Natura (NATU3) sobe mais de 5% mesmo após prévia de lucro 10% menor no 2T
As ações da Natura (NATU3) subiram mais de 5% na B3 mesmo após a empresa divulgar prévia operacional indicando lucro 10% menor no segundo trimestre de 2025. O movimento surpreendeu investidores e analistas, que agora buscam entender os motivos por trás da valorização em meio a nú
Natura (NATU3) sobe mais de 5% mesmo após prévia de lucro 10% menor no 2T
As ações da Natura (NATU3) registraram alta superior a 5% na B3 nesta quarta-feira, mesmo após a companhia divulgar prévia operacional do segundo trimestre de 2025 com lucro líquido 10% inferior ao mesmo período do ano anterior. O movimento contrariou a lógica imediata de que resultados mais fracos pressionam os papéis para baixo. A gente separa o que de fato impulsionou a valorização.
Segundo a prévia divulgada pela Natura, o lucro líquido consolidado do 2T25 foi de R$ 420 milhões, ante R$ 467 milhões no 2T24, uma queda de 10%. A receita líquida, por outro lado, cresceu 4% na mesma base, alcançando R$ 8,1 bilhões. O mercado, ao que tudo indica, focou no crescimento da receita e na melhora de margens em algumas unidades de negócio.
Por que as ações subiram com lucro menor?
O mercado já esperava o pior
A queda de 10% no lucro já estava, em boa medida, precificada nas ações da Natura nas últimas semanas. Desde o início de junho, os papéis acumulavam desvalorização de cerca de 8%, refletindo expectativas mais cautelosas para o trimestre. Com a prévia vindo em linha com o esperado, o movimento foi de alívio e correção técnica.
Receita e margens acima das projeções
A receita de R$ 8,1 bilhões superou a mediana das estimativas de mercado, que girava em torno de R$ 7,9 bilhões. Além disso, a margem EBITDA ajustada subiu de 12,1% para 12,8% na comparação anual. Para analistas, isso sinaliza que a empresa está conseguindo ganhar eficiência operacional mesmo em um cenário de consumo mais restrito.
Desempenho da Avon Internacional
A unidade Avon Internacional, que vinha sendo um peso nos resultados, apresentou melhora sequencial. As vendas na América Latina cresceram 6% no trimestre, puxadas por Argentina e México. Esse dado foi lido como um sinal de que a reestruturação da marca começa a dar frutos.
O que os analistas estão dizendo
Recomendações e preços-alvo
Após a prévia, pelo menos três grandes bancos reiteraram recomendação de compra para NATU3. O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de R$ 18,50, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 15% sobre o fechamento do dia.
Riscos que permanecem
A dívida líquida da Natura encerrou o trimestre em R$ 5,2 bilhões, estável ante o trimestre anterior. O custo da dívida, no entanto, subiu para 14,5% ao ano, refletindo a alta da Selic. O Banco Central manteve a taxa básica em 9,75% ao ano na última reunião, o que mantém a pressão sobre empresas alavancadas.
Como interpretar o movimento de curto prazo
A alta de mais de 5% em um dia não deve ser lida como uma mudança estrutural nos fundamentos da Natura. O mercado está precificando uma combinação de alívio técnico, resultados operacionais marginalmente melhores que o esperado e expectativa de que o pior do ciclo de juros já passou.
Para o investidor de longo prazo, o que importa é a trajetória de geração de caixa e a capacidade de a empresa reduzir alavancagem. A prévia do 2T25 não altera significativamente essa narrativa, mas oferece um ponto de entrada mais atrativo para quem aposta na recuperação.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Natura subiram se o lucro caiu?
O mercado já esperava a queda no lucro e focou em indicadores operacionais melhores, como receita e margem EBITDA, que vieram acima das projeções.
A Natura está barata para comprar agora?
Com o preço-alvo médio de R$ 18,50 e a ação negociada a cerca de R$ 16,00, o potencial de alta é de 15%. Mas é importante considerar os riscos de alavancagem e juros altos.
Qual foi o lucro da Natura no 2T25?
O lucro líquido foi de R$ 420 milhões, 10% menor que os R$ 467 milhões do 2T24.
A dívida da Natura aumentou?
A dívida líquida ficou estável em R$ 5,2 bilhões, mas o custo subiu para 14,5% ao ano, pressionado pela Selic.
O que esperar para o próximo trimestre?
A tendência é de melhora gradual nas margens, com foco na reestruturação da Avon e controle de custos. A redução da alavancagem continua sendo o principal desafio.