# PF apura R$ 97 mi do Iprev Maceió no Master

> A Polícia Federal apura aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central. A investigação, com apoio da CGU, cumpre buscas e bloqueio de bens contra seis investigados por suspeita de gestão fraudulenta. O caso envolve possível desvio de recursos previdenciários municipais.

*Global Forum · Investimentos · 10 de agosto de 2026 · Tânia Lustosa*

PF e CGU cumprem buscas sobre aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master, liquidado pelo BC. Seis investigados, bloqueio de bens e suspeita de gestão fraudulenta.

## PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. A ação envolveu buscas em Alagoas e São Paulo e bloqueio de bens de seis investigados.

## O que está em jogo: R$ 97 milhões da previdência de Maceió

O valor de R$ 97 milhões corresponde a uma aplicação feita pelo Iprev em dezembro de 2023 em letras financeiras emitidas pelo Master. Em maio de 2024, houve um segundo aporte, de R$ 17 mil. As suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre essas duas operações.

Segundo a PF, as investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos. O foco é entender como o instituto de previdência escolheu aplicar recursos em um banco que, meses depois, seria liquidado pelo Banco Central (BC).

## Quem é o Banco Master: liquidado pelo BC em novembro de 2025

O Master pertenceu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O banco foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central. Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.

A liquidação extrajudicial é uma intervenção mais severa que a intervenção comum. Ela retira o banco do mercado e nomeia um liquidante para administrar os ativos e passivos. No caso do Master, a decisão do BC ocorreu após o agravamento da crise de liquidez.

## Operação da PF: mandados, buscas e bloqueio de bens

Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo. Os agentes federais foram autorizados a apreender computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais ou corporativos, documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios.

As buscas ocorreram em endereços residenciais e comerciais ligados aos seis investigados e também nas sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

Além das buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores de todos os investigados, até o limite global de R$ 97 milhões. Ou seja, o bloqueio busca garantir que, se houver condenação, os recursos possam ser recuperados.

## Quem são os seis investigados

Os nomes foram divulgados pela PF e constam do despacho do ministro. A lista inclui:

- João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos investigados;
- Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
- Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
- Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
- Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

## O papel da consultoria Crédito & Mercado

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.

Em outras palavras, a suspeita é de que funções que deveriam ser exercidas pelo próprio Iprev, como análise de risco e governança, tenham sido transferidas a uma empresa externa, sem o devido controle.

## As suspeitas: direcionamento e exposição desproporcional

Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial para realizar as buscas, a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

O despacho cita ainda que, segundo a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master.

Esses elementos, se confirmados, indicariam falhas graves no processo de decisão de investimento. A ausência de análise comparativa e de avaliação de liquidez é especialmente relevante quando se trata de recursos de aposentadoria.

## O que diz o Iprev

Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.

A defesa do instituto, portanto, é de que não houve irregularidade. O crescimento patrimonial é citado como evidência de boa gestão. A investigação, no entanto, segue em curso.

## O impacto para servidores e aposentados

A aplicação de recursos de previdência em ativos de risco elevado e liquidez reduzida, como as letras financeiras do Master, pode comprometer a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas. No caso do Iprev, o patrimônio atual de R$ 1,6 bilhão daria uma margem de segurança, mas a perda de R$ 97 milhões, se confirmada, não é desprezível.

A pergunta que fica é: quem paga a conta se o dinheiro não for recuperado? A resposta, em última instância, são os próprios servidores e aposentados de Maceió, que dependem do instituto para receber seus benefícios.

## Próximos passos da investigação

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos. A PF deve analisar o material apreendido e ouvir os envolvidos.

O bloqueio de bens no valor de R$ 97 milhões é uma medida cautelar. Se a Justiça concluir que houve gestão fraudulenta, os investigados podem responder por crime contra o sistema financeiro e por improbidade administrativa.

## O que essa investigação significa para outras previdências

O caso do Iprev de Maceió serve de alerta para outros institutos de previdência no Brasil. A terceirização de competências administrativas e a aplicação em ativos de risco sem análise adequada são riscos que podem se repetir. A fiscalização do Banco Central e dos órgãos de controle é essencial para evitar que recursos de aposentadoria sejam expostos a perdas.

## Perguntas Frequentes

### O que é o Banco Master?

O Banco Master foi uma instituição financeira pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, após violar normas do Sistema Financeiro Nacional e sofrer grave crise de liquidez.

### Quanto o Iprev aplicou no Master?

Em dezembro de 2023, o Iprev aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. Em maio de 2024, houve um segundo aporte, de R$ 17 mil.

### Quem são os investigados?

Os investigados são João Felipe Alves Borges, Ronnie REYNER Teixeira Mota, Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, Renan Foglia Calamia, Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos.

### O que a PF suspeita?

A PF suspeita de gestão fraudulenta, com possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida.

### O que diz o Iprev?

O Iprev afirma que os atos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis, que o patrimônio cresceu de R$ 400 milhões para R$ 1,6 bilhão e que está colaborando com as autoridades.

### O que acontece com o dinheiro dos aposentados?

O bloqueio de bens de até R$ 97 milhões busca garantir a recuperação dos valores. O Iprev afirma ter capacidade de pagamento, mas o desfecho depende da investigação.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/pf-apura-aporte-r-97-milhoes-previdencia-maceio-master/
