposta de controle da Advent e Bain, que avaliava a operadora em cerca de R$ 17 bilhões. Junior mantém plano de IPO com oferta estimada em R$ 40 bilhões, condicionada à recuperação operacional e a uma nova janela de mercado.

As conversas entre a Amil e as gestoras Advent International e Bain Capital não avançaram por uma diferença que ia além do preço. José Seripieri Filho, o Junior, queria vender uma participação minoritária e manter o controle da operadora. Do outro lado, os fundos buscavam uma aquisição de controle: a preferência sempre foi por 100% da companhia, embora aceitassem uma fatia de 80%. Serem minoritários nunca foi opção para os fundos.

A avaliação discutida pelas gestoras girava em torno de R$ 17 bilhões. Se o negócio fosse fechado nesses termos, Junior cristalizaria uma valorização relevante em menos de três anos. Quando recomprou a Amil, no fim de 2023, a transação com a UnitedHealth avaliou o negócio em cerca de R$ 11 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 2 bilhões foram desembolsados e outros R$ 9 bilhões correspondiam a passivos assumidos.

Segundo interlocutores, pesou também a forma como a negociação foi conduzida. Ao longo das conversas, prevaleceu do outro lado da mesa a percepção de que Junior teria, de certa forma, a obrigação de vender a Amil. Isso gerou incômodo. Essa nunca foi a premissa do empresário, apesar de a proposta ser considerada, pelo lado comprador, difícil de recusar.

## O plano de IPO e a expectativa de R$ 40 bilhões

Junior não queria vender o controle. Aceitava se desfazer de uma fatia, desde que minoritária e pelo preço certo. O empresário pensa em uma saída para o investimento, mas em outro momento e por outro caminho: levar a Amil à bolsa quando o mercado voltar a oferecer condições para isso.

As projeções apresentadas a Junior pelo mercado financeiro partem da avaliação de que o ativo poderia chegar a um eventual IPO com uma oferta de pelo menos R$ 40 bilhões. É uma conta que pressupõe não apenas a continuidade da recuperação operacional, mas também uma janela de mercado bastante diferente da atual. A cifra equivale a cerca de 1,2 vez o faturamento de R$ 32,3 bilhões registrado pela companhia em 2025.

Para os fundos, uma participação minoritária não resolvia. A avaliação era que entrar na Amil sem o controle significaria dividir as decisões com Junior e apostar numa saída futura desenhada pelo próprio empresário. Não era a tese que levou Advent e Bain à mesa.

## A recuperação operacional que sustenta a tese

O empresário conhece bem o ativo. Fundou a Amil em 1978, vendeu o controle para a UnitedHealth em 2012 e, onze anos depois, comprou de volta a operação brasileira. Encontrou uma companhia deficitária: em 2023, a Amil faturou R$ 25,9 bilhões e teve prejuízo consolidado de R$ 4 bilhões, com perda operacional de R$ 1,6 bilhão.

A virada veio nos dois anos seguintes. A companhia voltou ao azul em 2024 e, em 2025, faturou R$ 32,3 bilhões e registrou resultado recorrente de R$ 1,9 bilhão. A operação de planos também melhorou, com queda de 4,4 pontos percentuais na sinistralidade e crescimento de 9,7% das receitas.

A carteira chegou a 6,1 milhões de beneficiários no fim de 2025. A recuperação também mudou a conta para Junior: ele desembolsou cerca de R$ 2 bilhões na aquisição e, desde então, as distribuições da Amil já superaram o valor colocado pelo empresário em equity para recomprar a companhia.

---

Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/plano-ipo-amil-expectativa-r-40-bilhoes-por-tras-nao-advent-bain/
