5 ações para ficar de olho na temporada do 2T26, segundo o Itaú BBA
A temporada de resultados do 2T26 começou, e o Itaú BBA projeta crescimento de 22,7% no Ebitda do Ibovespa, mas com qualidade desigual. O banco elencou cinco ações que podem surpreender, enquanto alerta para os efeitos dos juros elevados e da desaceleração econômica.
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) começou com reações importantes do mercado, como a disparada das ações da WEG (WEGE3). Para os estrategistas do Itaú BBA, o período deve confirmar um cenário de crescimento dos lucros das empresas brasileiras, embora com qualidade considerada desigual.
O banco avalia que os resultados devem refletir tendências operacionais resilientes, mas alerta que boa parte da expansão dos ganhos continua concentrada em empresas ligadas a commodities, enquanto o ambiente de juros elevados limita o potencial de aceleração das companhias domésticas.
Segundo as projeções do Itaú BBA, as empresas do Ibovespa devem registrar crescimento de 11,9% na receita, 22,7% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e 18,4% no lucro líquido na comparação anual. Excluindo os setores de commodities, os números continuam positivos, mas mais modestos: alta de 9,4% na receita, 11,4% no Ebitda e 12,1% no lucro líquido.
O cenário macroeconômico e os juros elevados
O cenário macroeconômico se tornou menos favorável ao longo do trimestre. Embora o Banco Central tenha reduzido a Selic em 50 pontos-base, para 14,25%, as expectativas de inflação e juros futuros pioraram significativamente. O mercado passou a projetar Selic de 14% no fim de 2026, acima dos 12,5% esperados anteriormente, enquanto as projeções para o IPCA subiram para 4,92%.
Além disso, indicadores de atividade monitorados pelo banco apontam desaceleração da economia. O índice IDAT registrou queda de 1,7% em junho na série dessazonalizada, com destaque para a fraqueza do setor de serviços e das categorias mais dependentes de crédito, como veículos e materiais de construção.
Os setores que puxam o crescimento
Entre os destaques positivos da temporada, o Itaú BBA vê o setor de óleo e gás como o principal motor dos resultados corporativos. A expectativa é de crescimento de 55,3% do Ebitda e de 79,9% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado.
Os setores de utilities, transportes e logística e bancos também devem apresentar desempenho sólido. O banco projeta expansão de 7,5% do Ebitda para utilities, crescimento de 42% do lucro líquido para transportes e alta de 6,5% nos lucros dos bancos.
Os pontos de preocupação
Na outra ponta, os maiores pontos de preocupação aparecem nos segmentos de mineração e siderurgia e de papel e celulose. O lucro líquido das empresas de mineração e aço deve recuar 17,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda do setor de papel e celulose é projetado para cair 23,4%.
As 5 ações para ficar de olho
O Itaú BBA elencou cinco empresas que considera particularmente relevantes nesta temporada de balanços, sendo possíveis destaques positivos.
Embraer (EMBJ3)
A Embraer aparece entre os principais destaques, com projeção de crescimento de 11,2% da receita e de 14% do Ebitda, além de lucro líquido de US$ 152 milhões, reforçando a confiança do banco nas projeções para 2026.
BTG Pactual (BPAC11)
O banco também vê espaço para resultados fortes de BTG Pactual, sustentados por retorno sobre patrimônio (ROE) de 25,3% e expansão de 27% da carteira de crédito corporativo.
Smart Fit (SMFT3) e RD Saúde (RADL3)
No varejo, os estrategistas destacam Smart Fit, impulsionada pelo crescimento do TotalPass, e RD Saúde, que deve apresentar receita próxima de R$ 12,7 bilhões e desaceleração mais suave do que a esperada pelo mercado.
Gerdau (GGBR4)
Já na siderurgia, o BBA vê a Gerdau como o "highlight" da temporada, com os números mais fortes trimestralmente no Brasil e na América do Norte e com expansão de margem esperada para o 3T26, com alta de 11% do Ebitda trimestralmente, para R$ 3,28 bilhões.
Os nomes sob pressão
Também vale destacar alguns nomes que são monitorados com expectativa mais negativa, caso de Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e Aura Minerals (AURA33), que devem ser pressionadas por maiores custos e pior realização de preços. Também aparecem entre os desafios da temporada empresas como Natura (NATU3), Grupo Mateus (GMAT3) e Vivara (VIVA3).
Perspectivas para o futuro
Apesar de projetar crescimento médio anual dos lucros do Ibovespa próximo de 15% entre 2025 e 2028, o Itaú BBA afirma que a composição desse avanço ficou menos equilibrada. A redução do potencial de queda dos juros e a piora das expectativas para a Selic diminuem a capacidade de aceleração dos setores domésticos, tornando o mercado mais dependente do desempenho das commodities.
Na avaliação dos estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani, o principal desafio para o mercado é que parte relevante da melhora continua vindo do complexo de commodities, enquanto as revisões de lucro para empresas domésticas e financeiras seguem pressionadas. Para os estrategistas, as estimativas de lucro para 2026 avançaram 42,3% nos setores de commodities nos últimos 12 meses, enquanto ficaram negativas para financeiras e companhias voltadas à economia doméstica.
O segundo trimestre deverá confirmar um quadro ainda resiliente para as empresas brasileiras, mas o foco dos investidores tende a migrar rapidamente para as sinalizações sobre o segundo semestre e 2027, período em que os efeitos da desaceleração econômica e dos juros elevados poderão se tornar mais evidentes.
Perguntas Frequentes
O que é o 2T26?
O 2T26 refere-se ao segundo trimestre de 2026, período de abril a junho, quando as empresas divulgam seus resultados financeiros.
Quais são as 5 ações destacadas pelo Itaú BBA?
As ações são Embraer (EMBJ3), BTG Pactual (BPAC11), Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3) e Gerdau (GGBR4).
Qual a projeção de crescimento do Ibovespa para o 2T26?
O Itaú BBA projeta crescimento de 11,9% na receita, 22,7% no Ebitda e 18,4% no lucro líquido das empresas do Ibovespa.
Quais setores devem ter pior desempenho?
Mineração e siderurgia e papel e celulose, com quedas projetadas de 17,2% e 23,4%, respectivamente.
Como os juros altos afetam as empresas?
Os juros elevados limitam o potencial de aceleração das companhias domésticas, tornando o mercado mais dependente do desempenho das commodities.