Ibovespa sobe 3% com fluxo estrangeiro e pesquisa Quaest
Ibovespa sobe 3,05% a 185.205 pontos, maior alta desde março, com fluxo estrangeiro e empate técnico entre Lula e Flávio na pesquisa Quaest. Dólar cai e juros futuros recuam.
O Ibovespa acelerou os ganhos nesta quarta-feira (2) e fechou em alta de 3,05%, aos 185.205,09 pontos, maior avanço percentual em um dia desde março. Foi a 11ª sessão seguida de alta, com o índice se aproximando dos 186 mil pontos na máxima do dia, nível não visto desde o começo de maio. O movimento veio com a reação do mercado à nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial e com o apoio de ações de grande peso, como Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4).
A pesquisa Quaest mostrou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno: Lula tem 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa anterior, a distância era de três pontos; agora, caiu para um. No primeiro turno, Lula aparece com 37%, Flávio com 29% e Augusto Cury (Avante) com 10%.
A leitura de parte dos investidores é que uma disputa mais equilibrada aumenta as chances de mudança de governo em 2027 e, com ela, de alterações na condução da política fiscal. O quadro das contas públicas é um dos principais fatores acompanhados pelo mercado no processo eleitoral. Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação da AW Capital, a melhora recente da Bolsa também se deve à redução da pressão vendedora dos estrangeiros no fim de agosto: "Investidores estrangeiros pararam de vender bolsa do Brasil massivamente".
Entre as ações, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) subiam mais de 5% durante a manhã, enquanto Vale e Itaú estavam entre as blue chips que mais contribuíam para a alta. As ações da Petrobras também avançavam, apesar da queda do petróleo no exterior. Para Jefferson Laatus, estrategista do Grupo Laatus, a intensidade da reação exige cautela: "O mercado está expondo o que deseja, que é Lula fora da presidência em 2027. Mas é um movimento muito exagerado".
O dólar à vista renovou mínimas e era negociado perto de R$ 5,10 ao meio-dia, enquanto as taxas de juros futuros recuavam. Na terça-feira, o dólar fechou em queda de 0,54%, a R$ 5,1533. O noticiário corporativo também movimentou o pregão: Azzas 2154 (AZZA3) disparava cerca de 13% após anunciar reorganização societária, e Magazine Luiza (MGLU3) saltava quase 18% com parceria comercial com o Mercado Livre.
Na agenda econômica, o IBGE informou que a produção industrial avançou 0,2% em julho ante junho, mas caiu 0,5% na comparação anual, abaixo das expectativas. Dados mais fracos de atividade podem influenciar a trajetória dos juros, embora inflação e câmbio sigam decisivos. No exterior, o S&P 500 avançava 0,54%. política fiscal e mercado de ações impacto da pesquisa eleitoral na bolsa