# Ibovespa repete padrão histórico de eleição e pode subir 10% após 1º turno

> O Ibovespa apresenta padrão histórico de fraqueza pré-eleitoral e recuperação após o primeiro turno. Relatório do JPMorgan projeta rali de até 10% em outubro, condicionado a riscos fiscais e políticos que limitam o otimismo do mercado.

*Global Forum · Investimentos · 21 de julho de 2026 · Fábio Quaresma*

O Ibovespa pode repetir o padrão histórico de anos eleitorais, com fraqueza antes da votação e recuperação após o 1º turno. Relatório do JPMorgan projeta rali de até 10% em outubro, mas alerta para riscos fiscais e políticos que limitam otimismo.

Se você está acompanhando a Bolsa de perto e sente aquele aperto com a volatilidade dos últimos meses, saiba que não está sozinho. O mercado de ações brasileiro pode estar repetindo um comportamento já visto em eleições anteriores, e isso traz tanto riscos quanto oportunidades para quem está organizando os investimentos.

O JPMorgan projeta que o Ibovespa pode subir cerca de 10% após o 1º turno das eleições, repetindo padrão histórico de recuperação pós-votação. O banco vê incertezas fiscais e políticas no curto prazo, mas fluxo estrangeiro positivo de R$ 2,4 bilhões no mês e cortes na Selic podem sustentar o rali.

## O padrão histórico das eleições na Bolsa

Em relatório sobre cenário macroeconômico, eleições e mercados, o JPMorgan afirma que a Bolsa brasileira tem apresentado desempenho compatível com o padrão histórico de anos eleitorais. Esse comportamento é marcado por fraqueza nos meses que antecedem a votação e recuperação após o primeiro turno.

Conforme apontam a estrategista Emy Shayo e equipe, que assinam o relatório, as ações brasileiras acumulam uma performance 24% inferior à dos mercados emergentes desde abril. O banco considera esse movimento consistente com o histórico de desempenho abaixo observado nos seis meses que antecedem as eleições presidenciais.

## O que mantém os investidores cautelosos

Para os estrategistas, a combinação de incertezas fiscais, volatilidade política e indefinição sobre o resultado eleitoral tende a manter os investidores cautelosos no curto prazo. O banco avalia que a disputa presidencial segue aberta e deve permanecer competitiva até a reta final da campanha.

As pesquisas compiladas pelo JPMorgan mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente em um eventual segundo turno, com vantagem de cerca de 3,5 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Ainda assim, a diferença permanece dentro da margem de erro em diversos levantamentos, o que impede qualquer conclusão definitiva sobre o resultado. O banco também considera improvável o surgimento de uma candidatura viável de terceira via neste estágio da corrida eleitoral.

## O rali pós-1º turno e o que esperar

Apesar do cenário de curto prazo mais turbulento, o histórico eleitoral oferece algum alento para investidores em Bolsa. A análise do JPMorgan sugere que um rali de aproximadamente 10% durante o mês da eleição seria compatível com os padrões observados em pleitos anteriores. Esse movimento normalmente começa após o primeiro turno, independentemente de quem esteja liderando a disputa.

O comportamento posterior também tende a seguir um roteiro conhecido. Segundo o banco, após a recuperação inicial, as ações brasileiras costumam apresentar desempenho próximo ao dos demais mercados emergentes nos seis meses seguintes à eleição.

## Fluxo estrangeiro e fundamentos das empresas

Outro fator que pode ajudar o mercado é o retorno gradual do investidor estrangeiro. O JPMorgan destaca que os fluxos internacionais melhoraram recentemente, com entrada de R$ 1,5 bilhão em um único pregão e saldo positivo de R$ 2,4 bilhões no acumulado do mês até a data do relatório.

Além disso, a instituição observa que o desempenho das ações em 2026 vem sendo sustentado principalmente pelo crescimento dos lucros corporativos, e não pela expansão dos múltiplos de valuation. Isso sugere que os fundamentos das empresas continuam desempenhando papel importante mesmo em meio ao ruído político.

## Cenário macroeconômico: PIB e Selic

Do lado macroeconômico, o banco revisou para cima sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 1,8% para 2%, refletindo os efeitos das medidas fiscais e parafiscais adotadas pelo governo. Contudo, vê desaceleração da atividade ao longo do segundo semestre, à medida que o impulso inicial perde força.

O JPMorgan também segue com a previsão de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic até setembro, levando a taxa básica para 13,75% no fim do ano. A melhora temporária da inflação abre espaço para o Banco Central continuar reduzindo os juros, embora as incertezas fiscais e eleitorais limitem uma flexibilização mais agressiva.

## Os riscos que não podem ser ignorados

Na avaliação dos estrategistas, o principal risco para os ativos brasileiros continua sendo o ambiente político e fiscal após as eleições. O banco alerta que medidas de estímulo adotadas antes do pleito podem gerar compromissos permanentes de gastos ou reduzir receitas estruturais a partir de 2027, aumentando a preocupação dos investidores com a sustentabilidade das contas públicas.

Ainda assim, se o padrão histórico voltar a se repetir, o período de maior aversão ao risco pode estar se aproximando do fim, abrindo espaço para uma recuperação da Bolsa conforme o calendário eleitoral avançar e as incertezas sobre o resultado começarem a se dissipar.

## Perguntas Frequentes

### O Ibovespa sempre sobe após o 1º turno das eleições?

Segundo o JPMorgan, o padrão histórico mostra rali de aproximadamente 10% durante o mês da eleição, começando após o primeiro turno, independentemente de quem esteja liderando a disputa.

### Qual a projeção do JPMorgan para a Selic em 2026?

O banco prevê mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até setembro, levando a taxa básica para 13,75% no fim do ano.

### Quanto o investidor estrangeiro já trouxe para a Bolsa?

O JPMorgan destaca entrada de R$ 1,5 bilhão em um único pregão e saldo positivo de R$ 2,4 bilhões no acumulado do mês até a data do relatório.

### Qual o principal risco para os ativos brasileiros?

O principal risco continua sendo o ambiente político e fiscal após as eleições, com medidas de estímulo que podem gerar compromissos permanentes de gastos a partir de 2027.

### O crescimento dos lucros corporativos sustenta a Bolsa?

Sim, o banco observa que o desempenho das ações em 2026 vem sendo sustentado principalmente pelo crescimento dos lucros corporativos, e não pela expansão dos múltiplos de valuation.

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Fonte (canonical): https://globalforum.com.br/investimentos/ibovespa-repete-padrao-historico-eleicao-pode-subir-10-apos-1-turno-outubro/
